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Torres Novas | A Feira Medieval que continua a (querer) reinventar-se (c/vídeo/fotos)

Na sua nona edição, a Feira das Memórias da História de Torres Novas tornou a aumentar, com a oferta a readaptar-se à temática da saúde medieval, focada no final do século XV e no reinado de D.João II (entre 1481-1495), por meio da imagem do físico-mor, Mestre António.

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Há pormenores que só quando apontados se tornam percetíveis, mas que demonstram o cuidado colocado na recriação histórica e na fundamentação de uma Feira Medieval/de Época que necessita de se reinventar ano após ano para continuar a atrair curiosos e a crescer, impondo-se em termos de qualidade às suas congéneres da região, sendo uma das mais bem conseguidas do país. 

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As Piscinas Municipais estão a meio gás este fim de semana. No primeiro andar do edifício, localizado no Jardim das Rosas, decorre a maquilhagem dos atores que vão dinamizar o Postigo da Traição, o célebre túnel no Castelo de Torres Novas que recria os excluídos da sociedade da época medieval/moderna (prostitutas, doentes, vilões, larápios, pobres no geral) e que se tem tornado a verdadeira alma do evento, formando todos os anos longas filas de espera. O Postigo é na prática uma espécie de “Casa Assombrada” medievalesca, cuja atração resulta dos atores interagirem logo à entrada com o público, muitas vezes provocando-o, e trazendo-o para dentro do espírito da Feira.

A coordenação do Postigo está a cargo, desde o início das Memórias da História em 2010, do grupo de teatro TEN_TART. Patrícia Caeiro, a coordenadora, lembra ao mediotejo.net que a equipa foi convidada a desenvolver um conceito para o túnel do Castelo. “Era nos túneis que se escondiam os marginais, pelo que acaba por ser um túnel de terror”, constata, com uma interpretação nova a cada visita, uma vez que a interação é livre, ao estilo do teatro de rua.

A ideia foi um sucesso desde o primeiro ano e tem-se tornado o coração da Feira. “Fomos ampliando e tentando adaptar” às diferentes temáticas, uma vez que por vezes o foco é ainda na Idade Média (séculos V a XV) e mais recentemente tem transitado para figuras que viveram já no tempo dos Descobrimentos, a Idade Moderna (finais do século XV à Revolução Francesa, em 1789).

Os voluntários, sobretudo um público jovem, tem crescido assim com o Postigo, alguns dos quais já se tornaram “verdadeiros atores”, comenta. “As pessoas gostam muito de ter medo. Nós fazemos intervenção direta com o público e o público acaba por entrar na trama e tem vontade de voltar a ver. Cada momento é irrepetível”, afirma.

O ano que mais a marcou foi o dedicada à Rainha Santa Isabel, em particular o momento em que o cortejo nobiliárquico passou pela zona dos pobres. “Foi um trabalho de recriação com muita qualidade”, recorda.

Entretanto vão chegando sempre novos voluntários. Radija Barroso, 14 anos, participa na Feira há quatro anos. Primeiro esteve nos jogos tradicionais, mas rapidamente percebeu que queria algo com mais ação. O Postigo teve essa capacidade de atração, pela forma como se arranjavam os atores e interagiam. No ano seguinte começou a voluntariar-se para o túnel do Castelo.

Ao mediotejo.net, Radija confessa que o que a motiva a voltar todos os anos é toda a experiência dos bastidores da Feira. “É a experiência por trás e a experiência de proporcionar às pessoas o que me proporcionaram a mim. É também a experiência teatral, que nos pode ajudar no futuro”, reflete.

Este ano fará de larápia. Vai andar de volta das pessoas, surgindo do nada, com agilidade, assustando os mais incautos. “Com o nosso corpo mostramos que queremos roubar”, explica. Todos os anos o TEN_TART faz uma formação de alguns dias para ensinar aos voluntários alguns princípios de teatro e de incorporação do personagem. Radija gostava de ser atriz, mas admite que não vê futuro na profissão.

Maria João Castelão, 12 anos, participa na Feira pelo segundo ano e é a primeira vez que estará no Postigo da Traição. O seu papel é o de doente de peste aprisionada, razão pela qual todo o seu rosto e zonas do corpo visíveis estão repletas de chagas e furúnculos. A maquilhagem é, de resto, bastante profissional e chega a causar alguma náusea aos mais sensíveis.

“É uma experiência boa, interessante”, refete. “Divertimo-nos e participamos. Se ninguém participar, ninguém faz a Feira”, comenta.

Torres Novas | "ospitall" é a novidade de uma feira dedicada à saúde medieval

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

Este ano a grande novidade do certame é o “Ospitall”, a recriação de um hospital do século XV, situado nas traseiras da Câmara Municipal. A ideia surge no âmbito da temática em torno de Mestre António, o físico-mor do rei D.João II, e a saúde na transição da época medieval para a época moderna. Chagas, ossos partidos, peste negra, loucos, corcundas, médicos e curandeiros, com o trajes típicos do combate à peste, compõem o cenário que o mediotejo.net pôde observar aquando o ensaio prévio na quarta-feira, 30 de maio.

Até dia 3, domingo, Torres Novas está de regresso ao século XV, numa feira que se estende da Praça 5 de Outubro ao Jardim das Rosas, subindo e descendo a colina, com dinamização musical, restauração (foi distribuído aos comerciantes a lista com os alimentos próprios da época, excluindo-se os que eram desconhecidos. Não há copos de plástico) e os já tradicionais dromedários.

Acrescentou-se mais um dia ao evento, que vai contar também com um “Baile de Petizes”, marcando o Dia Mundial da Criança (sexta, dia 1, pelas 21h00, na Praça 5 de Outubro).

Um prejuízo relativo

Em 2016 a então Feira Quinhentista deu um prejuízo de 125 mil euros, facto que gerou críticas à gestão municipal. Este ano o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, não acredita que se atinja tal número, antevendo-se nova subida de visitantes, ultrapassando-se os 75 mil.

Para o executivo municipal, a Feira de Época traz um valor acrescentado de dinamismo económico e social, que ultrapassa um eventual prejuízo nas contas Foto: mediotejo.net

Tornar a Feira bianual e gerir melhor o défice nas contas são sugestões/críticas que têm surgido em torno do evento Memórias da História. Pedro Ferreira refuta ambas as perspetivas, salientando que o que se pretende é o aumento da criatividade e da participação, numa iniciativa que procura ter um valor para além do monetário.

“O prejuízo não é assim tão grande”, comenta ao mediotejo.net, dando como exemplo a venda de pulseiras de entrada, que este ano já está próxima dos 100 mil euros. “Não fazemos isto pelo lucro”, argumentou, mas por toda a dinâmica que se cria em e em torno de Torres Novas, numa iniciativa que envolve a população e as associações do concelho.

“Este evento tem, como outros, um défice social. Trata-se de promover o concelho”. Ao mesmo tempo, adiantou, os custos ajudam a beneficiar outras iniciativas, nomeadamente o que é investido em património (mesas, cadeiras, equipamentos de som, etc). Por tal, “o prejuízo não é uma catástrofe para o orçamento municipal”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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