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Torres Novas | Francisca Canais vence programa internacional de inovação

A “Nevaro”, uma startup que desenvolve soluções tecnológicas na área da saúde, venceu a quarta edição do programa internacional de inovação da Fosun e da Fidelidade, numa parceria com o Hospital da Luz e o banco alemão Hauck & Aufhäuser. A torrejana Francisca Canais, 24 anos, é uma das mentoras deste projeto, que nasceu no seio do seu mestrado em Engenharia Biomédica. A empresa vai receber 10 mil euros pelo pelo seu trabalho no combate à ansiedade com recurso a gamificação e biofeedback, obtendo também a oportunidade de viajar até à China para falar com investidores do grupo Fosun.

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A ideia surgiu na cadeira de Neurociências do seu mestrado, explica Francisca Canais, ao mediotejo.net.”Fomos desafiados a fazer um projeto que juntasse neurociências com algum objetivo prático”, recorda. Estudante na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Francisca Canais desenvolveu o projeto com a colega Rita Maçorano e coordenação de Hugo Ferreira, professor do departamento de Física e investigador do Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica. “O coordenador do curso juntou-se a nós, viu muito potencial”, explicou a torrejana, salientando que o professor é “um empreendedor nato”, tendo já outras empresas.

Francisca acabou por fazer a sua tese de mestrado em torno da ideia e o grupo, entretanto, constituiu a empresa. “Nós realizamos soluções digitais para tratamento da ansiedade ou melhoramento da performance”, procura explicar. “Consiste na aquisição de sinais fisiológicos das pessoas – como sinais cerebrais ou batimentos cardíacos – e na tradução desses sinais fisiológicos para critérios que possam dar alguma métrica sobre a ansiedade ou performance da pessoa”, continua.

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Para o programa internacional de inovação da Fosun e da Fidelidade, a equipa apresentou um piloto com o Hospital da Luz. “Aplicámos o conceito a formações de equipas médicas. Adquirimos estes sinais fisiológicos dos médicos, enquanto realizavam operações de suporte básico de vida, entre outros, e conseguimos dar métricas específicas” da performance dos clínicos ao desempenhar estas tarefas, adianta.

“O nosso objetivo é integrar este modelo no Hospital da Luz, em unidades como urgências e cuidados ambulatórios, em que seja importante medir a ansiedade e como os médicos reagem em situações de alto stress, ajudando assim a melhorar a decisão”, sintetiza.

Francisca Canais (ao centro) vence programa internacional de inovação. Foto: DR

Este programa internacional, que visa “acelerar” startups, teve inicialmente 400 candidatos, de 53 países diferentes, adianta a empreendedora. O número foi reduzido a 20 na fase do bootcamp.

“O programa Protechting 4.0, desenvolvido pela Beta-i – uma empresa líder em inovação e empreendedorismo a nível europeu -, teve início em novembro de 2019, com um bootcamp em que delineámos um teste piloto da nossa solução com o parceiro escolhido (no nosso caso, o Hospital da Luz/Grupo Luz Saúde). No último dia do bootcamp apresentámos a nossa proposta de piloto, que foi então aceite e selecionada para avançar”, recorda.

“O piloto desenrolou-se então nos meses seguintes, até à data, no Hospital da Luz, em Lisboa. No passado dia 5 de Junho de 2020 aconteceu o Demo-Day, o evento final do programa (em modo virtual), sendo que as nove startups finalistas apresentaram os resultados dos pilotos e os seus próximos passos. Nós consagrámos-nos então como os vencedores, ganhando um prémio monetário e uma viagem à China (a acontecer assim que for possível, devido à pandemia, com o objetivo de tentarmos obter investimento para a empresa, de investidores do grupo Fosun, ao qual pertence o Grupo Luz Saúde)”, acrescenta.

“Muita satisfeita”, Francisca Canais está neste momento a trabalhar a full-time na empresa que ajudou a criar. “Formámos a empresa e estamos agora a dar passos para entrar no mercado, desenvolvimento do produto, procura de investimento”, refere. A equipa começa agora a ampliar o espectro de abordagem para outras doenças mentais, como a depressão.

“De momento estamos a desenvolver uma aplicação para tratamento e gestão da saúde mental, virada mesmo para o consumidor”, adianta. Os distúrbios mentais são um estigma e nem sempre aqueles que os sofrem procuram ajuda médica. “O nosso objetivo é fornecer uma ferramenta, um app, que tem vários métodos, desenvolvidos por nós com psicólogos e psicoterapeutas certificados, em que fazemos uma digitalização dessas técnicas, utilizando gamificação e os tais sinais fisiológicos”, refere.

Nevaro, a empresa de Francisca Canais, propõe soluções digitais para apoio de distúrbios mentais, como a ansiedade Foto: D.R.

“Na Nevaro estamos a desenvolver soluções digitais para tratamento e gestão da saúde mental, aliando o nosso background científico (adquirido na licenciatura e mestrado em Engenharia Biomédica) à nossa paixão por inovação e tecnologia, com o objetivo de criar soluções que tenham um impacto positivo na vida das pessoas”, conclui.

Para além da Nevaro, este programa internacional premiou as startups Skylab e a Alfredo, por estarem a desenvolver soluções tecnológicas para melhorar a proteção das pessoas em áreas estratégicas, como saúde e seguros.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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