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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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Trincanela

Torres Novas | Fabiana, a campeã nacional que quer defender o país do terrorismo

Sorriso encantador, olhar tímido, ambição para chegar ao topo! Fabiana Sousa tem 15 anos e sagrou-se em 2015 campeã nacional de atletismo dos 3 mil metros em pista coberta (juvenil), tendo alcançado a melhor marca do ano na modalidade (10′ 05″). Atleta do Núcleo Sportinguista de Torres Novas, foi a primeira torrejana a trazer este título para o município. Envergonhada, admite que pensa seguir para a Escola Prática de Polícia. “As pessoas estão cada vez mais inseguras com isto dos atentados e é necessário defender este país”, comenta.  Fabiana Sousa, do Núcleo do Sporting Clube de Portugal Torres Novas – atletismo, venceu a categoria feminina dos 15 aos 18 anos. Com um total de sete prémios arrecadados, o Clube de Natação de Torres Novas, que inclui uma equipa de triatlo, destacou-se na 1ª Gala do Desporto promovida pelo município na sexta-feira, 5 de maio. O mediotejo.net recupera uma reportagem com a atleta Fabiana Sousa, efetuada em fevereiro de 2016, e onde a campeã nacional afirmava querer defender o país do terrorismo.

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A entrevista decorre no Estádio Municipal de Torres Novas, depois de vários dias de chuva.  Fabiana lembra que começou a correr no Desporto Escolar quando frequentava a Escola Básica Manuel de Figueiredo. Passou pela União Desportiva da Zona Alta e está há cerca de um ano no Núcleo Sportinguista. O objetivo passa por subir ainda mais alto, talvez no Benfica, até conseguir chegar aos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão.

Até lá terá que continuar a correr, a vencer provas e a ultrapassar os seus limites, conjugando sempre os estudos com a atividade desportiva. Confessa que não é fácil, tem que estudar durante a hora do almoço e rever rapidamente a matéria antes dos treinos, às 18h30 no Estádio Municipal.

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Depois enfrenta ainda as condições do Estádio, que não possui um tartan (tapete específico para fazer corrida) e no inverno, como o mediotejo.net constatou, fica atolado em lama e poças de água. Fabiana explica o problema em termos competitivos: “nas séries, por exemplo, o estado do campo dificulta os tempos e temos que mudar de pista”.

As dificuldades de treino não a impediram de ultrapassar uma competição feroz na prova nacional, que se realizou a 31 de janeiro em Pombal. “Nos últimos 100 metros arranquei e ganhei”, recorda com satisfação, comentando que tinha ficado em 2º lugar na prova inicial para obter os mínimos de participação. “Foi ir à luta”, afirma, reconhecendo porém que não estava à espera de obter esta prestação.

Se chegar a ir ao Japão para os Jogos Olímpicos, sabe que encontrará outras condições –  bem diferentes das de Torres Novas – como uma pista de 400 metros ao ar livre. Mas não desanima, afirma que em qualquer clube é possível chegar ao topo. O atletismo é um desporto individual, compara em relação a outros desportos de equipas, “se falhamos somos os únicos responsáveis”. Para já tem o apoio dos pais, vai enfrentando novos desafios todas as semanas (participa em breve no corta-mato de Vila Nova de Famalicão) e admite que já sente a competição entre os colegas da mesma idade. “O objetivo é os Jogos Olímpicos. É um sonho. Espero encontrar um grande futuro”.

Força de vontade, espírito de sacrifício, “aguentar chuva e sol, porque para ter resultados é assim”, sublinha. Fabiana Sousa pertence a Carvalhal da Aroeira, freguesia de São Pedro, e estuda atualmente na Escola Secundária Maria Lamas. Termina referindo que a competição dá responsabilidade e faz os jovens crescer. Quer ser polícia, admite, para defender o país daqueles que o ameaçam.

Um problema com 60 anos

Após um temporal, pista ficou impróprio
Após um temporal, pista ficou imprópria para a prática desportiva

Fabiana Sousa não se alonga nas condições da pista, mas para o diretor do Núcleo Sportinguista e da Secção de Atletismo de Torres Novas, Raúl Santos, este é um problema com mais de meia século que cria constrangimentos ao crescimento competitivo dos atletas. “As pessoas assumem e não cumprem”, acusa, lembrando que a pista possui estas condições desde que foi inaugurada, no final dos anos 60, e nunca foi alterada. Em dia de chuva, quando o campo e o percurso de corrida estão cheios de poças de água, os jovens têm que procurar alternativas, por vezes treinam na estrada. “Correm alguns riscos”, admite, apesar de nunca ter havido problemas.

O tartan de atletismo é a grande necessidade, de forma a que se preservem as condições para a prática do desporto independentemente do estado do tempo. “Resolvia os problemas todos e podiam-se realizar competições nacionais”, salienta, vendo as potencialidades na localização e recursos de Torres Novas. “Estamos na região centro, temos restaurantes, hotéis, há todas as condições para potencializar”.

Existe um projeto, que ronda os 200 mil euros, mas incluía várias remodelações no Estádio Municipal. Raúl Santos sublinha apenas a importância do tartan. Mas “quem está à frente tem outros objetivos”, lamenta.

O Núcleo Sportinguista de Torres Novas tem cerca de 60 atletas, entre os 8 e os 70 anos. Realizam provas a nível nacional e distrital, participando ainda em algumas de âmbito popular.

*Entrevista publicada em fevereiro de 2016

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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