Torres Novas | Entrevista com André Ventura no jantar que juntou 350 apoiantes depois da manifestação polémica em Lisboa (c/vídeo)

Chegado de Lisboa, André Ventura considerou a manifestação do dia um sucesso, apesar de todas as polémicas. À esquerda, a presidente da distrital de Santarém, Manuela Estevão Créditos: mediotejo.net

Depois da polémica que marcou a manifestação “Portugal não é Racista”, este sábado em Lisboa – a fotografia de André Ventura fazendo uma “saudação nazi” – o jantar da distrital de Santarém do CHEGA juntou cerca de 350 pessoas na Quinta das Carrascosas, em Alcorriol, Torres Novas, a partir do fim da tarde. O evento constituiu um dos primeiros passos na corrida às eleições presidenciais e às eleições autárquicas de 2021, com um programa noturno dedicado ao património imaterial e tradições, nomeadamente o fado e o fandango. O candidato eleitoral e presidente do CHEGA, André Ventura, é o homem em torno do qual conflui o entusiasmo dos que apoiam o partido mais polémico do atual cenário político.

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O mediotejo.net foi o único órgão de comunicação social presente no evento em Torres Novas, realizando uma curta entrevista em exclusivo a André Ventura.

Entrevista com André Ventura, em Torres Novas, onde o líder do Chega participou num jantar com apoiantes.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 27 de junho de 2020

Mediotejo.net: Chegado de um dia muito agitado em Lisboa, que mensagem vem trazer a Torres Novas?

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André Ventura: De facto um dia mais intenso hoje, com uma grande manifestação, que foi um sucesso, em Lisboa, e nós estamos muito orgulhosos do que conseguimos hoje.

Decidimos fazer em Torres Novas este jantar por duas razões. Primeiro, porque ainda não tínhamos vindo aqui em campanha e eu queria dar esta mensagem. Sabemos que temos muito apoio aqui na zona, não só no distrito de Santarém, mas nesta zona específica. Tem sido uma das zonas grandemente afetadas pela crise, com muitos empresários com muitas dificuldades. Há aqui uma grande carga de iniciativa privada. Hoje estamos aqui a dizer que não vos esquecemos. Não esquecemos esses milhares de empresários a quem foi prometida ajuda – e essa ajuda nunca chegou – e que agora estão a braços com uma possível segunda vaga de pandemia, com milhares de empregos em risco, com milhões de euros de investimento em risco. Estamos aqui a dizer que continuamos a trabalhar para arranjar uma solução e seremos a sua voz no parlamento.

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O CHEGA é um partido em forte crescimento nas sondagens. Tem conseguido conquistar apoiantes no distrito? Qual a sua perceção? 

A minha perceção é que é um dos distritos onde nós mais temos crescido. O que se compreende. Primeiro, o povo de Santarém é um povo naturalmente ligado à criatividade, à livre iniciativa, à autonomia, à liberdade, todo isso valores que o CHEGA encarna muito bem. Desde o início, desde a fundação da CHEGA, antes até de todo este crescimento mediático, Santarém já era dos distritos onde nós mais crescíamos. Claro que isso agora acelerou muito, se sedimentou muito, e eu sinto essa responsabilidade que é devolver um bocadinho a Santarém o que Santarém me deu. O distrito de Santarém permitiu que o CHEGA se tornasse um dos maiores partidos do país.

Nas autárquicas do próximo ano vamos ter já aqui uma fortíssima aposta. Hoje é apenas o primeiro passo. É um passo presidencial, para as presidenciais de janeiro, mas estou convencido que não só vamos ter um grande resultado nas presidenciais como vamos ter excelentes resultados autárquicos, porque temos aqui uma excelente equipa liderada pela Manuela Estevão.

Como estamos de autárquicas? Já há cabeças de lista ou está tudo estagnado devido à pandemia?

Não. Temos o processo todo a andar. Não quero avançar já com nomes por razões de delicadeza e de respeito pela distrital do partido. Quero que sejam eles a anunciar esses nomes. Estamos a trabalhar para ir a todas as Câmaras Municipais, à grande maioria das freguesias, e Santarém certamente será uma dessas grandes apostas.

Ao contrário do que aconteceu com partidos da nossa dimensão no passado, o CHEGA vai ter uma fortíssima implantação autárquica, porque nós respondemos aos anseios locais das pessoas. Preocupa-nos a política local. Queremos ter implantação local. A minha forma de fazer política é ir aos sítios, ouvir os problemas das pessoas e ser a sua voz no parlamento nacional. Estou certo que também aqui, nas eleições autárquicas, Santarém nos dará uma grande vitória e hoje se calhar é o primeiro passo para isso.

Quanto às eleições presidenciais, sente-se capaz de vencer Marcelo Rebelo de Sousa aqui no distrito de Santarém?

É uma luta muito difícil. Como é sabido Marcelo Rebelo de Sousa tem um forte apoio aqui no distrito de Santarém. Mas eu acredito que ainda estamos a algum tempo das eleições. Como se viu nas últimas sondagens eu estou em segundo lugar, apesar da distância considerável, mas Marcelo é o presidente em exercício, tem sempre uma enorme vantagem prévia.

Acho que quando os debates começarem, quando o confronto de ideias começar, quando o povo de Santarém olhar para as propostas de um lado e do outro, vai perceber que há um lado que é do seguidismo, que é de manter o conformismo com o governo, e há outro que vai ser de exigir mais ao governo e de exigir medidas, como acontece em Santarém, para aqueles que investem, para aqueles que trabalham, para aqueles que se esforçam, para as famílias e para as empresas.

Estou convencido que vai ser uma batalha difícil aqui em Santarém, mas vou ter um grande resultado. Ou vencendo ou ficando muito perto do Marcelo Rebelo de Sousa, aqui.

Já disse que o dia de hoje foi um sucesso. Esta temática do racismo ficou sanada ou vai continuar a acompanhá-lo?

Nós hoje fizemos uma manifestação para mostrar essencialmente que aquilo que aconteceu em Portugal nas últimas duas, três semanas não passava de uma ilusão. A ideia que todos somos racistas, que os portugueses são racistas, de que o racismo é um grande, enorme problema nacional.

Nós hoje quisemos dizer que os portugueses não são racistas, que nos afirmamos como pessoas livres, próximas de todas as raças, todas as etnias. O que não podemos é ter, a par disso, grupos que só querem ter direitos e não têm nenhuns deveres.

É evidente que o tema se vai manter. Mas aqui a Santarém venho essencialmente falar de economia, essencialmente dos problemas que afetam o distrito e Torres Novas. Dizer às pessoas que vamos trazer soluções.

“Nós hoje quisemos dizer que os portugueses não são racistas, que nos afirmamos como pessoas livres, próximas de todas as raças, todas as etnias. O que não podemos é ter, a par disso, grupos que só querem ter direitos e não têm nenhuns deveres”

André Ventura nas manifestação de 27 de junho de 2020, em Lisboa. Créditos: Tiago Miranda/Expresso

O homem no centro das atenções, num jantar em clima de festa

O jantar com os apoiantes de Torres Novas decorreu na rua, procurando-se cumprir dentro do possível as medidas de prevenção da Direção-geral de Saúde. À entrada desinfetavam-se as mãos e media-se a temperatura. O convívio decorria de máscara ou viseira, pelo menos até ao momento em que se deu início à refeição.

Encontro e jantar de apoiantes do CHEGA, em Torres Novas. Créditos: mediotejo.net

Desde crianças, jovens adultos a apoiantes mais velhos, os seguidores de André Ventura aparentam ser de várias classes sociais. A imagem do deputado da Assembleia da República é o fundo procurado para tirar selfies e é em torno dele que o movimento ganha força. No sábado, alguns apoiantes chegavam da manifestação de Lisboa, que reuniu algumas centenas de pessoas contra o racismo, mas outros vinham apenas para o comício em terras torrejanas.

Na região as atividades de campanha do CHEGA estão estagnadas devido à pandemia, mas a presidente da distrital de Santarém, Manuel Estevão, garantiu ao mediotejo.net que o partido está a crescer. “As pessoas fundamentalmente estão fartas do sistema. Estão muito cansadas, pagam muitos impostos, há uma grande corrupção, há um grande desvio do dinheiro dos nossos impostos para fins que não deviam. E as pessoas estão fartas disto, querem mudar. O Dr André Ventura, com o discurso que faz, conseguiu aglutinar o descontentamento de um povo. Daí as pessoas quererem vir”, analisa. “Este é um partido de valores.”

Problemas do setor empresarial foram o foco do discurso de André Ventura em Torres Novas Créditos: mediotejo.net

“O Dr. André foi a luz ao fundo do túnel. Deu esperança aos portugueses, que afinal ainda era possível. A partir daí as pessoas aglutinaram à volta dele”, considera Manuela Estevão. “Queremos acabar com esta carga fiscal brutal, o dinheiro tem que ser para os portugueses”, adianta, focando a prioridade nas áreas da saúde e da educação.

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