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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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Torres Novas | Hortas de água, sutiãs, doces, artesanato. Ser empreendedor em 2017…

A Praça do Peixe recebe até domingo, 30 de abril, a 2ª Feira do Empreendedorismo, uma iniciativa conjunta do Centro de Reabilitação e Integração Torrejano (CRIT) e do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 3G de Torres Novas. O mediotejo.net esteve na abertura do certame, quinta-feira, 27 de abril, e falou com alguns empreendedores. Ter ideias de negócio e avançar com elas não é fácil, mas há cada vez mais estruturas de apoio para ajudar na fase inicial.

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Hortas de água, sutiãs adaptáveis para mulheres que tiveram cancro, doces e muito artesanato são algumas das propostas que podem ser encontradas na Praça do Peixe até domingo. A iniciativa teve grande recetividade em 2016, razão pela qual o CLDS3G e o CRIT decidiram voltar a promovê-la. Este ano o número de bancas aumentou ligeiramente, para 46, e entre os produtores as perspetivas são positivas.

Mas o que significa ser empreendedor? Ana Calapez Gomes, da “Esteiros”, uma empresa de doces e morangos de Torres Novas, oferece-nos uma visão panorâmica do que espera quem quer investir. “É muito duro”, reflete, “tem a vantagem de termos a ilusão de sermos donos de nós próprios. Tem a desvantagem de trabalharmos muito e ganharmos pouco. Tem a vantagem de sermos criativos e de não estarmos limitados à visão de um patrão. Mas tudo tem um preço”.

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Ana Calapez Gomes chegou a ser jornalista em Lisboa, mas hoje gere um negócio em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Na edição deste ano, um dos negócios que chama mais à atenção é o de Manuela Trole, no âmbito dos projetos inseridos na Start Up Torres Novas. A “Horta d’Água” vende hortículas produzidos em hidroponia (água) e que são expostos com raíz. Uma ideia saudável que visa produzidor hortícolas mais nutritivos.

“O nosso sistema é a circulação de água”, explica brevemente Manuela Trole, tornando a produção mais eficiente a nível do consumo. Como a água resulta de um furo com captação profunda, são usados posteriormente nutrientes para compensar os que são perdidos nesse processo. Esta solução oferece equilíbrio às plantas e uma solução mais nutritiva ao consumidor final.

Manuela Trole vendia inicialmente a grandes superfícies, de forma tradicional, sem raíz, mas o seu objetivo é agora procurar consciencializar para a importância de conservar o produto por inteiro. Uma das vantagens, salienta, é a maior durabilidade dos hortículas, que apenas precisam de mudanças regulares de água. A hidroponia é de resto “mais saudável, mais sustentável” e oferece “mais segurança”, frisa.

Manuela Trole (esq.) era gestora e decidiu investir num negócio ligado à agricultura sustentável. Foto: mediotejo.net

A empreendedora era da área da gestão, mas quis mudar de vida. “Foi um apelo à terra”, explica, e um desafio a que se colocou. Ser empreendedor, refere, “é ser destemido, focado e acima de tudo persistente, para alcançar os seus objetivos”.

O seu projeto vem de 2012 e recebeu um apoio de 170 mil euros do Proder, adianta. No total investiu 400 mil euros no seu negócio, que inclui estufas para a produção em hidroponia.

Adriana Cruz, coordenadora do CLDS3G, explica que o objetivo da Feira do Empreendedorismo não é o ganho pessoal das instituições envolvidas na organização, mas a promoção e divulgação das ideias de negócio. “O ano passado tivemos o feedback de empresas que trocaram contactos e começaram a colaborar”, refere, “é isso que também queremos promover”.

A responsável não sabe indicar quantas pessoas acorreram à Feira em 2016, mas contabiliza cerca de 300 crianças e casa cheia num dos dias do evento. O projeto será assim para continuar.

Questionada sobre alguma repetição nas ideias de negócio, nomeadamente em termos de artesanto, Adriana Cruz admite que tal se verifica, mas há também ideias inovadoras. “Há um projeto de sutiãs adaptados a mulheres com cancro”, exemplifica, “vão surgindo” iniciativas diversificadas.

Hoje “há mais recursos disponíveis para dar o arranque. Não direi que seja fácil, mas a pessoa com garra tem alicerces. Mas tem que ser persistente”, argumenta. “Acredito que cada vez mais jovens adultos vão apostar no empreendedorismo”.

 

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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