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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Torres Novas | A vitória política do PS, a moral do PSD-CDS e as derrotas de BE e de António Rodrigues

Na sede de campanha de António Rodrigues, que esperava vencer mas acabou por ficar em terceiro lugar, o ambiente era de incredulidade. "Mas como é que isto aconteceu?!"

*artigo atualizado às 14h02 de 27 de setembro de 2021 com as declarações e vídeo do BE e a confirmação da ausência de declarações de António Rodrigues

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*atualizado às 17h57 de 27 de setembro de 2021 com a nota de imprensa do Movimento P’la Nossa Terra

Era o concelho mais indefinido na região e muitos esperavam pelo menos um empate técnico entre o PS e o Movimento P’la Nossa Terra, liderado pelo histórico ex-presidente António Rodrigues. Em vez disso, os socialistas mantiveram a maioria absoluta e a coligação PSD-CDS ficou como segunda força política, deixando um único lugar para os independentes, na terceira posição. O Bloco de Esquerda saiu da vereação. 

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O município de Torres Novas teve disponível, durante a noite eleitoral, uma plataforma online onde, a partir das 20h00, começaram a ser disponibilizados os resultados à Câmara Municipal, à medida que iam fechando as mesas de voto. Assim, não obstante a nível nacional os resultados tenham demorado mais a sair, cerca das 20h30 já se percebia que o PS estava a arrecadar cerca de 50% dos votos.

Pelas 21h00, aquando a chegada do mediotejo.net à sede de campanha socialista, sentia-se já um ambiente de alívio.

Pelas 21h30, ainda com várias mesas por fechar, o PS já cantava vitória, dado estar a alcançar, consecutivamente, cerca de 50% dos votos. (esq-dirt) Joaquim Cabral, Pedro Ferreira e Luís Silva Foto: mediotejo.net

VIDEO | PEDRO FERREIRA, CANDIDATO DO PS EM TORRES NOVAS

A campanha foi renhida. O histórico ex-presidente torrejano, António Rodrigues, durante 20 anos líder socialista neste território, decidira voltar à corrida com um movimento independente e não poupou esforços e investimento em eventos e iniciativas de variada natureza para dar a conhecer a sua candidatura. A equipa, jovem e motivada, mostrava convicção de que estava a lutar pela vitória. 

O clima era por tal de desânimo e alguma incredulidade quando, cerca das 23h00, o mediotejo.net passou pela sede do Movimento P’la Nossa Terra. “Como é que é possível?!”, alguém questionava, num momento em que ainda se lutava pela posição de segunda força política. 

Definido desde cedo o vencedor, foi pelo segundo lugar, por tal, que se deu a luta, com a coligação “Afirmar Torres Novas” a manter a vantagem até perto de fecho das mesas, quando os independentes se aproximaram. No final, o PSD-CDS ficou com mais 57 votos que a equipa de Rodrigues, ambos elegendo um vereador cada para o executivo municipal. 

VIDEO | TIAGO FERREIRA, CANDIDATO PSD-CDS TORRES NOVAS

Apesar da derrota eleitoral, o PSD-CDS obteve uma vitória moral, ficando na frente de um candidato que era dado como potencial vencedor e afirmando-se como segundo força política quando poucos pareciam acreditar sequer que Tiago Ferreira conseguiria distinguir-se entre os sete candidatos.

“É assim que se começa. Agora é trabalhar durante os próximos quatro anos”, vaticinou Arnaldo Santos após os resultados finais, outro ex-presidente de Câmara que concorreu como cabeça de lista à Assembleia Municipal pelo PSD-CDS.

“Obviamente que esperávamos mais”, admitiu Tiago Ferreira ao mediotejo.net, frisando ter feito “uma campanha limpa” que quis marcar pela diferença. “Acho que as pessoas reconheceram isso”, disse. Ficar na frente do “colosso” António Rodrigues teve a sua satisfação, reconheceu, frisando que “agora é tempo para refletir” e trabalhar pela população.

O PSD-CDS teve ainda uma vitória ao nível das freguesias, vencendo a candidatura de Rui Nunes à União de Freguesias de Olaia e Paço.

Na sede do movimento independente de António Rodrigues reinava a incredulidade Foto: mediotejo.net

António Rodrigues remeteu as declarações à comunicação social para um comunicado de imprensa a ser lançado posteriormente. No texto, divulgado na segunda-feira, dia 27, o Movimento P’la Nossa Terra assume a derrota, admitindo que esperava, pelo menos, tirar a maioria absoluta ao PS. “No seu todo o Movimento elegeu 19 elementos; 1 para a Câmara, 4 para a Assembleia Municipal e 14 para as Assembleias de Freguesia. Apesar de tudo isto, os Torrejanos entendem que Torres Novas segue o caminho certo e, por isso, mantiveram a actual gestão autárquica. Só há uma conclusão a retirar: aceitar e respeitar”, refere.

Na sua sede de campanha, o ambiente era de estupefação. Não só não ganharam, como acabariam por ficar em terceira posição, com 16,58% dos votos.

Já depois da meia noite e os resultados fechados, António Rodrigues falou à equipa. O movimento elegeu um vereador e quatro deputados municipais e tem agora que mostrar as suas capacidades na oposição. Sobretudo, como constatou o autarca, com a saída de Helena Pinto (BE) da vereação, que constituía a voz mais forte do elenco. “Hoje não ganhámos, mas Torres Novas está lixada. O tempo vai dar-me razão”, desabafaria, à medida que iam analisando os diferentes resultados e comparando com os de 2017.

Na sede do PS, o reeleito presidente Pedro Ferreira chegou cerca das 22h00 já com a convicção da vitória e da maioria absoluta. A dúvida que permanecia era se seria possível chegar ao quinto vereador, o que veio a efetivar-se. Entre abraços e suspiros de alívio, soltou-se um “Deus é grande” e cantaram-se músicas de parabéns à força de Pedro Ferreira.

“Foram umas eleições absolutamente diferentes”, confessou o autarca, que vai já na sua oitava eleição (as cinco primeiras eleito vice-presidente). O grande número de candidatos e algumas “surpresas” de percurso faziam antever um resultado diferente do alcançado este domingo, mas Pedro Ferreira afirmou que foi acreditando na vitória.

Tiago Ferreira (centro) conseguiu posicionar-se como segunda força política Foto: mediotejo.net

“É o último mandato, é um orgulho para mim” a reeleição, admitiu, agradecendo esta “oportunidade de continuar a dar o melhor pela minha terra”. Espera assim que a oposição contribua para que a câmara tenha bons resultados, reconhecendo não ter a certeza que António Rodrigues venha mesmo a assumir o cargo de vereador.

Pedro Ferreira venceu com 45,27% dos votos e elegeu cinco vereadores, seguido do PSD-CDS com 16,90% dos votos e um vereador e o Movimento P’la Nossa Terra com 16,58% dos votos e um vereador. Na Assembleia Municipal, os socialistas conquistaram 10 deputados (41,38%), o PSD-CDS quatro (18,72%), o Movimento P’la Nossa Terra outros quatro (15,15%), o Bloco de Esquerda dois (7,91%) e CDU um (7,38%).

Quanto às freguesias, Assentis permanece independente, com a reeleição de Leonel Santos. Do mesmo modo, o PS reelegeu Júlio Clério (São Pedro/Lapas/Ribeira Branca), Pedro Morte (Santa Maria/Salvador/Santiago), Manuel Júnior (Brogueira/Parceiros de Igreja/Alcorochel), Paulo Simões (Pedrógão), João Cassis (Zibreira) e Alfredo Antunes (Chancelaria).

Pereira Jorge (PS) ganhou nos Riachos, José Couteiro (PS) na Meia Via e Rui Nunes (PSD-CDS) tirou a União de Olaia e Paço aos socialistas.

vídeo da autoria do Bloco de Esquerda de Torres Novas

Quem também sai derrotado é o Bloco de Esquerda (BE), com Helena Pinto a sair do executivo camarário. A ainda vereadora só obteve 6,88% dos votos (1.195 votantes), cerca de metade do que teve em 2017. 

Num vídeo divulgado esta segunda-feira, dia 27, nas redes sociais, a autarca refere que “fechou-se um ciclo” na Câmara de Torres Novas, oito anos em que o Bloco de Esquerda foi uma presença permanente e forte na oposição. “Foi uma derrota que assumimos com humildade”, reconhece, constatando que o partido recuou no sentido de voto quando tudo parecia indicar que iriam manter o lugar na vereação. “Estávamos à espera de mais”.

Helena Pinto adianta que cumprimentou Pedro Ferreira e que o Bloco de Esquerda vai continuar ativo, a fazer o seu trabalho. Entretanto foram eleitos dois deputados municipais e vogais nas freguesias de Meia Vida e nas duas uniões de freguesias da cidade de Torres Novas. “A participação é muito mais que os órgãos autárquicos”, conclui Helena Pinto, agradecendo assim todos os que a apoiaram.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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