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Torres Novas | BE faz balanço do que “correu mal” nas eleições autárquicas (c/vídeo)

Na sexta-feira, 27 de outubro, a tertúlia Sexta d’Ideias no espaço Atrás das Artes foi dedicado ao tema do pós-eleições. A iniciativa, realizada pelo Bloco de Esquerda (BE) de Torres Novas, contou com a presença da coordenadora nacional, Catarina Martins, e pretendeu fazer um balanço do porquê das expetativas do BE terem saído de alguma forma defraudadas nas eleições de 1 de outubro. Pretendia-se tirar a maioria ao PS, porventura até conseguir vencer o município. Os socialistas não só ganharam como reforçaram a maioria um pouco por todo o concelho.

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Debate do BE sobre as eleições em Torres Novas

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

“A campanha correu bem”, admitiu a candidata e agora vereadora do BE, Helena Pinto, tendo-se criado alguma expetativa em torno dos resultados eleitorais. O objetivo do partido era retirar a maioria absoluta ao PS, que se encontra no poder há 25 anos. Mas apesar de o BE até ter duplicado o seu eleitorado, a CDU perdeu o assento que detinha há vários anos na Câmara e até o PSD perdeu eleitores. “Ficámos com aquele amargo na boca”, constataria Helena Pinto, uma vez que o PS de Pedro Ferreira não apenas venceu como reforçou a maioria com mais um vereador.

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“O PS é hegemónico” atualmente no concelho, freguesias e assembleia municipal incluídas. Como foi possível?, foi a questão deixada no ar. “O PS chegou a estas eleições desgastado, sem liderança, sem obra, com listas muito débeis”, constatou Helena Pinto. O facto do governo PS estar atualmente bem visto a nível nacional, a recuperação geral de rendimentos e o desconhecimento de uma fatia da população da realidade do que se passa na Câmara foram algumas das razões apontadas pela vereadora para a vitória esmagadora de Pedro Ferreira.

Catarina Martins fez um balanço dos resultados do BE a nível nacional, comentando que apesar de não se ter ganho nenhuma Câmara, há hoje representantes do BE em muitas autarquias. Realçaria assim que já se fizeram “passos muito seguros” em Torres Novas. “O BE está preparado para ser governo”, salientaria, e “devemos ficar orgulhosos de haver uma alternativa capaz”.

Mensagem confusa e expetativas irrealistas foram alguns dos erros apontado pelos presentes. Foto: mediotejo.net

A palavra foi dada de seguida ao público para se manifestasse sobre os erros da estratégia do BE e do que pode ser feito para melhorar. Entre os intervenientes destacou-se a necessidade de melhorar a comunicação, o facto de várias pessoas se repetirem em diversas listas e concorrerem em freguesias que não as suas, a introdução do tema da ribeira da Boa Água na campanha e a aparente ligação do BE ao movimento Basta, a mensagem eleitoral ser pobre e confusa, o não se ter aproveitado mais o tema do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), a falta de presença nas aldeias e entre as associações, e o facto do BE de Torres Novas assentar sobretudo na figura de Helena Pinto, que não terá tido mais ninguém na equipa que a conseguisse reforçar enquanto candidata.

Do público partiram também críticas ao papel de Catarina Martins, que terá “pecado por excesso” ao prever uma vitória em Torres Novas a poucos dias das eleições, ante uma grande presença de comunicação social no jantar de campanha. “Qualquer pessoa que conheça Torres Novas sabia que era impensável naquele momento o BE ganhar”, referiu um dos intervenientes, mas tal discurso fez aumentar as expetativas.

O papel do ex-presidente António Rodrigues e do seu comunicado contra Pedro Ferreira nas redes sociais foi também lembrado, comentando-se que poderá ter tido o efeito oposto ao pretendido e granjeado mais apoio ao atual presidente que, no geral, é uma personagem afável ante a população.

Pedro Triguinho, que fez parte das listas do BE e é um dos porta-vozes do movimento Basta, também tomou a palavra, frisando que apesar da sua ligação à luta contra a poluição, não mencionou o tema na sua campanha. Constataria também que muitas pessoas não sabem o que se passa nas Câmaras e Assembleias Municipais.

Helena Pinto conseguiu 2.498 votos para a Câmara de Torres Novas, ficando a 67 votos da segunda força mais votada, o PSD. O PS de Pedro Ferreira venceu com 8.853 votos. Em 2013, quando o BE conseguiu eleger pela primeira vez um vereador, Helena Pinto havia arrecadado apenas 1.697 votos. Analisando os votos entre 2013 e 2017, aparenta ter havido uma mudança na tendência de voto do eleitorado sobretudo em relação à CDU, que privilegiou o BE.

Resultados de 2013
PS

44,67%
7.640 votos
PPD/PSD

17,14%
2.931 votos
PCP – PEV

16,03%
2.742 votos
B.E.

9,92%
1.697 votos
CDS-PP

3,43%
587 votos
EM BRANCO

5,09%
870 votos
NULOS

3,71%
635 votos

 

Resultados de 2017
PS

51,27%
8.853 votos
PPD/PSD

14,85%
2.565 votos
B.E.

14,47%
2.498 votos
PCP-PEV

9,30%
1.606 votos
CDS-PP

4,31%
745 votos
EM BRANCO

3,45%
596 votos
NULOS

2,35%
405 votos

Fonte: Ministério da Administração Interna

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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