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Torres Novas: Componatura garante obras e nega poluição da Ribeira da Boa Água

O Ministério do Ambiente realizou em abril uma inspeção à empresa de compostagem torrejana “Componatura”, tendo identificado várias “desconformidades” que resultaram num auto-notícia. Em resposta a um pedido de contraditório feito por email à Componatura, a empresa fez saber que estão a ser implementadas há alguns anos medidas de prevenção, que se têm atrasado devido à burocracia. Afasta-se, porém, de qualquer ligação à polémica da Ribeira da Boa Água, classificando-se como “vítima” de acusações “infundadas”.

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A informação do Ministério do Ambiente resultou de um pedido de esclarecimento enviado pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda. Neste documento, a que o mediotejo.net teve acesso, o Ministério refere que na inspeção de 11 de abril de 2016 foram detetadas “diversas desconformidades às condições anexas ao Alvará” da empresa, pelo que se levantou um auto-notícia.

No terreno, os técnicos aperceberam-se de um “cheiro intenso de matérias em putrefação”, mas próprio da compostagem. Identificaram também “acessos à instalação enlameados tendo sido neles espalhado pó de pedra, parecendo que poderia existir contaminação desses acessos pela circulação de camiões, devido à cor escura (preta) dessa lama e ao mau cheiro exalado, sendo de cor castanha o solo natural circundante”. “Alguns resíduos não estavam devidamente contidos nas zonas a eles destinadas” e verificou-se, em “zona impermeabilizada”, o depósito de “diversos resíduos, produtos com prazo de validade já ultrapassado, paletes de madeira, bidões metálicos, um contentor metálico para resíduos com plástico, e um atrelado cisterna”. “Coberturas das linhas de compostagem danificadas ou inexistentes, na sua maior parte”; “depósito de grande quantidade de composto, em solo natural, sem qualquer proteção ou cobertura e sem contenção de possíveis deslizamentos ou escorrências”; “não ser visível a identificação dos resíduos com os códigos da Ler”, enumera.

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O mesmo documento refere que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) detetou no local “escorrências para o solo e linha de água”, tendo também levantado auto-notícia. A empresa será notificada para que proceda à adaptação das instalações, de forma a que o armazenamento do composto seja feito em áreas impermeabilizadas.

Face ao exposto, o mediotejo.net contactou a “Componatura” para saber se algumas das desconformidades encontradas já haviam sido corrigidas e qual o seu posicionamento relativo às acusações de poluidores do rio Almonda e da Ribeira da Boa Água. Respondeu a gerente, Hortense Teixeira, explicando que a empresa “recebe resíduos biodegradáveis, não perigosos, transformando-os em composto orgânico, inodoro, certificado e autorizado pela DGAE a ser comercializado. Atentos ao mau cheiro que esta actividade gera, e minimizando o mesmo, desde 2012 que limitamos as descargas de certos produtos. No entanto, o cheiro nas nossas instalações embora reduzido, é próprio da actividade e bastante diferente daquele que se sente na ribeira da boa água”.

Prossegue explicando que “a empresa, dado as suas características, é várias vezes objecto de inspeções e controle” e que, “preocupados em ser solução e não um problema”, submeteram junto da Câmara Municipal de Torres Novas, em 2014, um projecto de obras a efectuar, de maneira a “minimizar cheiros e adequar o funcionamento, criando melhores condições de laboração, respeitando sempre todas a exigências das referidas inspeções”.

Este processo, lamenta, “tem sido demasiado longo e demasiado burocrático e só agora foi autorizado o início das obras. Refiro mais uma vez que iniciamos todo o processo muito antes desta polémica, e sempre atentos de modo a cumprir com o que está estipulado no nosso licenciamento”.

Hortense Teixeira termina defendendo que “a maior parte das acusações” de que estão a ser vítimas, são “infundadas”, e “não reportam a verdade”. Diz que “o impacto visual do monte, é de facto notório, mas que esse problema já está a ser resolvido”.

Acrescenta ainda: “Azar o nosso estarmos demasiado próximos da ribeira da Boa Água”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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