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Torres Novas | Eurico Dias, o mais jovem membro da Academia Portuguesa da História

Historiador e professor universitário, Eurico Dias nasceu em Torres Novas há 44 anos, tendo sido o mais jovem membro a entrar para a Academia Portuguesa da História. Grande crítico do Processo de Bolonha, defende que “a chave para o futuro é a Educação, mas com alicerces sólidos”. Afirma-se um homem do mundo e ambiciona lecionar nos países lusófonos. Autor e coordenador de diversas obras sobre a imprensa no período da Restauração, recebeu o mediotejo.net na sua casa em Meia Via, de onde presentemente observa a vida e, sobretudo, lê muito. Mas está de passagem – confessa necessitar do bulício da cidade.

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Eurico Dias passa tem passado parte do tempo destes dias de confinamento a reler todas as obras de Alberto Manguel, célebre bibliófilo argentino que se dedica à História do Livro e que se mudou para Lisboa, tendo oferecido a sua biblioteca à cidade. Interessa-lhe perceber melhor o que prende a atenção dos leitores, “sempre ávidos por novas experiências e sensações”.

O historiador torrejano é um acérrimo defensor dos livros e do papel, como nos contará mais à frente. Licenciou-se em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Santarém, mas uma má experiência naquela cidade levou-o a desistir da tentativa de ser jornalista. Sendo certo que um jornalista é também um historiador, na medida em que regista acontecimentos e factos, Eurico decidiu apostar naquilo que sempre lhe encheu a alma: a História.

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“Sempre tive presente em mim essa veia de historiador, essa paixão pela História. A Comunicação aparece como um acaso académico, mas anos mais tarde acaba por ser uma área fundamental na própria construção histórica ou historiográfica. As práticas e os ensinamentos comunicacionais ou jornalísticos são muito úteis à própria divulgação histórica”, começa por dizer ao mediotejo.net.

Digamos que a História e a Comunicação, “que durante muito tempo foram irmãs, conceptualmente separadas, hoje estão cada vez mais unidas e são indissociáveis uma da outra”, diz.

O historiador Eurico Dias na sua casa no concelho de Torres Novas. Créditos: mediotejo.net

A comprovação desta ideia esteve na base do primeiro trabalho que publicou, há mais de uma década, no livro “Gazetas da Restauração”. Era compilado e interpretado pelo historiador, numa edição académica, o primeiro jornal português – existente no período de 1641 a 1647, embora Eurico Dias defenda nessa obra que o mesmo se estende até 1648. Anos mais tarde publicou outra obra, esta “muito mais volumosa” sobre o segundo jornal nacional, “O Mercúrio Português”, de 1663 a 1667.

“Ambos correspondem ao ciclo da Restauração Portuguesa”, o seu período preferido da História nacional. “Foram os primeiros jornais numa época decisiva da nossa História; a Restauração de 1640. A nova dinastia de Bragança para se legitimar percebeu rapidamente que tinha de chegar a um público leitor que, a pouco e pouco, vai crescendo também para divulgar a sua causa, que era nacional, independentista. Tanto um como o outro são o prenúncio do nosso Diário da República, são os bisavós, os antepassados longínquos da imprensa periódica oficial. Fontes indispensáveis para a história do jornalismo português”, considera.

Nascido em Torres Novas há 44 anos, Eurico é mestre em História Medieval e do Renascimento pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a dissertação “A construção da História Medieval na imprensa periódica portuguesa de Oitocentos”, trabalho galardoado com uma Menção Honrosa no Prémio Grémio Literário em 2012.

Na Universidade do Porto também defendeu o doutoramento, sendo o mais jovem doutor da sua faculdade, e o pós-Doutoramento. Naquela instituição realizou ainda provas de agregação em História, abrindo carreira de professor catedrático, sendo também o candidato mais novo na agregação.

Atualmente é professor no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa, sendo investigador integrado do Centro de Investigação do mesmo instituto, e membro da Academia Portuguesa da História e do Instituto Historiográfico e Geográfico do Maranhão, Brasil.

O historiador Eurico Gomes Dias é professor no ISCPSI. Créditos. DR

Um historiador “interdisciplinar”

Apesar de ser um torrejano “de gema”, portanto natural do Médio Tejo, cenário de importantes acontecimentos históricos portugueses como as invasões francesas ou a passagem dos cavaleiros da Ordem do Templo, nos seus trabalhos académicos dificilmente encontramos dedicação à história local. “Enquanto promoção da nossa terra nunca tive esse apoio nem nunca tive esse desejo”, justifica.

Eurico Dias define-se como um historiador de “ampla visão” e “interdisciplinar”. Explica que “todos os historiadores tendem para uma hiperespecialização num assunto histórico ou historiográfico”, no seu caso fala numa “interdisciplinariedade” dentro da História, porque conseguiu unir a História com a Comunicação.

Além de que tem diversos interesses, alguns “profundos”, nomeadamente “pela História Militar portuguesa e pela a História Diplomática. Sente-se “um historiador puro”, no sentido que consegue “olhar para a história global”.

Outro gosto que adquiriu, até por força da ligação ao Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna onde leciona há dez anos, passa pela história e historiografia policial em Portugal.

“A História da Polícia foi um assunto, durante muito tempo, esquecido pelos historiadores ou uma amnésia um pouco forçada. Mas é extremamente rica no contexto português. Podemos procurar a Polícia como uma das primeiras instituições do Estado e que o sustentam. Sem forças de segurança ou forças armadas não é Estado”, observa.

Desde os primórdios na nacionalidade portuguesa “para nos constituirmos como país independente tivemos forças de segurança que se mesclavam um pouco com os militares”, refere. Quando partimos para os Descobrimentos “não deixamos de fazer policiamento das nossas costas. Então a pirataria era um mal endémico de segurança interna e externa. A ideia de segurança é algo muito fascinante, mas há muitas lacunas documentais e obras de referência”, nota.

A volatilidade do virtual e a defesa da prova em papel

Em resumo, um historiador investiga e procura informação, compila a dita e tenta editá-la. “É cada vez mais difícil”, lamenta. Não por escassez de mercado livreiro, porque “há uma multiplicidade de editoras e de lançamento de obras, mas o número de tiragens, o preço dos livros, o interesse da população de estudo pelo livro é cada vez menor, porque as novas tecnologias impuseram os PDF, os livros em formato digital. Portanto, é muito raro vermos, até pelo preço das próprias obras, um estudante de licenciatura a formar uma biblioteca sua”.

A dada altura do seu percurso académico dedicou-se a estudar Alexandre Herculano, que considera “o nosso grande historiador do século XIX e, ainda hoje, o nosso maior historiador”.

Alexandre Herculano, antes de ser historiador foi jornalista, “uma faceta pouco conhecida”, nota. “Ao ser jornalista foi simultaneamente um grande divulgador da História de Portugal mas já na perspetiva puramente cientifica. O homem que pensa sobretudo na divulgação da nossa História” e que mais tarde se dedicou, na literatura, ao romance histórico.

Para Eurico Dias “a literatura, o jornalismo e a história são três vértices do mesmo triângulo que Alexandre Herculano implementa. Um jornalista será sempre um historiador do tempo presente”.

Contudo, se a História permanece em construção, assistimos a profundas mudanças intensificadas pelas plataformas digitais no que concerne à prova documental, basicamente em papel até ao inicio do século XXI.

Sobre o jornalismo do tempo presente Eurico Dias teme que as novas tecnologias se apresentem demasiado “voláteis” e “virtuais” no que toca ao registo da História. “Daqui a 100 anos se alguém se lembrar de nós e quiser estudar o que aconteceu neste dia, duvido que as hiperligações eletrónicas funcionem, mas esperemos que exista algum acervo documental”.

Por isso, Eurico Dias é defensor do papel, quer no que diz respeito aos livros quer aos jornais. “Tem um carácter probatório imprescindível porque pode haver um servidor que arda, um CD que se destrua, embora saibamos que o papel também é um material perecível, mas na verdade basta olhar para um espaço de 30 anos desde uma simples disquete que já ninguém se lembra dela, ou um CD que já ninguém usa, o DVD também não. De alguma forma, o papel continua imprescindível”.

Conta uma curiosidade: “Quase nenhum aluno universitário tem uma impressora em casa porque todos se habituaram a ler em plataformas digitais e grande parte deles não sabe consultar um livro. Há uma grande dificuldade, por exemplo numa recensão critica de uma bibliografia […] Tudo o que seja material eletrónico é efémero, tudo que é virtual se dissolve no ar. Sem provas não se faz História que é eminentemente documental”.

O historiador torrejano Eurico Gomes Dias, na Academia Portuguesa da História. Créditos: DR

O académico da Academia Portuguesa da História e da Tubuciana de Abrantes

Eurico Dias entrou para a Academia Portuguesa da História em 2017. Tinha 40 anos, sendo então “o académico mais jovem da Academia. Julgo que ainda o seja”, diz.

Afirma ter sido, até ao momento, a sua maior honra académica. “Desde que investigo História tive contacto com bibliografia de grandes autores ligados à Academia Portuguesa da História. Ambicionava um dia pertencer à Academia, talvez no final de carreira… nunca pensei entrar tão novo, perante a idade média dos ilustres académicos, muito perto dos 100 anos”, confessa.

Herdeira da Academia Real da História Portuguesa, instituição fundada por D. João V em 1720, desenvolveu intensa atividade cultural e hoje, com os seus 300 anos, abre as portas a jovens investigadores com o grande propósito da divulgação da História Nacional.

“A Academia Portuguesa da História é já uma refundação dos tempos do Estado Novo, em 1936, mas cuja linha conceptual vem de 1720. É sobretudo o cultivo da História Pátria”, explica.

Recentemente, “por mero acaso”, foi nomeado académico pela Academia Tubuciana de Abrantes, que tem as suas tradições desde o início do século XIX. Eurico Dias mostrou interesse em conhecer a Academia de Abrantes e “desde o primeiro momento, tive a maior recetividade pela direção e pelos académicos”.

Recorda que no seu estudo sobre academias, dedicando-se inclusivamente aos primórdios da Academia das Ciências, pode compreender que “congregava colaborações com as academias locais, várias, um pouco por todo País. A maioria perdeu-se na história. As principais mantiveram-se muito por força dos seus académicos mas também porque eram apoiadas diretamente pelo Estado”.

Segundo o historiador, “esta refundação é extremamente salutar e a Academia Tubuciana de Abrantes é um daqueles ilustres exemplos das velhas academias locais, onde há o cultivo da história local”.

Eurico Dias durante o discurso na imposição do colar e ingresso como académico da Academia Portuguesa da História a 11 Outubro 2017. Créditos: DR

Um vida entre os livros, prémios e artigos científicos e literários

Além de ser autor de numerosos artigos científicos e literários, escreveu dez grandes obras, tem na calha outras para serem publicadas e um pequeno livro de contos. Conta lançar em 2021 o percursor desse livro, retomando o seu gosto por uma literatura mais “iniciática”. E algumas obras comemorativas e de referência da Academia Militar, nomeadamente sobre a rainha Dona Catarina de Bragança.

“O Palácio da Bemposta, sede da Academia Militar, foi mandado construir por Dona Catarina, simultaneamente rainha de Portugal e de Inglaterra, muito conhecida por se atribuir a ela a tradição do chá”.

Uma verdade incontestada, “embora o chá fosse já um produto muito conhecido dos comerciantes ingleses, a implementação do famoso chá das cinco é lhe atribuída”, assim como a popularização de outros gostos gastronómicos, como a marmelada. “E alguns detalhes de etiqueta da corte londrina… Nessa época os ingleses eram um povo um bocadinho lapso de requinte”, graceja.

Entre outros livros, destaca uma obra a duas mãos com o historiador Vitorino Magalhães Godinho “uma antologia de Alexandre Herculano enquanto cidadão”. Foi “uma honra”, considera, ser escolhido por Magalhães Godinho, para assinar essa obra em conjunto, pois ele é “o decano de várias gerações de historiadores”.

Recentemente publicou “Os jornais oficiais em Portugal e no Mundo”, que liga novamente a História à Comunicação, uma obra do Centro de Estudos de População, Economia e Sociedade, no Porto, do qual Eurico Dias é investigador, que mostra, mais uma vez, a relevância do jornal enquanto fonte histórica.

“Desde o nosso primeiro jornal houve uma troca de informações entre os nossos órgãos periódicos com outros órgãos espalhados por toda a Europa e depois por todo o Mundo ocidental. E mais tarde, com a globalização, com o Extremo Oriente, Américas, com África”.

Um dos vários livros da autoria do historiador Eurico Dias. Créditos. mediotejo.net

Presentemente, o historiador torrejano trabalha em vários projetos em simultâneo. Dá conta de ter em mãos “debater uma instituição fundamental na afirmação policial portuguesa que foi a Intendência Geral da Polícia da Corte e do Reino, entre 1760 e 1833″, antepassada da Polícia de Segurança Pública. “Uma criação pombalina mas fundamental na afirmação do Estado de Direito, obviamente com uma matriz absolutista”.

A viver em Meia Via na casa de família, onde nos recebeu numa sala onde abundam os livros e as coleções de minifiguras, da cavalaria à marinha portuguesa, Eurico Dias já residiu em várias cidades e guarda na bagagem muitas deslocações ao estrangeiro para conferências, cursos ou palestras.

Contudo, apesar de gostar de viver no campo, não espera fixar raízes no Médio Tejo. Defende ser essencial para um historiador o “bulício da cidade”, embora reconheça que no momento da escrita aprecia a tranquilidade campestre, tal como a tranquilidade das bibliotecas.

Nota que “a esmagadora maioria dos professores universitários não gosta de investigação e a maior parte dos investigadores universitários não gosta da docência. Eu sou um produto híbrido; não vivo sem a investigação mas também não vivo sem a sua divulgação perante os alunos”. Daí a necessidade da permanente movimentação que, nos tempos que correm, parece uma impossibilidade.

A infância em Meia Via

Cresceu na aldeia de Meia Via, onde fez a instrução primária e depois passou a estudar, não na sede de concelho como a maioria dos alunos, mas no Entroncamento. “Não haviam transportes, tinha de me deslocar a pé ou de bicicleta. Desde os 10 anos que sinto que estou dentro mas simultaneamente fora da aldeia”, onde permanecem os amigos de infância, com quem mantém relações sociais e afetivas.

Declara ter “amor à terra” mas sente-se “um cidadão do mundo”. Um historiador precisa de viajar”, assegura, embora sublinhando, a propósito da pandemia, que “os historiadores estão habituados a estar confinados”. Ainda assim, “a melhor parte das bibliotecas é quando saímos delas… Há outra vida além da investigação!”.

Como entretenimento, aprecia música e revela-se frequentador assíduo de concertos, de festivais e de outras atividades culturais.

Ao mencionar a atual pandemia de covid-19 teme que Portugal “sofra consequências ao nível de uma verdadeira guerra, em termos bélicos. Estamos a sofrer baixas como se fosse uma guerra e vamos sofrer ondas de choque terríveis”.

Quanto ao futuro, opina que a chave passa pela educação, “mas com alicerces sólidos, principalmente na instrução primária, muitíssimo descurada no nosso país”.

No que toca à empregabilidade de um historiador em Portugal, reconhece ser uma dificuldade. “Temos a geração mais bem preparada de sempre, em qualquer domínio cientifico, mas está desfasada das possibilidades e oportunidades que a sociedade portuguesa pode oferecer”.

Eurico Dias conta que sempre foi bolseiro de investigação, inclusivamente no doutoramento e pós-doutoramento, mas “até ao dia de hoje nunca ninguém me perguntou pelos resultados finais dessa investigação”, critica. E aponta o dedo aos decisores políticos. “É um erro crasso, estratégico do nosso País apostar em investigação avançada, quando quase todos os seus melhores quadros são obrigados a emigrar para outro país. Este é um problema que atravessa qualquer classe profissional”, lamenta.

No caso da História, “é difícil chegar ao estatuto de historiador”, explica. “É preciso muita perseverança, muita abnegação, muita dedicação, vencer muitas barreiras burocráticas para sermos uma referência futura”.

Clientelas partidárias, familiares e ligações obscuras nas universidades e politécnicos

Conta que toda a vida enfrentou dificuldades de empregabilidade, apesar da sua formação altamente avançada, direcionada para a docência universitária. “É complicado ingressar no meio académico, seja a nível dos politécnicos, seja a nível das escolas universitárias. Sobretudo porque são meios hermeticamente fechados e quase todos – para não dizer todos – vivem ao sabor das suas clientelas partidárias, familiares e outras ligações mais obscuras”, acusa.

Eurico Dias acredita que se fosse realizada “uma análise profunda aos sistemas universitário e politécnico português veríamos facilmente que ainda hoje grassam nas nossas instituições locais, regionais e nacionais verdadeiras aberrações da natureza sobretudo ao nível de professores que exercem, muitos deles com fracas habilitações ou que nunca escreveram sequer um único artigo científico em toda a sua vida”.

Uma realidade necessária até ao nível da regionalização de Portugal que, diz, falha na projeção da ciência. “Sou conhecedor porque já fui professor do ensino politécnico e não tenho saudades nenhumas. Contudo o sistema universitário não é melhor. Sinto-me, apesar de tudo, ainda desaproveitado. Um mal do qual padecem muitos investigadores e professores deste País”.

O desastroso Processo de Bolonha

Como professor manifesta-se um fervoroso critico do Processo de Bolonha. “A sua implementação foi desastrosa a todos os níveis. Vai ser um erro histórico crasso. Um fracasso em toda a linha, só que não há coragem política de assumir que não resulta em Portugal”.

Defende um tempo letivo de aulas amplamente dilatado. “Não podemos continuar a ter férias com os alunos em casa três, quatro, cinco meses… há imensos períodos letivos sem aulas”.

Recorda que no tempo pré-Bolonha uma licenciatura tinha cinco anos e um mestrado entre dois a quatro anos. Eurico Dias não consegue conceber que “um aluno com meia dúzia de semanas de aulas seja mestre […] hoje em dia um aluno tira um curso superior com muita facilidade, seja em que área for. Três anos para uma licenciatura é manifestamente pouco e o mercado de trabalho está sobrecarregado de jovens altamente qualificados mas sem qualquer experiência laboral”.

Garante que a meritocracia em Portugal é uma miragem. “Salvo honrosas exceções, quem não tiver a vulgar cunha não vinga no mundo de trabalho. Sabemos que um qualquer concurso público à partida está viciado. Não há fé no sistema institucional”, critica, sublinhando a sua “ampla experiência pessoal”.

Lamenta não ter qualquer apoio da sua terra: “Nem promoção da minha pessoa, nem convites para palestras, cursos, fosse para o que fosse. Nunca tive qualquer apoio editorial. Até ao dia de hoje sou um mero estrangeirado na minha própria terra”, afirma tecendo duras criticas e considerações à atividade cultural de Torres Novas.

Com os olhos postos no futuro, Eurico Dias manifesta vontade de dar aulas no estrangeiro, essencialmente nos países lusófonos. “Tive esse convite em 2020, e que está de pé, para o Brasil”.

Sobretudo ambiciona experienciar “outras realidades internacionais”. A casa paterna na aldeia ali permanecerá, guardiã das suas memórias de infância. Agora é tempo de escrever outros capítulos da sua história.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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