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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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Torres Novas: John Mowat chamou e D. Sebastião apareceu

Alegrem-se os que nunca perderam a esperança. D. Sebastião está de volta cerca de quatro séculos depois e aparecerá no palco do Teatro Virgínia este sábado, dia 9, durante a peça “Nevoeiro Adentro”. Falámos com o encenador John Mowat em inglês sobre um tema que diz muito aos portugueses e descobrimos como conseguiu o tão esperado regresso do Desejado, terminando em comédia uma história que começou de forma trágica.

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O nevoeiro previsto para alguns pontos da cidade de Torres Novas na noite de sábado terá tal intensidade que muitos pensarão “é desta que aparece D. Sebastião”. Pela primeira vez em quatro séculos estão certos. O desaparecimento mais famoso da História portuguesa ganhará novos contornos durante a peça da companhia Plot Teatro fundada no ano passado por John Mowat, Sónia Aragão, Ricardo Peres, Miguel Antunes, Jochen Pasternaki e Francisco Pessoa Junior.

O caso podia ter inspirado uma investigação à C.S.I., mas a fórmula escolhida é diferente. A tragédia foi transformada em comédia e o inglês John Mowat, que partilha as moradas de Londres e Lisboa há cerca de vinte anos, idealizou o cenário de boas-vindas ao rei em “Nevoeiro Adentro”.

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Quando chegou a Portugal, John Mowat já trazia mais de uma década de teatro na bagagem. O estudante de escultura da Royal Academy School sentiu um “click” durante um espetáculo e decidiu trocar o atelier pelo palco. As aulas noturnas com Ronald Wilson começaram a afastá-lo gradualmente dos dias de freelancer em artes plásticas e em 1980 estreou-se num “one man show” com o seu nome.

A comédia tem andado com ele pelo mundo desde então e tê-la presente todos os dias soa a privilégio, mas o encenador encara a questão de forma simples. O sentido de humor é importante para o artista que se estreou em Portugal na Expo 98 com o Chapitô e continua a acordar “com ânsia de ir trabalhar”. A Plot Teatro surgiu no ano em que deixou a icónica companhia lisboeta e ali encontrou um grupo “que se diverte muito a fazer as peças”, algo que acredita ser sentido pelo público quando percorrem o país.

Apesar de nunca ter trabalho com guiões e do trabalho se basear na “tentativa-erro”, John Mowat, salienta que cada espetáculo “tem uma estrutura”. Para a criação de “Nevoeiro Adentro” foi feita uma investigação, mas o peso histórico não se sente uma vez que “a principal missão do teatro é o entretenimento” e, no caso da Plot Teatro, conseguem-no através do improviso, da experimentação, do impacto visual e da comédia.

Pode parecer fácil, mas não é. O lazer dos outros implica dedicação e técnica por parte dos artistas e os workshops são uma faceta da Plot Teatro que o encenador considera ser “muito importante” para assegurar uma formação que contribua para quebrar “as barreiras estabelecidas por algumas companhias mais antigas, agarradas aos seus impérios”. Na sua opinião, Portugal é um terreno fértil na área do teatro, mas exige luta quando se tenta fazer algo diferente e que dissipe o nevoeiro gerado pelo “medo de arriscar” e de “ser influenciado por coisas novas”.

D. Sebastião arriscou, partiu para Alcácer Quibir e tornou-se num mito. John Mowat acredita que o mais certo é o rei ter fugido e pediu-lhe para contar a sua versão da História. Ao contrário dos pedidos que se foram sucedendo nos últimos quatro séculos, o Desejado decidiu regressar e passará pelo Teatro Virgínia a partir das 21h30. Qual o segredo? Afinal só tínhamos que chamar por ele num inglês descontraído.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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