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Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
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Torres Novas | António Liberato conseguiu financiamento comunitário para estudar em Amesterdão

O jovem dançarino António Liberato, de Lapas, Torres Novas, conseguiu atingir, e até ultrapassar, o valor do crowdfunding (financiamento comunitário) que tinha a decorrer até 8 de agosto para ajudar a financiar o arranque de um projeto para estudar dança contemporânea em Amesterdão, na Holanda. Segundo adiantou ao mediotejo.net, nos últimos dias houve várias pessoas a contribuir e a campanha atingiu inclusive as 2500 visualizações, o que “foi imenso”, reflete. António parte a 15 de agosto para se instalar em Amesterdão e procurar emprego, sendo que as aulas começam na última semana do mês.

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O valor pedido aos internautas encontrava-se nos mil euros, sendo que António conseguiu angariar 1.245 euros. Parte do montante vai para os encargos da própria página de crowdfunding e impostos, explica, mas mesmo assim resta o suficiente para começar a sua aventura na Holanda, onde o jovem vai integrar um curso inovador de dança contemporânea. “Agradeço a toda a gente” que viu a campanha e contribuiu, afirmou ao mediotejo.net.

António tinha 14 anos e atravessava um período complicado na vida quando os pais lhe propuseram procurar uma atividade extracurricular a que se pudesse dedicar. Já sem saber muito bem o porquê, apontou o interesse na dança. Os progenitores foram em busca das possibilidades que existiam na zona de Torres Novas e encontraram a escola “O Corpo da Dança”, dirigida por Marta Tomé. António foi a uma aula e ficou deslumbrado. Começou assim o seu percurso.

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Sem qualquer experiência anterior na dança, quer clássica quer contemporânea, o caminho inicial não foi feito sem algumas dificuldades, admite, mas António foi gradualmente aprendendo, com especial foco na modalidade de dança contemporânea. A paixão pela área acabou por encaminhá-lo para a licenciatura em Dança, na Escola Superior de Dança, em Lisboa, que ainda se encontra a decorrer.

O curso, porém, não o convenceu, considerando o modelo “antiquado”. O cenário da dança em Portugal também não é entusiasmante, com muitas dificuldades e poucos apoios. Começou assim a procurar alternativas, tendo encontrado um novo bacharelato, a iniciar de raiz, em “Expanded Contemporary Dance” na Academia de Teatro e Dança de Amesterdão. Em maio foi prestar provas e conseguiu ser um dos 22 escolhidos entre 800 candidatos de diferentes nacionalidades. Ao todo foram escolhidos dois portugueses e uma residente em Portugal.

António fala com entusiasmo desta oportunidade e do percurso inovador que espera vir a desenvolver na Holanda. Este programa, explica, designado de “dança expandida”, “procura integrar a dança com outras áreas, como a filosofia”, a anatomia ou a antropologia, entre outras. A aposta, continua, é no desenvolvimento pessoal dos alunos, explorando a interação dos seus diferentes contextos culturais.

Este “cuidado” pelo crescimento “físico e intelectual” de cada aluno cativou António Liberato, que espera ultrapassar os limites do convencionado na área da dança, assim como os seus próprios limites, e ir ao encontro de conhecimento e oportunidades que dificilmente encontraria em Portugal.

Na Holanda existe “um mundo” voltado para a dança completamente diferente do das terras lusas, afirma. Há mais companhias organizadas e mais apoios, enumera. “Quando sair de lá vou saber para onde me dirigir e o que quero fazer”, para além de conseguir ampliar o seu pensamento e, deste modo, afirmar-se como artista. “É brutal”, constata.

Em Portugal, a dança não é “culturalmente muito considerada”. “Tive a sorte de encontrar a Marta Tomé” que encaminhava os alunos para uma grande variedade de modalidades, levando-os a assistir diferentes espetáculos. “Tive a sorte que muita gente não tem, sobretudo a partir de uma cidade do interior”, reflete.

Mas Amesterdão é uma cidade cara, com um nível de vida superior ao do nosso país. Assim, desde 12 de junho e até 8 de agosto, António tinha ativa uma página de crowdfunding (metodologia de financiamento de projetos através de pequenas contribuições individuais via internet) para atingir um topo definido de mil euros.

Este montante destina-se somente a tratar de algumas necessidades básicas da chegada: um seguro de saúde (sendo este obrigatório para residir na Holanda) e que tem que ser pago mensalmente (100 euros mês); despesas iniciais de alojamento (a mensalidade encontra-se nos 500 euros por mês, sendo que António terá que dar uma entrada de três meses).

Definir a dança não é fácil para o jovem dançarino, razão que, de resto, o levo até ao curso holandês. Combater conceções mais fechadas da dança é um dos seus propósitos. “Acho brutal o que a dança pode fazer pelas pessoas, resolver conflitos”, salienta.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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