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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

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Torres Novas | Manuel Inácio comemora 100 anos com alegria para dar e vender

A alegria e boa disposição permanentes são o segredo para se chegar aos 100 anos. Quem o diz é Manuel Inácio, utente da Casa de Repouso Visconde de S. Gião, em Torres Novas, que festejou o seu 100° aniversário no lar, rodeado de familiares, amigos, autarcas, dirigentes e utentes da instituição.

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Os responsáveis do lar prepararam uma tarde de festa com um espetáculo de fados, discursos (onde não faltou o presidente da Câmara), e um lanche ao ar livre, que terminou com os “parabéns a você” e o apagar das velas.

O dia exato do aniversário foi 28 de setembro, mas esse dia foi passado em família. Manuel Inácio reuniu num restaurante, para o almoço, os seus familiares mais próximos.

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Por isso, no dia 30, quando lhe perguntamos para confirmar se fez 100 anos, ele responde: “fiz no sábado, dia 28, portanto já tenho mais de 100 anos” e termina a frase com uma sonora gargalhada.

“Estou sempre bem disposto, não há ninguém aqui no lar que tenha uma queixinha minha”, reforça, amparado apenas pela sua bengala.

Conta que veio para o lar com 94 anos “a pensar que durava pouco tempo. Mas já aqui estou há seis anos, isto é uma maravilha”, diz, sorridente.

Quem olhe para Manuel Inácio não lhe dá 100 anos, pela sua vitalidade, energia e capacidade de memória.

Outro segredo para a longevidade, destaca Manuel Inácio, é o facto de, todos os dias de manhã, tratar da sua horta nos terrenos junto ao lar. “É a minha vida, por isso é que eu cheguei aos 100 anos, trabalhando com gosto, a vida passa-se melhor”, assegura.

A sua horta já foi maior e chegou a plantar couves e girassóis, mas as obras que decorrem no lar obrigaram a que o terreno disponível fosse reduzido. E assim, atualmente trata todos os dias dos seus morangueiros, piri-piri, alecrim, entre outras plantas, num terreno que consegue contemplar a partir da janela do seu quarto.

O aniversariariante com o seu irmão, filha e sobrinhos. Foto: mediotejo.net

Nasceu no Casal dos Ramos, perto da Brogueira, freguesia onde explorou um talho durante 23 anos. Ali casou com uma senhora da mesma localidade com quem teve duas filhas, uma das quais faleceu aos 57 anos.

Dos seus seis irmãos (cinco rapazes e uma rapariga), resta apenas um, o mais novo, de 90 anos. Manuel Inácio estudou até à 4ª classe e passou quatro anos na tropa. Diz que se lembra bem do Salazar, explicando que entrou para o governo em 1927, tinha Manuel oito anos.  “Naquele tempo toda a gente gostava do Salazar mas depois começou a fazer má figura. Não devia estar lá tanto tempo”, opina.

Em termos profissionais, além do talho, a sua vida profissional foi sempre ligada à agricultura de onde ganhou dinheiro para possibilitar que as suas filhas estudassem.

Do seu casamento nasceram duas filhas, sendo que uma delas já faleceu. Tem dois netos e dois bisnetos, o mais velho dos quais com nove anos.

Quanto à festa que lhe prepararam no lar, que comemorava também o Dia Internacional do Idoso, diz que “é uma coisa bonita”, enquanto vão chegando os convidados e alguns familiares.

Com uma memória prodigiosa, regista diariamente num diário o seu dia a dia e as suas reflexões, bem como memórias de outros tempos.

Quando lhe perguntamos que recordações tem de antigamente, responde: “ui, tantas, dava para um romance, não há dia nenhum que eu não escreva”.

Antes da atuação dos fadistas da Escola de Fado do Núcleo de Arte de Riachos, Manuel Inácio ia partilhando memórias dos tempos difíceis que passou numa altura em que não havia eletricidade, nem água canalizada, contrariedades que contornava com a sua permanente boa disposição.

Carlos Maia, Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia. Foto: mediotejo.net

Um lar com lotação esgotada

Com 70 utentes em regime de internamento, a Casa de Repouso Visconde de S. Gião, pertencente à Santa Casa da Misericórdia, mantém ainda as valências de apoio domiciliário (50 utentes), centro de dia (50 utentes) e creche (35 crianças). Garante ainda o funcionamento do centro de dia na Brogueira e do lar infanto-juvenil com pouco mais de 20 utentes colocados através da Segurança Social.

Segundo Carlos Maia, vice-provedor, nesta altura todas as valências têm a sua capacidade esgotada. Estão a decorrer obras de requalificação do lar, executadas por fases. A 1ª fase deve estar concluído dentro de poucos meses, garantiu o responsável.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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