Torres Novas | Antiga pré-escola de Ribeira Ruiva é a nova sede do “Viver Almonda”

Um espaço que sirva de sede à associação “Viver Almonda”, mas também que permita organizar iniciativas, como exposições ou palestras, em torno dos temas do rio Almonda, das grutas, ou do ambiente em geral. É este o objetivo do “Viver Almonda” ao ocupar a antiga pré-escola de Ribeira Ruiva (união de São Pedro, Lapas e Ribeira Branca), devoluta desde 2011 e agora recuperada pela associação, mediante protocolo com a Câmara de Torres Novas. No sábado, 21 de outubro, o “Viver Almonda” celebrou o seu primeiro aniversário oficial com a inauguração do espaço.

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Sérgio Formiga, um dos representantes da associação, lembrou aos jornalistas que a pré-escola de Ribeira Ruiva foi um edifício construído pelo povo da aldeia, nos anos 80, alguns metros acima da escola primária, atualmente ocupada por uma escola de música. Em 2011, no âmbito da abertura dos centros escolares, ficou devoluta, tendo sido entregue à disposição da junta de freguesia de Ribeira Branca. Não tendo havido interesse na sua utilização, regressou ao município. O “Viver Almonda” solicitou então o edifício à Câmara, com a qual assinou um protocolo.

Uma das primeiras palestras dinamizadas pelo “Viver Almonda” na sua sede incidiu sobre a investigação arqueológica nas grutas do Almonda. Foto: mediotejo.net

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Esta é uma associação que tem, na prática, vários anos, nascida das iniciativas de um grupo de amigos da extinta freguesia de Ribeira Branca em promover descidas de canoa pelo rio Almonda. Em 2016 oficializou-se finalmente a estrutura, que completou este sábado o seu primeiro ano.

“A nossa imagem é garantir o rio desobstruído, pelo que fazemos uma campanha de limpeza e depois organizamos a descida de canoa”, salientou Sérgio Formiga (em 2017 a descida reuniu 410 participantes). Realizam ainda os crosstrails e outros iniciativas desportivas e de promoção da natureza e do rio Almonda. Com os ganhos de alguns dos eventos a associação já conseguiu adquirir um reboque para as canoas, adiantou o responsável.

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“Este espaço vai possibilitar a organização de eventos, como por exemplo palestras sobre ambiente, as grutas, etc, ou exposições”, referiu. Na sua essência, concordou Sérgio Formiga face a uma questão do mediotejo.net, trata-se de um pólo dinamizador do rio Almonda e da defesa da natureza do concelho.

No programa do aniversário, para além da apresentação da sede, estava agendado propositadamente duas palestras. A primeira, pelo professor da Universidade de Trás-os-Montes, Paulo Travassos, incidiu sobre um estudo realizado pela equipa do investigador em torno dos habitats e da biodiversidade do rio Almonda. O docente enumerou a grande quantidade de espécies de seres vivos que existem na zona do rio, das microscópicas aos grandes mamíferos e aves, concluindo que há interesse em manter e promover um espaço com tamanha biodiversidade.

antiga pré-escola de Ribeira Ruiva foi ocupada pela associação “Viver Almonda”, após cedência do município. Foto: mediotejo.net

A segunda palestra foi dirigida pela arqueóloga Filipa Rodrigues, da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), que abordou a investigação que tem sido desenvolvida nas grutas do Almonda nos últimos 30 anos e que resultou na descoberta recente de um crânio humano com 400 mil anos, notícia que fez manchete por todo o mundo. A arqueóloga explicou aos presentes a importância desta descoberta para traçar uma linha cronológica da presença humana na região do Almonda e da própria evolução do ser humano.

Da parte da Câmara de Torres Novas estiveram presentes os vereadores Elvira Sequeira e Carlos Ramos.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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