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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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Torres Novas: Adriano Luz emoldura a Arte de Yasmina Reza no Teatro Virgínia

Uma tela branca, €30.000,00 e três amigos de longa data. Estes são os ingredientes de “Arte”, peça premiada de Yasmina Reza que estará em cena no Teatro Virgínia este sábado, dia 7. Adriano Luz é um fã do humor satírico da dramaturga francesa e, no regresso do espetáculo aos palcos portugueses, partilha a encenação com Carla de Sá e a interpretação com Vítor Norte e João Lagarto. Razões de sobra para falarmos com ele sobre a peça que explora os valores da arte e da amizade.

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O dermatologista Sérgio (Vítor Norte) decide comprar uma obra do famoso pintor Antrios. Desembolsa €30.000,00 e aproveita o encontro com dois amigos de longa data para ostentar a sua mais recente aquisição. A franqueza de Mário (João Lagarto), um engenheiro aeronáutico, não deixa margem para dúvidas. A tela completamente branca é uma… treta (citar o termo utilizado seria considerado grosseiro). Os ânimos exaltam-se, a amizade é posta em causa e Ivo (Adriano Luz), o eterno conciliador com a carreira profissional fracassada, tenta acalmar a situação.

Assim se desenrola a peça que granjeou os prémios Moliére, Laurence Olivier e Tony a Yasmina Reza, igualmente conhecida pela adaptação ao cinema de “Deus da Carnificina” por Roman Polanski, em 2011. O sucesso foi igualmente retumbante na primeira passagem de “Arte” pelos palcos nacionais entre 1998 e 2003, levando cerca de 180.000 pessoas a verem António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme em palco.

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Ninguém sabia na altura, mas o regresso do espetáculo à ribalta portuguesa estava vaticinado para mais de uma década depois com o desafio lançado pela produtora UAU a Adriano Luz, um fã assumido de Yasmina Reza. O ator já tinha interpretado a peça “3 Versões de Vida” desta dramaturga francesa no Teatro Villaret (Lisboa), em 2002, com Rita Blanco, Miguel Guilherme e Rita Lello e durante a nossa conversa revelou tratar-se de uma escrita onde se sente bem.

Ao explicar porque razão aceitou a proposta da UAU, Adriano Luz multiplica-se em adjetivos que demonstram a sua admiração pela peça estreada no Comédie des Champs-Élysées (Paris) em 1994. Perante a oportunidade de encenar algo que considera “fabuloso”, de qualidade “inquestionável” e “excelente” a primeira reação foi “partir para o sim” e perguntar “isto é para quando?”.

O “quando” chegou em janeiro deste ano e, segundo o encenador, a adesão do público tem sido “extraordinária”. As camadas mais jovens têm-no surpreendido pela positiva e aproveitam o final do espetáculo para fazer perguntas sobre a “história” que Adriano Luz considera ser “antes de tudo, uma reflexão sobre a amizade” e um “gozo sobre a arte contemporânea”.

O facto de se tratar de um grupo de três homens não gera mais curiosidade no público masculino, assegura, até porque “sente-se na peça que é o olhar de uma mulher”. Yasmina Reza apresenta o universo masculino de forma “tendenciosa” com “um ritmo extraordinário” em que a amizade é posta em causa por um quadro monocromático que Adriano Luz não compraria. Caso algum amigo o fizesse não reagiria como a personagem Mário pois defende que por vezes “uma pessoa não pode dizer tudo”.

A contemporaneidade de “Arte” leva muitas pessoas a assistir novamente ao espetáculo cerca de uma década depois e Adriano Luz acredita que a peça de Yasmina Reza “pode voltar a ser feita daqui a 20 anos” sem perder a sua essência. Nós também acreditamos, mas para já só temos que aguardar até às 21h30 deste sábado para (tentar) descobrir o verdadeiro valor da arte e da amizade.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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