Torres Novas: Catarina Martins incomodada com cheiro da Ribeira da Boa Água (c/video)

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, esteve em Torres Novas na tarde de sábado, 24 de setembro, no final de uma périplo pelo rio Tejo, que começou em Vila Velha de Ródão. O cheiro fétido que pairava sobre a Ribeira da Boa Água não lhe passou indiferente, comentando o facto com os que a acompanhavam. Um cheiro que as imagens não mostram, conforme frisou por mais que uma vez, mas que afeta a qualidade de vida dos moradores e os negócios circundantes.

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Cerca de uma centena de pessoas que acompanhavam a Marcha pelo Tejo promovida pelo Bloco de Esquerda, que decorreu durante todo o sábado e passou também por Abrantes, juntaram-se aos cerca de 50 populares que aguardavam a chegada do grupo junto à Ribeira da Boa Água. “Queremos Respirar” e “Basta” foram as palavras de ordem dos manifestantes, no meio de muito mau cheiro e num dia já marcado pela notícia do alargamento da Central Nuclear de Almaraz, em Espanha, perto da fronteira, junto ao Tejo.

Lixo e mau cheiro contaminam área envolvente da Ribeira da Boa Água. FOTO: mediotejo.net
Lixo e mau cheiro contaminam área envolvente da Ribeira da Boa Água. FOTO: mediotejo.net

Após a visita, num comício no centro de Torres Novas, Catarina Martins admitiu que foi a primeira vez que visitou a Ribeira da Boa Água. “Nunca tinha sentido o cheiro, porque as imagens não têm cheiro”, comentou. “Basta!”, frisou.

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Antes, junto à Ribeira, Catarina Martins não poupou nas críticas lançadas à Fabrióleo. “Aqui neste sítio é insuportável estar com o cheiro. As câmaras não transmitem o cheiro, mas todos os que aqui estão, estão a perceber como isto é impossível. É a Fabrióleo, uma fábrica que há dez anos polui o rio, e este verão tornou-se particularmente insuportável”, referiu. “O que é inaceitável é que esta situação se prolongue, não deixando as pessoas dormir, poder abrir uma janela em sua casa, deitando abaixo o pequeno comércio que há aqui, porque é impossível ter aqui um restaurante, uma residencial, seja o que for, com este cheiro e que ainda não tenha acontecido nada! A Fabrióleo continua a poluir de uma forma completamente impune”, afirmou.

Apesar do recente pedido da Fabrióleo para que o Governo investigue objetivamente quem está a poluir o rio Almonda e a Ribeira da Boa Água, o discurso não convence os políticos e autarcas. A vereadora de Torres Novas pelo Bloco de Esquerda, Helena Pinto, enumeraria para os presentes as múltiplas contraordenações de que a empresa tem sido alvo. “Esta situação não se pode manter”, frisou.

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“A luta pela despoluição do rio Almonda não é só dos últimos anos. Há 20 anos houve uma grande luta”, recordou, “mas conseguimos”. “Não há interesse municipal em ter a Fabrióleo no concelho tal como ela está”, terminou.

O tema da Central Nuclear de Almaraz também foi abordado por Catarina Martins. “Está obsoleta, já deveria ter sido fechada”, comentou, criticando a justificação do Governo Espanhol em não fechar a estrutura por causa da instabilidade política, mas agora ter decidido o seu alargamento. Sendo a radioatividade algo que “não se vê”, comentaria, é um tema facilmente relegado pelos autoridades políticas

 

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