Torres Novas | BE alerta Ministério para problemas na ligação A23-Zonas Industriais

BE quer que novas acessibilidades às zonas industriais de Riachos e Entroncamento continuem a ser discutidas. Foto: mediotejo.net

Os autarcas eleitos pelo Bloco de Esquerda (BE) em Torres Novas, a vereadora Helena Pinto e o vogal de Riachos João Luz, escreveram uma carta ao Ministro do Equipamento e Infraestruturas, Pedro Marques, alertando para a necessidade de serem estudadas alternativas ao trajecto proposto para a ligação das Zonas Industriais de Riachos e do Entroncamento à A23. A missiva aponta, na perspetiva do BE, os erros e insuficiências da proposta apresentada pela Infraestruturas de Portugal (IP).

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A carta, a que o mediotejo.net teve acesso, começa por recordar que foi há um ano, em fevereiro de 2017, que se realizou a cerimónia onde foi apresentado o programa PVAE – Plano de Valorização das Áreas Empresariais, “cujo objetivo é tornar mais fácil e mais seguro o acesso das empresas ali sediadas aos grandes eixos rodoviários e ferroviários, favorecendo a economia e promovendo uma mobilidade sustentável”. Em causa está um investimento de cerca de 7 milhões de euros para ligar as zonas industriais de Riachos e Entroncamento à A23, A13 e A1.

O BE considera a obra estruturante para os dois concelhos, Torres Novas e Entroncamento, assim como para a Golegã. Porém tem alertado desde o princípio para as fragilidades do traçado escolhido pela IP.

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“Incompreensivelmente, a nova via situa-se afastada da zona industrial de Riachos, uma vez que o troço proposto vai entroncar junto à empresa Greenyard, situada junto a uma área residencial e a cerca de 1 km do limite da Zona Industrial de Riachos, onde se localiza, entre outras empresas, o Terminal Multimodal do Vale do Tejo (TVT)”, refere o BE.

“Prevê-se o aumento do tráfego no trajecto Casal Tocha → Casais Novos → Rotunda do Bom Jesus dos Lavradores → Nicho de Riachos, com a consequente passagem de todo o trânsito pesado por zonas habitacionais, já hoje muito intenso, agravando no futuro a deterioração do pavimento e colocando em risco a seguração de circulação pedonal”, alerta.

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A vereadora Helena Pinto apresentou em julho de 2017 uma proposta alternativa ao traçado, que consiste numa ligação entre a rotunda do Relvas e a estrada nacional que liga a Golegã ao nó da A23 com a A13, através do IC3.

“Considerando este investimento estratégico e fundamental, não só para os concelhos de Torres Novas e Entroncamento, mas também para a dinâmica empresarial da região centro, enquanto área de operações logísticas que liga fluxos de mercadorias provenientes de todos os eixos viários e ferroviários, defendemos que devem ser avaliadas todas as alternativas possíveis de modo a que a escolha recaia naquela que melhor serve o interesse público – acessibilidade às vias rodoviárias, rapidez, segurança –, mas também o bem-estar e a qualidade de vida da população, concretamente da vila de Riachos, que continuará a ser prejudicada com a passagem de milhares de camiões em áreas urbanas com uma previsão de grande aumento do tráfego”, afirma o texto.

O acordo de gestão entre o município de Torres Novas e a IP foi entretanto alterado, “em concreto a Cláusula 7.ª (comparticipação financeira dos municípios), sendo que agora os custos a suportar (15% do valor total, a que acrescem os custos das indemnizações por expropriação, da iluminação pública, dos arranjos paisagísticos, da sinalização) ficarão na sua grande maioria a cargo do Município de Torres Novas”, refere.

Não se tendo votado ainda em concreto o acordo de gestão (foi apenas revogada uma anterior decisão) o processo, ao fim de um ano, ainda está no ponto de partida. Assim o BE torna a salientar “que o trajecto escolhido é muito prejudicial, pelos motivos já apontados, mas também porque o ordenamento do território deve ter em conta que a rede viária de grande tráfego não deve atravessar áreas residenciais. Entendemos também que para obras desta envergadura e deste valor devem ser ponderadas e avaliadas todas as alternativas e devem prevalecer os interesses gerais do país, no que respeita ao desenvolvimento económico e à garantia da qualidade de vida das populações”.

O BE termina a apelar ao Ministro para que o traçado de ligação às zonas industriais seja objeto de uma nova análise, “com base numa opção racional e com maior projeção a longo prazo”.

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