Quarta-feira, Março 3, 2021
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Torres Novas | A noite em que Mário Soares e Zeca Afonso não receberam votos de pesar

Foi agitada a noite da assembleia municipal de Torres Novas para a memória do músico Zeca Afonso e do ex-Presidente da República Mário Soares. Na quinta-feira, 23 de fevereiro, o BE e a CDU quiseram admitir na Ordem de Trabalhos três moções, todas recusadas por maioria. As do BE referiam-se à memória de Zeca Afonso e Mário Soares, o que acabaria por desencadear um debate sobre o aproveitamento político de ambas as figuras.

O presidente da assembleia municipal, José Trincão Marques, alertou que as moções tinham que chegar até cinco dias antes da assembleia municipal para serem integradas na Ordem. Caso contrário sujeitam-se à votação para admissão. BE e CDU não terão cumprido o prazo, mas a rejeição por maioria da admissão de moções que lembravam figuras da luta pela liberdade deixou indignados os deputados.

O texto do BE relativo a Zeca Afonso lembrava que assinalava-se naquele dia, 23 de fevereiro, “o 30º aniversário da morte de José Afonso, poeta, cantor e compositor que marcou, como nenhum outro, a música da segunda metade do século passado no nosso país, e que ainda permanece como figura inspiradora de novas gerações de músicos das mais variadas tendências musicais que fazem da sua obra uma fonte inesgotável de possibilidades criativas”.

“Em Abrantes está prevista a realização de uma exposição biográfica de José Afonso, assim como estão anunciadas iniciativas em Tomar e Santarém. A Assembleia Municipal, recomenda que o município de Torres Novas se associe a esta iniciativa de âmbito nacional e que, através dos serviços de programação cultural da câmara, considere a realização de um evento alusivo à obra de José Afonso e que integre, assim, o movimento nacional que mobiliza muitos municípios portugueses e instituições culturais portuguesas”, propunha o documento.

O texto não chegou a ser votado porque a maioria dos deputados municipais votou contra a sua admissão, nomeadamente a bancada socialista, mas com várias abstenções do PSD. O mesmo sucederia com uma proposta relativa a um voto de pesar sobre o falecimento de Mário Soares, que o deputado João Lopes explicou ter chegado fora de prazo porque se aguardou até ao último instante uma proposta do PS. Essa alusão estava prevista, explicaria a bancada socialista, mas em forma de intervenção na parte da Ordem dedicada às intervenções de interesse público.

As críticas à não admissão destas propostas a votação vieram tanto da esquerda como da direita, com José Luís Jacinto (PSD) também a lamentar a atitude da maioria. O aproveitamento politico das duas figuras geraria alguma discussão, nomeadamente por se ter apelado a que a comunicação social fizesse notícia do sucedido. A troca de palavras só terminaria com José Trincão Marques a acalmar os ânimos, elogiando nomeadamente o papel social de Zeca Afonso.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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