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Domingo, Agosto 1, 2021

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Torres Novas | Alfarrabista expõe latas de Fátima de Gilberto F.Santos

A livraria alfarrabista de Torres Novas tem em exposição esta semana as latas produzidas em Torres Novas por Gilberto Fernandes Santos, o comerciante que ofereceu a Fátima a imagem de Nossa Senhora que se encontra na capelinha das aparições. Estão ainda expostos os primeiros números do jornal “A Voz de Fátima”, coordenados então pelo Cónego Formigão, não estando disponíveis para venda.

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“Com a colaboração do meu amigo e colecionador Rui Simões, recuperei as raríssimas latas produzidas em Torres Novas pelo Gilberto F. Santos, bem como dezenas de jornais «A Voz da Fátima» desde o seu 1º número de 1922”, informa o alfarrabista Adelino Pires. “Assim quem quiser e puder, poderá aqui no meu espaço e “ao vivo”, ler, ver, mexer (mas não comprar), os invulgares jornais e as famosas latas que marcaram uma época”.

Gilberto Fernandes Santos foi um negociante de Torres Novas, conhecido por ter oferecido a Fátima a sua imagem original de Nossa Senhora, que se encontra até hoje na capelinha das aparições. Segundo um artigo do jornal O Torrejano, da autoria de João Carlos Lopes, Gilberto Santos nasceu em 1892 e foi um empreendedor do seu tempo, já tendo tentado vários negócios, inclusive os de família, aquando os acontecimentos da Cova da Iria, em 1917. Com as aparições a atraírem todo o tipo de comércio, “Gilberto foi a jogo e teria começado, segundo a sua versão, pela obra maior, a oferta da imagem, e só depois poria em pratica outras ideias de negócio”, refere o artigo.

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Gilberto Santos fez pagelas e santinhos, mas o que causou mais polémica foi o negócio da “água de Fátima”, através de “chapas litografadas”, encomendadas possivelmente no Porto, que depois um latoeiro de Torres Novas chumbava, concluindo o objeto. “Foi um visionário”, expõe este artigo, “a venda que se faz actualmente de garrafinhas de “ar de Fátima” deve muito à inovação de Gilberto, há quase cem anos, de imaginar e concretizar elegantes latinhas de água de Fátima, embora água fosse aquilo que de mais raro havia na altura naquele descampado inóspito da Cova da Iria onde nem um poço se vislumbrava num raio de quilómetros”.

Segundo o texto, Gilberto Santos só teve sorte na venda de artigos religiosos, tendo posteriormente ido viver para Lisboa. A fama das suas negociatas envolveu-o nas teorias de conspiração sobre Fátima. “Na tradição popular torrejana, Gilberto teria maquinado o “teatro das aparições” com um espelho de guarda-vestidos, onde desenhou uma boneca e depois, com umas lanternas, “enganou os cachopos”. A má língua popular também inscreveu a teoria de que Gilberto até era inicialmente anarquista, e que esteve no primeiro grupo que colocou bombas na Cova da Iria. E que virou o bico ao prego das suas convicções só com a mira do negócio que anteviu antes de toda a gente. Esta tese do “teatrinho” foi avançada por Tomás da Fonseca: os cachopos viram uma senhora, sim, mas não era senão a mulher do coronel Genipro, que ali andava em missão cartográfica – para além disto, diz Tomás da Fonseca, os pastorinhos viram depois “o que a lanterna mágica projectava sobre a azinheira”.”.

“Gilberto Fernandes dos Santos, que em 1920 viu mais longe ao pensar que uma imagem de Nossa Senhora, com presença frequente na capelinha pobre e rudimentar, seria fundamental para dar colorido às romarias e alegrar os negócios que por ali já floresciam, raramente é lembrado com o devido destaque pela historiografia oficial de Fátima”, conclui.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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