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Sábado, Outubro 23, 2021

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Torres Novas | Carlos Trincão Marques (1944-2018)

O advogado torrejano Carlos Trincão Marques morreu esta madrugada, 15 de agosto, aos 74 anos, no hospital de Lisboa onde se encontrava internado.

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Nascido em Riachos, em 1944, licenciou-se em Direito em Coimbra e cedo despertou para a política, ficando depressa debaixo dos olhares vigilantes da PIDE pelas atividades que desenvolvia no Movimento Inter-Colectividades de Torres Novas. Fez parte da direcção do Cine-Clube e com a revolução de 1974 presidiu à primeira comissão administrativa da Câmara Municipal de Torres Novas. Foi militante do MDP/CDE e do Partido Comunista mas preferiu afastar-se de cargos políticos e, ao longo da sua vida, pertenceu sempre aos corpos directivos de várias associações de carácter social, tendo-se empenhado durante muitos anos na direção do Montepio de Nossa Senhora da Nazaré. Considerava o associativismo “a maior escola de cidadania”.

O alfarrabista Adelino Correia-Pires, lamentando a sua morte, lamenta também tê-lo conhecido tão tarde. “Quando aqui cheguei, ao centro histórico, começou por me visitar a espaços. Reservado, ouvia mais do que falava. Ponderado, bastavam-lhe duas ou três palavras para dizer muito, duas ou três frases para dizer tudo. Aos poucos, pisando terra firme, comigo foi partilhando algumas das suas paixões. Pelos valores da liberdade, pelos livros, por tudo aquilo que só os homens verdadeiramente superiores, como ele, alguma vez poderão alcançar.”

Reservado, ouvia mais do que falava. Ponderado, bastavam-lhe duas ou três palavras para dizer muito, duas ou três frases para dizer tudo

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Era um homem sábio e muito considerado em Torres Novas, por pessoas de todos os quadrantes. Margarida Teodora, diretora da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, recorda-o como “um filantropo e um cidadão generoso para com as instituições culturais da sua terra”, alguém que contribui sempre “de forma desinteressada ao longo da sua vida para o acrescento material e documental sobre a história do seu concelho, das suas instituições culturais e associativas”.

Adelino Correia-Pires acrescenta: “Com ele aprendi cidadania. O que pude, o que ele quis, o que consegui. Com ele aprendi a sombra e o recato. Com ele percebi a diferença entre o ser e o estar. Porque a vida faz com que por vezes, estejamos, não como não somos, mas como podemos. Com ele percebi o que é ser-se generoso, mas firme. O que é ser-se grande, perante um turbilhão… Com ele, aprendi, como escreveu Sá de Miranda, que escolheu para seu ex-libris, que partiu um Homem de um só parecer, / dum só rosto e d’ua fé, / d’antes quebrar que torcer / outra cousa pode ser, mas da corte homem não é.”

O velório realiza-se na quinta-feira, 16 de agosto, no Museu Agrícola de Riachos, a partir das 11 horas. Seguirá para o cemitério de Riachos às 18 horas.

O mediotejo.net apresenta sentidas condolências ao seu filho, José Trincão Marques, nosso cronista e colaborador, e a toda a sua família e amigos.

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