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“Tontices sobre as vacinas contra a covid-19”, por Duarte Marques

Se os últimos tempos têm sido terríveis para a desinformação ao nível das vacinas contra a COVID-19, a verdade é que apesar de todas as vicissitudes, a vacina, ou as vacinas, são uma vitória fantástica da nossa geração, da nossa comunidade internacional. Nunca como agora foi possível encontrar, em menos de 1 ano, uma, ou várias vacinas, para uma pandemia em curso.

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Ora, se hoje há dúvidas – que até à publicação deste artigo serão esclarecidas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) – é porque precisamente a vacina da AstraZeneca, tal como as outras, foram feitas em tempo recorde e fora dos tempos habituais que trazem mais conforto, mais confiança e mais ponderação na sua aplicação.

Apesar dos testes rigorosos da AMA e das outras agências, é normal que a confiança dos consumidores e dos poderes políticos seja menor do que em outros casos como a vacina do sarampo ou da gripe. Ou seja, esta dúvida suscitada é perfeitamente normal pela “juventude” da vacina. Muitas outras vacinas têm contraindicações ou efeitos secundários piores e não é por isso que a sua aplicação é suspensa. É precisamente pela sua juventude que os Governos e as pessoas têm receios e preferiram parar.

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Diria que a suspensão da vacina não deveria ter ocorrido por decisão política já que a evidência científica não recomendava a suspensão. Mas percebo a cautela do Governo português. Mas aproveito este artigo para desfazer alguns disparates que têm sido ditos sobre a gestão europeia deste processo.

Em primeiro lugar, se não fosse o investimento da UE na investigação deste tipo de vacinas jamais teríamos uma vacina em menos de 3 ou 4 anos. Quer as vacinas europeias, quer a da Moderna nascem de projetos financiados pela UE. Já a vacina russa e a chinesa não se livram da fama de alguma espionagem industrial que esteve na origem dos seus métodos. Para saber mais sobre este investimento da União Europeia leia aqui https://expresso.pt/blogues/blogue_sem_cerimonia/2020-12-29-A-derrota-dos-radicais-e-o-papel-da-UE

Em segundo lugar, se não fosse a intervenção precoce da Comissão Europeia, os custos das vacinas seriam astronomicamente maiores para cada um dos países se as comprassem individualmente.

Em terceiro lugar, se não fosse o método de distribuição centralizada na Comissão Europeia, provavelmente todos os alemães, franceses e belgas estariam já vacinados e na melhor das hipóteses os idosos portugueses começariam a receber as suas primeiras vacinas lá para janeiro de 2022.

Em quarto lugar, no que diz respeito às patentes, só quem desconhece esse processo é que acha possível “rebentar” direitos sobre patentes quer de empresas quer de universidades. Se o argumento é “acelerar” o processo de produção isso é ainda mais estúpido, porque mesmo as empresas privadas já licenciaram outras empresas e laboratórios para produzirem as suas vacinas e assim aumentarem drasticamente a capacidade de produção.

Em quinto lugar, e não menos importante, muito disparate se tem dito sobre o secretismo dos contratos entre a Comissão e as empresas que produzem vacinas. Esses contratos não são secretos e já foram na sua plenitude colocados à disposição dos Eurodeputados para consulta. Recordo que qualquer contrato deste género com empresas privadas têm as suas clausulas de confidencialidade sobretudo ao nível da propriedade intelectual e de concorrência por exigência das próprias empresas.

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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