Quarta-feira, Março 3, 2021
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Torres Novas: Crowdfunding para levar Cristina Cabeço até ao Malawi

Partir de armas e bagagens para seis meses de voluntariado no Malawi, um dos países mais subdesenvolvidos do mundo? Cristina Cabeço, 24 anos, abriu uma página de crowdfunding para conseguir realizar este objetivo. Precisa de 1200 euros e parte já no fim de agosto. A plataforma está ativa até ao dia 23 de agosto e o apoio ao objetivo de Cristina está prestes a ser alcançado. Esta terça-feira já obtido 91% da verba necessária para concretizar o sonho de ajudar o próximo.

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Cristina Cabeço, 24 anos, sempre quis ser enfermeira. Sem oportunidades em Portugal, onde viveu em Torres Novas, partiu para o Reino Unido, sendo hoje enfermeira no John Radcliffe Hospital. Mas ainda há o voluntariado! Cristina parte no final de agosto para o Malawi, no continente africano. Durante seis meses vai prestar aí cuidados de enfermagem de forma voluntária e tem uma página de crowdfounding onde pede ajuda para amealhar os 1200 euros de que precisa para a aventura.

Falámos com Cristina via facebook e email, a partir de Oxford, no Reino Unido, onde vive há um ano. Nasceu na Suíça e viveu alguns anos em Torres Novas, depois de terminado o ensino secundário. A mãe, enfermeira, trabalhou oito anos no Centro Hospitalar do Médio Tejo, em Torres Novas e Abrantes, tendo posteriormente regressado à Suíça. Cristina é uma verdadeira cidadã do mundo, tendo passado já por cidades e países tão diversos como Macau, Hong Kong, Malásia, Tailândia, China, Guiné Bissau, Espanha, França, Itália e Grécia.

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Desde muito jovem que desejou ser enfermeira. “Lembro-me de ser Carnaval na escola primária e de me disfarçar de enfermeira. Apesar de não me recordar bem do momento em que comecei a fomentar essa ideia, sei que ela veio crescendo ao longo dos anos. A minha mãe sempre foi uma figura de referência para mim, e sendo enfermeira eu adorava ouvir as histórias do trabalho que ela contava ao chegar a casa. Ao terminar o secundário é muito difícil escolher um curso: aos 18 anos não se tem noção da realidade do mundo do trabalho, mas a profissão de enfermagem cativava-me e eu decidi arriscar”, narra.

Foi o desemprego que a levou ao Reino Unido, onde tem passado pelos Hospitais Universitários de Oxford. A par do lado profissional, surgiu o voluntariado.

“Uma das primeiras experiências de voluntariado foi a participação como monitora na Colónia Balnear da Cáritas Diocesana Leiria-Fátima — onde durante 10 dias é oferecida a oportunidade de viver umas férias felizes a meninos/meninas carenciadas de toda a diocese. Em 2015, parti também para a Guiné-Bissau, num estágio oferecido pela AMI em cooperação com o BES, agora NovoBanco. Durante 3 meses vivi nesta antiga colónia portuguesa, que encerra em si pessoas, formas de estar na vida e uma força cultural fantásticas. A experiência foi tão positiva que agora fiquei com o ‘bichinho’e pareço não conseguir parar de participar em projetos deste género”, confessa.

O Malawi é a sua próxima aventura neste espírito de entreajuda: “Partirei para este projeto ‘sob a asa’ de uma organização inglesa chamada Lattitude – Global Volunteering, que envia jovens para vários países do Mundo. Em contrapartida, todos os custos ficam a cargo de cada voluntário e apesar de a soma total ser mais elevada, para já proponho-me a angariar 1000£ no meu site de crowdfunding (equivalente a 1200€, aproximadamente) até ao dia 23 de agosto de 2016 (sendo possível entrar em contacto comigo após este prazo, caso pretendam ajudar posteriormente à minha partida)”, explica.

“O projeto consiste em prestar cuidados de enfermagem e implementar micro-projetos que considere necessários num hospital local, em Mua, após aferir quais as principais necessidades”, refere.

O Malawi situa-se na África Oriental, fazendo fronteira com Moçambique, Tanzânia e Zâmbia. Antiga colónia britânica, é hoje uma república presidencial, com um regime multipartidário e democrático. A língua oficial é o inglês, com uma população de 13 milhões de habitantes. O termo Malawi significa “sol nascente”.

As condições de vida locais não assustam Cristina: “Penso que a melhor forma de partir para este tipo de projetos é sem dúvida ter uma mente aberta para todas as possibilidades. Sei que vou encontrar muitas situações complicadas, em que a gestão de emoções vai estar à prova e sem dúvida que esta será uma experiência repleta de desafios. Mas também é importante perceber que aquela é a realidade do país e eu sou apenas uma pessoa que vem de fora — tentarei ajudar o máximo possível e de uma forma sustentável, sabendo no entanto que tudo isso é limitado e que ‘mudar o Mundo’ é uma ideia bonita, mas não facilmente alcançável”, confessa.

“Participar neste tipo de projetos ajuda-me também a conhecer um pouco mais de mim e a definir um plano para o meu futuro”, refere. “Por isso, para já o plano é esse mesmo: conhecer o Mundo enquanto me vou conhecendo a mim própria e ajudando as pessoas que se vão cruzando no meu caminho. Espero assim conseguir decidir se investir neste tipo de projectos é o caminho que pretendo seguir ao longo da minha vida”.

Termina deixando uma mensagem à sua geração: “Partam à aventura! A todos os que estiverem a ler este artigo e a pensar ‘gostava tanto de fazer algo assim’, peguem na coragem, em vocês próprios e na ajuda dos vossos amigos e familiares e lancem-se ao desafio. Sei que pode meter medo e nem sempre é fácil partir assim, mas no final vai valer todo o esforço do Mundo”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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