Torres Novas | Joel Catarino assegura lugar na seleção de ginástica masculina em 2020

O atleta do Clube de Ginástica de Torres Novas, Joel Catarino, assegurou um lugar na seleção de ginástica masculina até final de 2020, depois de ter estado acompanhado com o treinador Diogo Soares no Centro de Alto Rendimento da Anadia para realizar os testes do Age group, onde passou com distinção.

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O ginasta que esta época divide os treinos entre Lisboa e Torres Novas, somou 695 pontos, conseguindo a terceira melhor pontuação nacional desde que se realizam estes testes em Portugal. Com esta pontuação e os resultados nas competições assegura a sua permanência na Seleção Nacional de Ginástica Artística Masculina até ao final do ano 2020.

O treinador Diogo Soares e o ginasta Joel Catarino estão convocados para o último estágio do ano com a Seleção Nacional, que se realiza no CAR-Anadia de 17 a 20 de dezembro.

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O ginasta Joel Catarino assegurou um lugar na seleção de ginástica masculina em 2020. Foto: DR

Em comunicado, o clube torrejano dá conta que os seus ginastas vão iniciar os seus primeiros estágios em Lisboa. “O CGTN vai levar todos os seus atletas da competição ao Lisboa Ginásio Clube para um treino conjunto com partilha de conhecimentos”, pode ler-se na nota, tendo feito notar que, a esta altura, o CGTN ainda não está a treinar no Ginásio Municipal e que as condições em que os ginastas treinam “estão longe de ser as ideais”.

A direção do CGTN, para colmatar esta lacuna, vai promover estas viagens a Lisboa para os atletas “treinarem em condições normais”, tendo referido aguardar pela assinatura de um contrato programa com a autarquia para ultrapassar as atuais dificuldades de treino.

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Joel Catarino é a nova promessa na ginástica masculina

Joel Catarino, hoje com 18 anos, conseguiu obter há cerca de dois anos a pontuação necessária para integrar a seleção nacional de ginástica. A conquista valeu-lhe mais apoios, mais estágios, por forma a poder competir entre os melhores do mundo. O objetivo final: os Jogos Olímpicos de 2020. Numa modalidade onde é o setor feminino que mais se destaca, a ginástica artística masculina também tem uma palavra a dizer. É necessária força, agilidade, sacrifício e, acima de tudo, resiliência. Republicamos uma entrevista de Cláudia Gameiro realizada em janeiro de 2018:

Joel Catarino tem 18 anos e desde os 14 anos que tentava entrar na seleção nacional de ginástica. Conseguiu-o há dois anos atrás. Foto arquivo: mediotejo,.net

À semelhança dos seus colegas, Joel Catarino começou com seis anos na ginástica artística. No início, recorda o treinador Diogo Soares, eram 12 os rapazes que chegaram ao seu treino para integrar a modalidade. Hoje restam apenas três. Num desporto exigente e que possui a sua boa dose de compromisso, não é fácil passar os primeiros 10 anos de formação. Joel Catarino está agora a entrar na fase de competição sénior, sendo por tal a entrada na Seleção Nacional, por poucos pontos do limite, uma grande conquista para o jovem atleta da União Desportiva e Recreativa da Zona Alta (UDRZA)

Natural de Torres Novas, Joel estuda na Escola Secundária do Entroncamento, no curso de técnico de desporto. “Quando era mais novo estava sempre a fazer cambalhotas”, recorda, agilidade que chamou a atenção de uma tia que praticara ginástica. Ainda tentou a natação, mas a modalidade não o cativou. No mundo da ginástica masculina tem encontrado o seu lugar e é com evidente satisfação que treina, ainda que sozinho, no ginásio de Torres Novas.

A entrada na seleção deu-se por 1,5 pontos, a partir de um elemento que já não treinava há algum tempo. “Não estava à espera”, admite, referindo que não concede só à sorte esta oportunidade, mas também ao seu trabalho ao longo dos anos. Agora o objetivo é competir no Campeonato da Europa. No horizonte estão os Jogos Olímpicos, onde todos os ginastas querem chegar. No seu caminho espera-o “muito trabalho, muita dedicação, tentar gerir com a escola”, reconhece.

Quer entrar no ensino superior em Lisboa, em fisioterapia, para poder treinar com os selecionadores nacionais nos clubes lisboetas. Admite que quando começou na modalidade o fez apenas por recreio, mas foi ganhando gosto no desporto. O ponto de viragem foi uma boa crítica de um selecionador, que lhe admirou a dedicação. “Disse que eu tinha jeito e que gostava de pessoas dedicadas. Pensei que poderia ter futuro”, reconhece.

concentração e disciplina fazem parte do mundo da ginástica Foto: mediotejo.net

Se a ginástica artística tem fama de ser um desporto de meninas, Joel já leva com sacrifício e esforço suficiente para que certos comentários não o afetem. “Não me influencia, é o que eu gosto de fazer”, salienta. A par da grande exigência em termos de força, concentração e flexibilidade, um bom ginasta tem que ter uma alimentação equilibrada. Doces não fazem parte da ementa.

Olhando para trás, recorda que pensou em desistir quando o treinador Diogo Soares se mudou para Tomar, o que lhe exigia viagens longas para treinar. “Era muito cansativo”, recorda. Mas “os meus pais não me deixaram desistir” e entretanto a situação voltou a reorganizar-se. Agora é na ginástica que aposta o seu futuro.

Uma modalidade onde os pais também entram

Depois do atletismo, a ginástica artística é a modalidade mais vista nos Jogos Olímpicos. A competir estão equipas de todo o mundo, sendo que este é um desporto que é praticado a alto nível em quase todos os 200 países do planeta. Se na vertente masculina há menos concorrência, na feminina a disputa é de tal ordem que só as verdadeiramente extraordinárias conseguem chegar ao pódio. Em termos gerais, este é o cenário da ginástica artística, traçado em algumas ideias chave por Diogo Soares.

O treinador e professor de Educação Física é de Lisboa, tendo chegado a Torres Novas devido à carreira docente. Foi em torno deste que se criou a equipa de ginástica masculina, que conta atualmente com 50 rapazes, com muitas crianças de 2/3 anos (variante de ginástica para bebés, que o próprio criou). Ainda que o tema seja polémico, Diogo Soares explica que a especialização precoce é necessária devido à flexibilidade, que facilmente se perde com o crescimento. “O ideal é iniciar aos seis anos”, refere.

O treinador e também selecionador distrital não poupa elogios às condições existentes em Torres Novas, destacando que na seleção o Joel Catarino é atualmente o único atleta que não vem de Lisboa ou Porto.

“A Câmara Municipal fez este investimento e está a retirar os frutos”, salienta, apesar do pavilhão padecer já de alguns problemas de isolamento. Mas se o melhor centro de alto rendimento se encontra em Anadia, Torres Novas não fica atrás de outras estruturas preparadas para a modalidade. A razão, constata, poderá estar no facto do concelho ter alguma tradição na prática de ginástica.

A entrada na seleção nacional coloca-o entre os melhores ginastas do país e o único que não chega de Lisboa e Porto Foto: mediotejo.net

Dos 12 atletas com que começou há 10 anos, restam apenas três, sendo que o Joel é o único que compete a um nível de 1ª divisão. A entrada na seleção coloca o atleta no alto rendimento, com apoios e mais estágios, a nível nacional e internacional. O objetivo é ir ao Campeonato da Europa em Glasgow já em agosto, mas o percurso ainda é longo, admite.

O ginasta masculino tem que dominar seis aparelhos, todos com biomecânicas diferentes, adianta. Entre os homens são os japoneses que mais se destacam a nível internacional. “Isto não tem nada a ver com futebol, é preciso força”, explica o treinador, tentando salientar as diferenças. Joel treina às terças, quintas e sábados, com dois treinos à quinta-feira, um antes das aulas, pela manhã.

“É um miúdo muito trabalhador, muito focado. Sei que está aqui com um objetivo”, salienta o treinador. Mas é mesmo necessário este tipo de compromisso para se obterem resultados num desporto como a ginástica. Os pais, constata o treinador, também têm que fazer parte da equação. São 10 anos de formação para finalmente competir a alto nível. Treinar para alcançar um objetivo e, conforme afirmou Joel Catarino, gostar do que se está a fazer.

c/ Cláudia Gameiro

*Entrevista publicada em janeiro de 2018, republicada em dezembro de 2019

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