Torres Novas | Comércio dos Frutos Secos impulsionado pelas correntes da alimentação saudável

Rosa Pereira vende frutos secos há 30 anos e já ganhou prémios pela apresentação da sua banca. Foto: Frutos Secos da Avó Rosa

As recomendações dos nutricionistas e as novas filosofias de alimentação saudável, como a dieta do paleolítico, entre outros fatores, estão a impulsionar o mercado dos frutos secos. Agora que começa mais uma Feira dos Frutos Secos de Torres Novas, o mediotejo.net falou com vendedores de frutos secos e produtores de figo torrejano para tentar saber se o setor tem futuro. Mercado há, confirmam, mas os produtores de figo de Torres Novas estão a ficar cada vez mais velhos e não parece haver grandes perspetivas de renovação geracional.

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O figo preto de Torres Novas é o ex-libris do município, mas para os produtores e vendedores este tem no figo pingo de mel uma forte e mais doce concorrência. Não obstante, o figo, de qualquer variedade, continua a vender, juntando-se a uma certa moda de alimentação saudável associada aos frutos secos que está a impulsionar o setor. Neste âmbito, olha-se cada vez mais para novas formas de apresentar o produto, introduzindo-o em doces ou recheando-o com chocolate.

Foi este o caso de Rosa Moita, natural de Torres Novas, que decidiu juntar o figo à sua marca de bolachas, os “Mimos da Rosi”. Já com um conjunto de variedades que contemplavam bolachas e biscoitos de ervas aromáticas, pimenta rosa, gengibre, nozes e amendoim, esta designer gráfica de formação decidiu apostar o ano passado na introdução do figo nas suas receitas. “Porque sou de Torres Novas, cresci com isto”, refere simplesmente, marcando assim a sua presença na Feira dos Frutos Secos de 2016.

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Rosa Pereira vende frutos secos há 30 anos e já ganhou prémios pela apresentação da sua banca. Foto: Frutos Secos da Avó Rosa

A bolachas de figo vendem-se “muito bem”, a par de outra sua especialidade, os bolinhos de chocolate e pimenta rosa, destacando que tal também se pode dever à particularidade de não terem açúcar e glúten. “O ano passado houve muito boas vendas” na Feira, confirma, corroborando a ideia de que “os frutos secos estão na moda” devido às correntes de alimentação saudável.

Para esta empresária torrejana que aliou o figo aos seus biscoitos o futuro deste fruto típico de Torres Novas pode sim passar pela sua introdução noutros produtos. A tâmara, exemplifica, tem outras utilizações em produtos culinários, e as granolas, também na moda, usam todo um conjunto de frutos secos e sementes. “Porque não usar o figo?”, questiona.

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Mário Faustino, produtor de figo preto e pingo de mel de Torres Novas e revendedor de toda uma variedade de frutos secos, descobriu em Espanha uma ideia que não hesita em nos mostrar: um bombom de figo recheado com chocolate. Presença frequente em feiras de Torres Novas e um pouco por toda a região, Mário Faustino destaca esta como um exemplo de uma ideia que se poderia implementar no figo de Torres Novas. Isso e o regresso da instituição da Cooperativa que organizasse o setor e definisse os preços, à semelhança do que se faz no país vizinho.

Dar subsídios para que se torne a plantar e secar figo em Torres Novas é outra das propostas que deixa aos autarcas. Conforme constata, a produção está cada vez mais entregue aos idosos e pouco interesse há nas novas gerações pelo figo torrejano.

“De há três anos para cá, desde que a Feira dos Frutos Secos passou para a praça 5 de outubro, tem sido um sucesso”, afirma o produtor. Os frutos secos têm mercado, defende Mário Faustino, sendo que há pessoas que fazem refeições à base destes produtos. Produz figo, noz e passa de uva e garante que tem clientes que vêm de longe comprar-lhe os frutos secos.

Produtor de figo e vendedor de frutos secos, Mário Faustino é um dos comerciantes mais ativos do setor em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Mário Faustino tem 220 figueiras, a maioria de figo pingo de mel. O figo preto, não sendo tão doce, não dá tanto rendimento, e foi substituindo a qualidade das figueiras ao longo dos anos. A produção vai-se mantendo estável, com as alterações climáticas apenas a não permitirem que o figo cresça tanto. Não obstante também compra a outros produtores, vendendo 12 a 15 mil quilos de figo seco. Este ano, calcula, o preço do figo preto andará pelos 2/2,50 euros o quilo, o figo pingo de mel pequeno entre os 3,50/5 euros o quilo e o grande entre os 7/8 euros o quilo.

Mas quem primeiro fala ao mediotejo.net do impacto da moda da alimentação saudável, em particular da vaga da dieta do paleolítico, na venda do figo e dos frutos secos em geral é a “avó Rosa”, Rosa Pereira, e o filho David Moita, produtores e vendedores de frutos secos há 30 anos e com diversos troféus já alcançados pela dedicação que a avó Rosa coloca na conceção e montagem da sua banca nas Feiras de toda a região. “A venda de frutos secos tem vindo aumentar desde que os médicos, os nutricionistas, aconselham os frutos secos e daí nós também notarmos uma grande diferença nas vendas”, constata David Moita.

A marca “Frutos Secos da Avó Rosa” tem um pouco de tudo: mel, pólen, sementes, toda a qualidade de frutos secos, figo preto e pingo mel. Depois de vários anos de ausência, Rosa Pereira voltou em 2016 à Feira dos Frutos Secos de Torres Novas. “Foi um grande feirão”, constata o filho, reforçando a ideia geral de que o evento do ano passado superou as melhores expetativas e que o negócio está na moda.

Os frutos secos vão-se vendendo todo o ano e o objetivo da família é expandir o seu mercado e alargar-se a mais zonas do país. Concorrência, admitem, não há muita. Na produção o problema é mesmo a elevada idade dos produtores, em concreto, do figo. David Moita vê no entanto algum interesse nas novas gerações, que, lentamente, acredita estarem a regressar ao setor como forma de equilibrar as contas.

Rosa Moita aliou o figo de Torres Novas à bolacha. Foto: Mimos da Rosi

Este ano regressam à praça 5 de outubro. O figo preto rondará os 3 euros o quilo e o pingo de mel os 7/8 euros.

De 4 a 8 de outubro, a Feira de Frutos Secos volta a instalar-se na praça 5 de outubro com oferta para todos os gostos. Dia 7, sábado, o programa da RTP “Aqui Portugal” vai ser emitido a partir do certame.

 

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1 COMENTÁRIO

  1. É uma pena ver os nossos produtores de figo conhecerem apenas uma ou duas variedades e deixarem perder antigas variedades de figueira, nossas, trazidas pelos árabes e outros povos, em diferentes épocas. Hoje há um mercado mundial de estacas e árvores jovens de figo que chegam às 800 variedades. Há empresas inglesas e americanas que tentam descobrir as nossas figueiras para as colocarem nesse mercado por preços exorbitantes. E por cá se perguntarmos ao agricultor que variedades de figo conhece ele responde, preto e pingo de mel (que é o antigo moscatel agora degenerado).

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