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Torres Novas | Coordenadora da CGTP liderou luta das mulheres trabalhadoras frente ao CRIT

O CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Escritórios e Serviços de Portugal promoveu esta segunda-feira, 8 de março, uma ação de denúncia frente ao Centro de Reabilitação e Integração Torrejano (CRIT), que tinha por objetivo marcar a Semana da Igualdade. A instituição votou recentemente um novo banco de horas grupal, referendo em que o sindicato apontou irregularidades e afirma prejudicar as mulheres trabalhadoras com família. O CRIT não gostou da abordagem da ação, afirmando ter cumprido a lei, e ainda apontou o sexismo da denúncia, uma vez que também há homens com filhos pequenos a trabalhar na instituição.

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A iniciativa teve lugar frente ao CRIT e contou com intervenções de Ivo Santos, coordenador do CESP no distrito de Santarém e Leiria, Cristina Tomé, da direção da União dos Sindicatos do distrito de Santarém, e Isabel Camarinha, secretária geral da CGTP-IN.

Faixa sobre os motivos da ação foi deixada fixada junto ao CRIT Foto: mediotejo.net

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Ivo Santos abriu os discursos explicando o contexto da presença frente ao CRIT. A 18 de dezembro houve um referendo para o banco de horas grupal, onde o sindicato identificou algumas irregularidades. Nomeadamente, às trabalhadoras com filhos até três anos terá sido distribuído um boletim de voto diferente das restantes trabalhadoras, não se tendo registado uma votação nas mesmas condições. Situação que foi considerado um “ataque aos direitos das mulheres e das mães trabalhadoras” e dos trabalhadores em geral.

Considerou Ivo Santos que o CRIT não demonstrou “bom senso na situação que criou”. O banco de horas grupal, considerou, vai resultar apenas em “mais carga de trabalho” e um horário desregulado, que prejudica a família, evitando-se assim contratar mais pessoal.

Foram deixadas ainda algumas reivindicações para os trabalhadores do setor social, nomeadamente o aumento dos ordenados, respeito por horários de trabalho e pela contratação coletiva e o fim do banco de horários.

Da parte de Cristina Tomé, também representante da comissão para a igualdade das mulheres e homens da CGTP-IN, frisou-se o facto das mulheres continuarem a ser mais prejudicadas ao nível do emprego e dos salários, não obstante estarem muitas vezes na linha da frente das necessidades, como no caso da pandemia.

As mulheres sofreram ainda uma perda salarial na ordem dos 16% em 2020, sendo quem maioritariamente pede o apoio à família.

Isabel Camarinha criticou o conceito de banco de horas, considerando que se traduz em trabalho gratuito Foto: mediotejo.net

Por fim, Isabel Camarinha reiterou as palavras proferidas pelos seus antecessores, frisando que a pandemia veio aumentar as desigualdades, sendo que por vezes serviu de justificativa para as entidades patronais. “Lutamos contra esta precariedade, que atinge mais as mulheres que os homens”, afirmou.

A responsável manifestou-se contra os bancos de horas, que considera trabalho gratuito que tem como objetivo às empresas evitar contratar mais pessoal, salientando que se estão a generalizar situações que deveriam ser de extremos. Apelaria assim pelos horários regulados, que permitem a conciliação com a vida familiar.

No final das intervenções foram fixadas faixas alusivas ao Dia da Mulher e à ação desenvolvida pelos direitos das trabalhadoras do CRIT. Ivo Santos e Isabel Camarinha dirigiram-se então às instalações da estrutura social, uma vez que foram convidados a visitar o espaço e a reunir com a direção após a notícia de que haveria uma manifestação do CESP no Dia da Mulher.

Questionada pelo mediotejo.net, a direção do CRIT remeteu-se ao comunicado de imprensa já divulgado, afirmando que mantêm a mesma posição.

No texto é mencionado que o referendo do banco de horas foi realizado com base na legislação em vigor, tendo sido acompanhado pela advogada da União Distrital das IPSS de Santarém, que ministrou a formação e forneceu as minutas dos documentos necessários.

“Cumprimos todos os prazos e agendámos o referendo, convidando o ACT e o CESP para estarem presentes, sendo que no mesmo marcaram presença duas representantes do CESP, durante o período da votação, até ao final do ato, com a contagem de votos e, foram ainda convidadas a assinar todos os documentos- ação que recusaram”, refere.

“Os colaboradores da Instituição pronunciaram-se por voto secreto, com exceção dos colaboradores que tinham filhos até 3 anos de idade, De referir ainda que, dos 115 trabalhadores, apenas três se encontram sindicalizados, prova clara e esclarecedora de que a Instituição cumpre todas as normas e não fez qualquer discriminação, uma vez que as pessoas com filhos até 3 anos têm que exercer voto expresso, ou seja, têm que decidir o que querem e não ficam sujeitos à decisão da Maioria (votação superior a 65%)”, afirma.

Seguiu-se reunião com a direção do CRIT Foto: mediotejo.net

A concluir, o CRIT considerou que a discriminação partiu do sindicato, uma vez que nas suas comunicações só refere “as mães esquecendo-se dos pais – é de realçar que no referendo também estiveram presentes dois pais com votos expresso pela existência de filhos até 3 anos”.

“A nossa Instituição nunca foi condenada em qualquer processo no Tribunal do Trabalho, pelo que consideramos que colocar em causa o bom nome do CRIT – que cumpre todas as suas obrigações legais e fiscais -, é também questionar a transparência de uma Casa com mais de 40 anos e com uma reputação/imagem irrepreensível”, termina.

Considera assim as acusações do CESP “um ato condenável perante uma Instituição com tamanha ligação à comunidade, reconhecida pelo seu trabalho e dedicação junto da mesma”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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