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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Torres Novas | João Canuto vence prémio de cinema em Singapura mas precisa de ajuda para receber o galardão

Operário fabril e doente, é com dificuldade que prossegue no sonho. Agora, diz, gostava que alguma entidade o ajudasse: "Não tenho interesse em reconhecimento pessoal ou em prémios", frisa", mas em "ter portas abertas e meios para poder produzir" mais cinema.

O torrejano João Ribeiro, 31 anos, conhecido como realizador pelo nome de João Canuto, foi o vencedor da categoria “Filmes Experimentais” do World Film Carnival, em Singapura. Com “Fuck Haneke”, João Ribeiro quis mostrar a importância de nos amarmos a nós próprios. 

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O World Film Carnival – Singapore é um festival de cinema “live screening” (ao vivo) que decorre mensalmente em diferentes pontos de Singapura. O evento oferece basicamente a oportunidade a cineastas independentes de terem os seus filmes exibidos na tela para um grande público. 

Com 31 anos, João Canuto tem já uma vida emocionalmente carregada, sofrendo de fibromialgia desde os 19 anos e de doença de Crohn, diagnosticada em novembro passado com um prognóstico de fim iminente. Assustado com todo o cenário mortal que lhe era traçado no hospital, onde passou o tempo a ver filmes do realizador alemão Michael Haneke (“Amour”), pediu alta. Decidira fazer um filme que expusesse “tudo o que sentia dentro de mim”. 

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ÁUDIO | João Canuto fala ao mediotejo.net sobre os seus problemas de saúde e como isso influenciou a realização deste filme

“Fuck Haneke”, o nome do filme que realizou e com o qual concorreu a vários festivais, é “uma espécie de autobiografia experimental”. A ideia surgiu de ver tantos filmes de Haneke – que o deixaram ainda mais depressivo – acabando o título por ser, em jeito de paradoxo, quase que uma homenagem ao realizador. “Sou mais eu a exprimir o meu apreço pelo cinema que ele faz”, reflete, num registo igualmente introspectivo, onde a realidade e a ficção por vezes se confundem.

“Este filme é muito sobre aprendermos a superar as nossas próprias inseguranças”, diz, sobre “amarmo-nos a nós mesmos”. Espera que o seu trabalho permita às “pessoas olharem um bocado para si, de forma mais imparcial e introspectiva, e superarem-se”.

O filme não tem ainda distribuição. Recebeu uma proposta do Amazon Prime, mas como lhe pediram para mudar o nome do filme, refere, não vai aceitar. Para já, quem quiser vê-lo terá de enviar uma mensagem a João Ribeiro, que o tem disponível numa página privada online.

Após a vitória neste prémio em Singapura, o filme foi já selecionado para mais sete festivais. O torrejano não poupou esforços e enviou o seu trabalho para cerca de 80 concursos, em todo o mundo. “Não tenho interesse em reconhecimento pessoal ou em prémios”, frisa, “mas ter portas abertas e meios para poder produzir” mais cinema.

Sendo operário fabril e doente, é por vezes com dificuldade que consegue ter equipamento para fazer os seus trabalhos de cinema, admite.

Neste momento ficou a saber que tem que pagar 135 dólares para receber o prémio de Singapura, uma situação que, ao que conseguiu confirmar junto do FilmFreeWay, é comum neste género de festivais. “Gostava que alguma entidade me ajudasse” a reclamar o prémio, refere, pois espera vir a ser esse um meio para lhe abrir novas portas. 

Além disso, confessa, também gostaria de estrear o seu “Fuck Haneke” em Torres Novas.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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