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Torres Novas | Familiares denunciam uma terceira morte suspeita no lar ilegal de Riachos

O mediotejo.net apurou que há pelo menos mais uma denúncia grave relativa à casa de acolhimento ilegal encerrada esta semana após a morte de duas idosas: um óbito ocorrido no final do ano passado e agora comunicado às autoridades policiais. As duas mulheres sobreviventes foram hoje transferidas para um lar em Alcanena e a responsável pelo lar ilegal pode vir a ser acusada por maus tratos, homicídio por negligência e ocultação de cadáver.

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O Instituto de Segurança Social fez esta quinta-feira, 4 de março, uma inspeção ao apartamento onde se encontrava a funcionar uma casa de acolhimento não regularizada nas imediações do bairro da Sópovo, em Riachos, e que tinha a seu caro quatro idosas. Foi ordenado o seu encerramento imediato, estando a a Polícia Judiciária a investigar as circunstâncias da morte das duas utentes (uma encontrada com sinais de ter falecido há mais tempo), e que desencadearam esta operação. A responsável pelo lar ilegal pode vir a ser acusada por maus tratos a idosos e dependentes, homicídio por negligência e ocultação de cadáver.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, confirmou ao mediotejo.net que as duas idosas sobreviventes tiveram alta do Hospital de Torres Novas, onde foram internadas com sinais de subnutrição após a intervenção das autoridades, e estão bem de saúde. Esta sexta-feira, 5 de março, foram transferidas para o Centro de Bem Estar Social de Alcanena.

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O mediotejo.net apurou entretanto que o desmantelamento deste lar ilegal fez desencadear denúncias de casos com contornos similares. À junta de Riachos chegou pelo menos a informação sobre uma outra morte, que o presidente, José Júlio, apelou a que fosse comunicada diretamente às autoridades policiais – o que, confirmou o nosso jornal, aconteceu esta sexta-feira. É mais um desenvolvimento a deixar os moradores daquela freguesia de coração apertado, longe de imaginarem o que se passaria na casa em questão.

“Se fosse nas casas do bairro Sópovo, no interior da comunidade, tínhamos dado pela situação”, referiu José Júlio ao mediotejo.net, explicando a surpresa de todos no bairro pela existência há vários meses desta casa de acolhimento ilegal – desde junho de 2020, pelo que apurou o nosso jornal. Mas o apartamento situava-se ao fundo da rua, já fora dos limites do bairro, perto da antiga sede da cooperativa (que foi a hasta pública mas não teve comprador e continua devoluta). A proprietária também não é de Riachos, adiantou o presidente, que tem notado junto da população receio em falar sobre a pessoa em causa.

Nenhum dos órgãos autárquicos tinha conhecimento do espaço. “Antes da pandemia sabíamos de muitas casas” de acolhimento, admitiu José Júlio, mas com os confinamentos e a crise sanitária perdeu-se o rasto à situação, sendo que muitas fecharam. Atualmente, adiantou, a Segurança Social tem sinalizadas uma dezena de casas de acolhimento não regularizadas só nesta freguesia.

Segundo informações recolhidas pelo nosso jornal, a responsável por esta estrutura em Riachos alugou o apartamento em questão em junho de 2020, depois do lar (também ilegal) onde trabalhava ter sido encerrado, na sequência de vários casos de covid-19 entre os idosos. Ficou com boas referências entre os familiares desse primeiro local, o que lhe valeu contactos para acolher algumas pessoas numa nova casa. Cobrava 600 euros por mês, a que acresciam as despesas com fraldas e medicação. A pandemia terá servido para conseguir manter à distância os familiares, a quem estavam vedadas as visitas.

De recordar que na terça-feira, dia 2, a GNR encontrou uma idosa de 90 anos, com sinais de já estar morta há algum tempo, na sequência da denúncia de familiares da senhora, queixando-se de que não conseguiam entrar na casa. No dia seguinte uma nova morte, de uma mulher de 92 anos, fez disparar os alertas, levando à inspeção e encerramento do espaço.

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Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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