Torres Novas | Mais de 20 anos depois nasceu Dinis, o primeiro torrejano de gema

Há exatamente 22 anos deixaram de nascer crianças no hospital de Torres Novas. Dinis quebrou hoje esse ciclo, com a transferência temporária da maternidade de Abrantes para Torres Novas Foto: CHMT

Chama-se Dinis e é um torrejano de gema o primeiro bebé a nascer em mais de duas décadas em Torres Novas, na maternidade do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), que está desde esta quinta-feira a funcionar em Torres Novas depois da transferência temporária do serviço do hospital de Abrantes devido à pandemia de Covid-19. O Dinis nasceu às 10:29 desta quinta-feira, dia 26 de março, com 3,670 kg e é o segundo filho de um casal residente na cidade. Há quem assegure que foi exatamente há 22 anos que deixaram de nascer crianças na maternidade do hospital de Torres Novas, depois de retirado aquele serviço da cidade. E a mãe, Ana Isabel, sabia disso, e tanto quis que acabou por fazer acontecer uma história bonita em contexto de pandemia.

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“Eu sabia que a maternidade abria às 9:00, depois da transferência de Abrantes nos últimos dias, e confesso que fiz tudo para o bebé fosse o primeiro a nascer aqui em Torres Novas, depois de tantos anos sem nascimentos na cidade”, confessou Ana Isabel ao mediotejo.net, em conversa telefónica, tendo revelado que as águas rebentaram umas horas antes, sinal que estava na hora do Dinis chegar.

Mais de 20 anos depois nasceu o primeiro torrejano de gema. Foto: DR

“Comecei com contrações de madrugada, cerca das 04:00, e fiz um esforço para aguentar o máximo possível e esperar que chegasse a hora da abertura da maternidade para ir para lá. O meu marido levou-me de carro e quando cheguei faltavam 10 minutos para as 9:00 e fui a primeira a entrar”, contou, não escondendo a felicidade pelo momento de alegria pelo filho, que nasceu num parto rápido e sem complicações, e pelo orgulho por ter dado a condição de torrejano de gema a uma família de Torres Novas.

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Mais de 20 anos depois nasceu Dinis, o primeiro torrejano de gema em duas décadas. Foto: CHMT

“É uma alegria enorme, tendo em conta a situação que o país está a viver. Vivo cá [Torres Novas] há dez anos, mas toda a família do pai é torrejana de gema. E sim, estou muito contente por ser o primeiro bebé a nascer, tantos anos depois, aqui”, disse Ana Isabel João.

O parto decorreu de forma natural e os elogios estenderam-se à equipa de profissionais do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do CHMT: “Uma equipa excecional, correu tudo muito bem”, afirmou a jovem mãe (agora) de dois filhos. A Matilde, de três anos, e o pai de Dinis não puderam visitar presencialmente a mãe nem o bebé, como medida de prevenção e precaução ao Covid-19, tendo feito uma vídeo-chamada para conversar e aferir da boa condição dos seus familiares. Em breve, esta família estará toda reunida para celebrar o acontecimento.

Um momento feliz e de esperança este nascimento em Torres Novas, gerado por circunstâncias temporais adversas. Isso mesmo realçou o presidente do município torrejano, Pedro Ferreira, que, numa mensagem vídeo, apela à coragem e à esperança.

“O Dinis é um sinal de esperança para todos nós. Um sinal da continuidade da vida.”

Ainda no dia de quinta-feira há a registar um nascimento de um bebé de Gavião. Como curiosidade, temos a registar, por informaçâo da própria mãe, uma torrejana, um nascimento em Torres Novas em janeiro de 2016, não na maternidade mas no Serviço de Urgências, de onde foi depois transferido para Abrantes, onde está a maternidade do CHMT. O bebé, agora um menino com quatro anos, acabou por ser registado como tendo nascido em Abrantes, mas nasceu efetivamente em Torres Novas, sendo um torrejano de gema.

Chama-se Dinis e é um torrejano de gema o primeiro bebé a nascer em mais de duas décadas em Torres Novas. Foto: CHMT

Em comunicado, o CHMT dá conta que o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia está a funcionar, como previsto no âmbito da atual Pandemia pelo Novo Coronavírus, SARS-Cov 2, e integrado no Plano de Contingência do Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, desde as 9:00 desta manhã, na Unidade Hospitalar de Torres Novas.

“A transferência do Serviço realizou-se de forma tranquila e planeada, não tendo sido necessário que nenhuma das mães seguidas no CHMT, EPE, recorresse a outras entidades hospitalares, durante os dias da mudança da Maternidade”, faz notar.

O Centro Hospitalar recorda ainda que “a deslocação de instalações da Maternidade da Unidade Hospitalar de Abrantes para a Unidade Hospitalar de Torres Novas decorrerá tão-só enquanto durar o plano de contingência de combate ao novo Coronavírus, SARS-Cov2, promovendo-se desta forma a salvaguarda das mães e recém-nascidos, e concentrando na Unidade Hospitalar de Abrantes os meios clinicamente mais diferenciados para a primeira linha de assistência aos doentes com Covid-19”.

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