Torres Novas: Aumenta fiscalização ao rio Almonda e empresas locais

Comissão Municipal de Acompanhamento do Almonda e Secretaria de Estado do Ambiente definiram estratégia para combater poluição. FOTO: mediotejo.net

O Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, esteve durante a manhã de 31 de agosto, quarta-feira, em Torres Novas, tendo visitado a Ribeira da Boa Água com a Comissão Municipal de Acompanhamento do Rio Almonda. Após a visita a Comissão reuniu-se, tendo sido apresentadas várias medidas para combater a poluição. Uma maior fiscalização à bacia, facilitar intervenções de limpeza municipais e criar uma base de dados sobre as empresas do concelho e o tipo de resíduos que produzem foram algumas das medidas apresentadas à comunicação social.

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A conferência de imprensa começou com uma intervenção do presidente da assembleia municipal, José Manuel Trincão Marques, explicando que a Comissão não possui qualquer tipo de poder executivo, apenas de acompanhamento/fiscalização. Na reunião da manhã de dia 31 discutiram-se os vários problemas do rio Almonda, da Ribeira da Boa Água, não esquecendo a Reserva do Boquilobo e as consequências da poluição a nível ambiental e de saúde.

“Esta é uma questão ética acima de tudo”, frisou Trincão Marques. Mas também “um problema económico”, “jurídico” e “constitucional”, uma vez que a defesa do ambiente está prevista na Constituição da República Portuguesa.

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Mostrando expetativa nas medidas acordadas pela Comissão com a Secretaria de Estado do Ambiente, referiu que “este trabalho não se resume à Ribeira da Boa Água, mas toda a bacia hidrográfica do rio Almonda”.

Já Carlos Martins começou por salientar que “ficou evidente um problema ambiental grave”, cujas causas aparentam estar relacionadas com o tecido empresarial torrejano, em particular “uma empresa” que já sofreu “mais de 12 contraordenações nos últimos anos”.

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As ações previstas pela Comissão em conjugação com a Secretaria de Estado prevêem: gestão articulada (Câmara de Torres Novas, GNR, Associação Portuguesa do Ambiente) de monitorização da bacia do Almonda; reforço da fiscalização; criar condições para uma intervenção municipal na Ribeira da Boa Água; regular periodicidade das reuniões em torno deste tema. “Este problema é um problema que merece solução de forma articulada” entre todas as entidades envolvidas, realçou. “Daqui sairão soluções”.

Carlos Martins mencionou ainda a criação de uma base de dados sobre as empresas de Torres Novas e o tipo de resíduos que produzem, de forma a simplificar a identificação do possível poluidor. O Secretário de Estado realçou a importância de este ser um “ponto de partida para concertação de vontades”.

Questionado sobre a dita empresa que tem sido identificada como a que comete mais ilegalidades, Carlos Martins referiu que a “decisão caberá aos Tribunais”, mas que todos os elementos de fiscalização vão contribuir para que haja elementos de prova. “Despistar responsabilidades” será outra das funções da monitorização da bacia do Almonda.

Água poluída “nem para rega agrícola”

Interrogado sobre a sua opinião sobre a poluição na Ribeira da Boa Água, Carlos Martins confessou que já encontrou, ao longo da sua carreira, situações piores. “Mas em 2016 subsistirem problemas  destes” depois de todas as políticas de sensibilização e incentivos às empresas “já não é compatível com um país desenvolvido como Portugal”. A “fiscalização é a ferramenta que temos à nossa disposição”, referiu.

Sobre os efeitos práticos da poluição na vida das populações, o Secretário de Estado explicou que “a toxicidade está associada aos níveis de concentração”. Poucos tóxicos a natureza consegue aceitar, mas há um limite. Os efeitos para a saúde dependem dos tipos de tóxicos que estão na água. Mas a poluição causa prejuízos no uso da água, “nem para rega agrícola”, pode contaminar as águas subterrâneas e provocar o mau cheiro.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Isto já parece o caso do Bes, bpn , bpn, submarinos entre outros onde há dinheiro ninguém toca! !!! Quando estiver mos todos contaminados lá vêm a lamentações!

  2. Hum… Uma empresa?! Cadê as outras? Ou “essa empresa” por não ter o arcaboiço financeiro das outras é o bom bo da festa perfeito para distrair atencoes?

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