Torres Novas | BE ouviu população questionar falta de estratégia do PEDU

O Bloco de Esquerda (BE) de Torres Novas chamou no sábado, 4 de fevereiro, a população a discutir as propostas do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), apresentado recentemente pela Câmara de Torres Novas. Entre as várias observações aos projetos, sobressaiu a queixa de falta de estratégia, semelhanças e sobreposições nas propostas e ausência de medidas que tragam pessoas para viver efetivamente no centro histórico de Torres Novas, por forma a dar-lhe mais vida. A polémica proposta do elevador para o Castelo nem seria afinal a mais comentada, mas sim os trabalhos previstos para a avenida central da cidade, mudanças no estacionamento e os ajardinamentos junto ao leito do rio (Nogueiral e envolvente do Parque Almonda).

O debate foi moderado pela vereadora do BE Helena Pinto, que frisou por diversas vezes a necessidade de se discutir o PEDU, mostrando disponibilidade para receber propostas e perceber qual o entendimento da população relativamente aos projetos. Referindo que a vereação da Câmara de Torres Novas ficou a conhecer o PEDU no mesmo dia que os moradores (26 de janeiro), adiantou que iria propor a realização de uma assembleia municipal extraordinária, pública, exclusivamente dedicada ao tema.

Helena Pinto vai propor a realização de uma assembleia municipal extraordinária sobre o PEDU. Deixou também a sugestão de se realizar um referendo local. FOTO: mediotejo.net

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O PEDU é composto por seis estudos prévios, cuja execução será dividida por duas fases. No total serão investidos no centro histórico de Torres Novas 7.3783412 euros, maioritariamente de fundos europeus. Os projetos integram a recuperação da envolvente do rio Almonda (terreno junto ao Parque Almonda), Prédio do Alvarenga, Central do Caldeirão, Nogueiral (inclui estacionamento do Teatro Virgínia e Avenida Dr. João Martins de Azevedo), acessos ao Castelo (onde um elevador é uma das propostas) e ainda a requalificação de várias ruas do centro histórico. Há também um montante destinado a reabilitação de edifícios.

O debate sobre o PEDU do BE inseriu-se na sessão “Sexta D’Ideias”, realizada no espaço “Atrás das Artes”, em Torres Novas. Um dos principais intervenientes foi o arquiteto Denis Hickel, que dissertou sobretudo sobre a falta de sustentabilidade futura do PEDU. “Falta um plano estratégico para a cidade”, referiu, salientando que há ideias propostas (Prédio do Alvarenga e Central do Caldeirão) que se sobrepõem. “Os projetos não têm muita profundidade”, defendeu, constatando que cada equipa de projeto trabalhou por si, apresentado uma proposta básica. Sobre o Castelo diria que o mais importante é perceber primeiro “o que se quer do Castelo”, antes de se pensar em acessos desta magnitude (inclui o elevador, uma escadaria e uma rampa).

Os restantes intervenientes, que se identificaram como moradores da cidade ou dos arredores, questionaram os projetos pensados para jardins – que além dos encargos com manutenção vão mexer com as margens do rio Almonda – a eliminação de lugares de estacionamento, as alterações aos passeios da avenida central da cidade, a utilidade pensada para a Central do Caldeirão (para um espaço cultural e de empreendedorismo), a intervenção tida como desnecessária no Largo do Salvador, a falta de atrativos para a população ir viver para o centro histórico e a pouca informação que o site municipal sobre o PEDU dispõe para que os moradores possam apresentar qualquer tipo de sugestão até dia 16 de fevereiro. “As coisas aparecem descoordenadas, sem ligação”, comentaria o deputado do BE, António Gomes.

No final do debate discutiram-se ainda ideias para travar o avanço do PEDU, chegando-se a sugerir abaixos-assinados, manifestações e inclusive uma providência cautelar. Helena Pinto apontaria para a hipótese de um referendo local, comentando que não colocará de parte nenhuma sugestão. “Estou convencida que ainda é possível” fazer alterações ao PEDU, terminou.

 

 

 

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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