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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021
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Torres Novas | “A agricultura da região está a ser alterada porque não temos mão de obra”

Agricultura intensiva, agricultura regenerativa, o biológico e o agroturismo, automatização e falta de mão de obra qualificada foram alguns dos temas que passaram pela mesa de debate da “Oficina de Agricultura e Desenvolvimento Rural”, uma iniciativa que decorreu na sexta-feira, 7 de maio, no Museu Agrícola de Riachos, integrada nos eventos do projeto “Da Serra ao Rio”, dinamizado pela ADIRN – Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, em colaboração com o município de Torres Novas e parceiros locais. Os agricultores foram convidados a falar e deixaram um cenário de preocupação com o futuro. 

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Criar redes e promover a agricultura como fator de dinamização do turismo local foi o mote lançado à discussão, mas rapidamente o tema ficou em segundo plano, mostrando que o turismo é a menor das preocupações dos agricultores da região.

A agricultura está a mudar, é difícil e cada vez mais exigente, com grandes custos e pouco lucro. Os novos modelos de intervenção na terra, como a agricultura regenerativa, ainda pouca expressão têm na região e estão demasiado longe dos métodos de trabalho de quem já trabalha no setor há gerações. 

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Este foi o debate que se estabeleceu entre os três empresários agrícolas que estiveram presentes: Bernardo Spínola, da empresa Fazendas – Organic Farming, e Carlos e António Graça, da Agro – Graça.

Bernardo Spínola criou a sua empresa em Tomar e tem-se focado nos últimos anos no modelo de agricultura regenerativa, que, de forma resumida, promove práticas agrícolas que não exploram em excesso a terra, permitindo a recuperação do ecossistema. Não é a agricultura tradicional, embora use algumas das suas técnicas, sendo que o empresário se foca também em produtos biológicos. 

Na quinta de Bernardo Spínola, referiu, “não há nenhuma intervenção que não seja ecológica”, acreditando que é assim que cria competitividade no mercado. “O saldo é positivo”, referiu após uma breve exposição do projeto, salientando que está a ser uma “grande aventura”.

A família Graça, com uma empresa instalada há 50 anos em Riachos, Torres Novas, não traçou um cenário tão otimista. Elogiando a iniciativa e os novos modelos seguidos por Bernardo Spínola, Carlos Graça constataria porém que dificilmente as empresas já instaladas no mercado vão trocar o modelo de agricultura intensiva por outras práticas, ainda que mais sustentáveis. O conceito é o lucro e terão que existir outras transformações para que esse caminho seja feito.

Já o pai, António Graça, constatou a degradação da agricultura, com preços cada vez mais altos na produção e lucros cada vez mais reduzidos. “A agricultura não vai por este caminho muito longe”, refletiu, constatando que atualmente o setor está a voltar-se para a plantação de hectares de nogueiras e amendoeiras. “A gente às vezes não percebe” certas tendências, admitiu.

O filho, Carlos, retomou então a palavra, pedido a atenção das entidades presentes. “Temos que nos organizar e associar para enfrentar as necessidades do mercado”, frisou. Apelou também a que se comece a apostar numa aproximação aos jovens, salientando-se a importância da agricultura.

“Para não acontecer o que aconteceu no Algarve”, frisou, referindo-se ao problema com a imigração ilegal de asiáticos. “A agricultura na região está a ser alterada porque não temos mão de obra”, nomeadamente a especializada, que potencie o setor. “Temos que ser valorizados.”

O caminho da agricultura intensiva está a enveredar por uma automação quase total do processo. Parte do impulso à automação, explicou, deriva da perda de recursos humanos especializados. “Os estrangeiros são a nossa salvação”, admitiu, porque também não há mais margem de lucro para pagar bons ordenados.

“Temos que dar condições aos nossos imigrantes”, defendeu, mas para isso a agricultura precisa de ser valorizada de outra forma.

Presente na sessão, José Luís Jacinto, presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola do Ribatejo Norte, refletiu que são muitos os casos de insucesso de empreendedores agrícolas que vêm das cidades. “Muita gente estragou a vida com dívidas nesse sonho”, comentou, uma vez que “a agricultura é algo de difícil retorno” e “chegar ao mercado é difícil”.

“Ser agricultor será sempre ser resiliente”, referiu. Adiantou, porém, que a agricultura dita sustentável tem muito pouco crédito mal parado.

Sobre o agro-turismo, o empresário Pedro Rebelo Lopes deixou o alerta: as experiências que se procuram prendem-se sobretudo em “ver o mundo vivo”. “As pessoas querem integrar-se e experimentar”, frisou, contrariando assim algumas ideias expostas na sessão sobre a dicotomia campo/cidade e a procura, sobretudo, por gastronomia. 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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