Torres Novas | Dr. Computador, uma nova forma de inclusão digital ao domicílio

A empresa tem oficialmente poucas semanas e é mais um dos projetos que receberam o apoio da Start Up Torres Novas. Miguel Mendes é consultor informático e percebeu rapidamente a exclusão digital que existe nas aldeias torrejanas. Da constatação surgiu a ideia de negócio e agora o projeto piloto.

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O “Dr. Computador” pretende dar assistência técnica e formação no digital ao domicílio a um preço reduzido, criando sinergias com parceiros locais. A ambição do projeto é alargar-se a toda a região do Médio Tejo. 

Miguel Mendes tem 44 anos e é lisboeta, tendo mudado de residência para o Pedrógão, Torres Novas, há cerca de sete anos, procurando melhor qualidade de vida. Com 25 anos de experiência na área das tecnologias de informação no setor bancário, depressa começou a ser solicitado pela vizinhança para resolver todo o tipo de problemas informáticos. “As pessoas da aldeia, como sabiam que eu estava ligado às tecnologias, pediam ajuda”, narrou ao mediotejo.net.

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“Percebi que havia um défice de informação”, com as pessoas a terem dificuldade em desmontar, por exemplo, um computador para levá-lo a arranjar em Torres Novas, onde existem sete operadores a trabalhador nesta área. Percebendo esta carência de noções elementares, Miguel Medes teve a ideia de criar uma plataforma de apoio ao domicílio, através de sinergias com os operadores já existentes.

O projeto é bastante simples. A deslocação a casa de uma pessoa ficará sempre entre os cinco e os 15 euros, nunca ultrapassando este último valor. Com base neste princípio, o funcionário do Dr.Computador ajuda em tudo um pouco.

Dr Computador e mais um dos projetos apoiados pela Start Up Torres Novas Foto: mediotejo.net

Na área da assistência técnica, o valor pode subir mediante a necessidade de adquirir peças, entrando aqui as parcerias. Mas, conforme constata Miguel Mendes, a questão em causa pode nem ser uma avaria. “O problema do telemóvel às vezes é o disco cheio”, constata, sendo que aí o técnico pode ensinar inclusive a pessoa a trabalhar com o aparelho. “Isso numa chamada, numa deslocação” fica resolvido.

Neste âmbito, o Dr. Computador dispõe-se ainda a dar formação, “nos moldes e no orçamento que a pessoa definir”. Em casa, com hipótese de abrir a grupos até cinco pessoas. “Quer escrever um livro de culinária, organizar as contas no Excel, entregar o IRS”, ou usar qualquer tipo de plataforma dos serviços públicos, o técnico pode ensinar o essencial de Word, Excel e até um pouco de código a alunos que precisem deste apoio.

“É atuar como promotor da inclusão digital”, sintetiza Miguel Mendes, salientando que quando surgem problemas a tendência é deixar de lado o aparelho eletrónico. Neste sentido, o Dr.Computador quer ir ao encontro não só destas comunidades, tantas vezes isoladas, como também dos pequenos comerciantes, resolvendo problemas de manutenção de, por exemplo, sistemas de faturação, cuja resposta do serviço responsável é muitas vezes demorada.

Miguel Mendes é um empreendedor. Juntamente com o “Dr. Computador” está a desenvolver um projeto para promover a presença online de pequenos comerciantes, o “Innet”, e uma academia de formação tecnológica para crianças, o “ITKids”. A par de tudo isto tem dado apoio a outros projetos que a crescer na Start Up Torres Novas.

Aliás, o conceito da Start Up Torres Novas chamou logo a atenção de Miguel Mendes, tendo-se juntado à comunidade poucos meses depois da sua abertura. “É o veículo mais indicado para este tipo de projeto”, salientou, acelerando ideias e modelos de negócio e permitindo o desenvolvimento económico local.

O seu “Dr.Computador” entra assim agora no ano de projeto piloto, em que funcionará apenas em Torres Novas. Se resultar, o objetivo é alargar a todos os concelhos do Médio Tejo, estabelecendo continuamente parcerias com operadores locais e inclusive, pretende-se, com os municípios. A previsão é que consiga criar 20 postos de trabalho diretos.

“A escalabilidade disto é gigantesca e o investimento é mínimo”

Neste momento, porém, Miguel Mendes ainda está sozinho. “Quando vim de Lisboa, vim na ideia de melhorar a qualidade de vida”, admitiu, “mas sinto que também tenho que dar qualquer coisa em troca”. Criando sinergias e indo diretamente a casa das pessoas, a empresa consegue manter os preços reduzidos para o consumidor e não entrar numa lógica de concorrência com outras empresas já estabelecidas. “É bom para todos”.

A lógica é a da inclusão digital, promovendo a literacia tecnológica que não se encontra disponível nas aldeias. “Acho que o Dr. Computador está bem inserido e nasceu no momento certo”, afirma. Conforme salienta, a nível de Torres Novas o acesso à internet é de 60/65%. E “diz-me o bom senso que boa parte desta população está na malha urbana”, constata.

“A escalabilidade disto é gigantesca e o investimento é mínimo”, frisa, pelo que não coloca de parte a ideia de um dia poder tornar a marca um franchising. Para já, ocupa uma das salas do “Espaço Empresa” e vai começar a promover pelo concelho o seu “Dr.Computador”.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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