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Quarta-feira, Janeiro 19, 2022
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Tomar/Sara Costa | “Ter a oportunidade de contribuir para a melhoria da minha cidade é um enorme privilégio”

Engane-se quem pense que é apenas uma cara bonita. Quando em 2013, ingressou na lista do PS Tomar à Câmara de Tomar, encabeçada pela Anabela Freitas, Sara Catarina Marques Costa já tinha deixado para trás um árduo percurso político. Com apenas 28 anos chegou à vereação do executivo municipal de Tomar, em novembro de 2016, após Rui Serrano ter renunciado ao cargo. Um convite que poderá ter sido, para si, algo inesperado uma vez que surgiu após três elementos da lista do Partido Socialista (PS) à Câmara terem recusado o lugar.

Vereadora sentiu o apelo da política com apenas 12 anos Foto: D.R.
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Sara Costa nasceu a 15 de agosto de 1989 no antigo hospital de Tomar, na Av. Cândido Madureira. Jurista de formação, antes de aceitar o desafio da vereação na Câmara Municipal de Tomar trabalhava num escritório de advogados em Lisboa pelo que agradece a oportunidade que teve em voltar à sua terra e poder contribuir para a melhoria da sua cidade.

Na Câmara de Tomar, ficou responsável pela Divisão dos Assuntos Jurídicos e Administrativos, tendo esta escolha por base a sua formação académica e profissional. “A presidente (Anabela Freitas) considerou que poderia ser uma mais-valia nesta área, visto estar a estagiar num escritório que trabalhava com algumas câmaras municipais do país, e confesso que essa bagagem está a ser bastante útil no meu dia-a-dia”, observa.

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O mais gratificante para a jovem vereadora passa por trabalhar em Tomar e em prol da sua terra. “Sempre me assumi uma apaixonada por Tomar. Na faculdade os meus colegas eram obrigados a ouvir a história de Tomar e as suas lendas, alguns até já as sabiam de cor. Ter a oportunidade de voltar a casa e poder contribuir para a melhoria da minha cidade é um enorme privilégio”, destaca.

A discursar durante um evento da “família socialista” Foto: D.R.

Desde muito cedo que Sara sentiu o apelo de poder fazer algo para construir um mundo melhor. “Não sei desde quando surgiu o meu bichinho para a política. A minha mãe conta-me que nas legislativas de 2002, ou seja, com apenas 12 anos, procurava persuadir familiares mais próximos a votar na personalidade que eu queria. No 12º ano, escrevi-me para a disciplina (opcional) de ciência política, no entanto não vi essa escolha realizada pois não abriram turma por falta de alunos, tendo entrado somente na minha 3ª opção, sociologia”, conta ao mediotejo.net numa entrevista realizada por e-mail, devido a uma agenda cheia de compromissos.

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Durante o seu percurso académico, vivido numa universidade dita de direita, o seu gosto e apetência pela política foi notado por vários professores, dos quais destaca a professora e deputada Teresa Leal Coelho, pela qual nutre uma enorme estima e admiração. “Tanto a professora como os meus colegas foram incansáveis na sua demanda de me tentarem persuadir para os ideais da direita, chegando mesmo a darem-me fichas de militância de outras forças e juventudes partidárias, mas estava convicta dos meus ideais de esquerda e da minha veia socialista”, recorda.

A jovem vereadora no dia em que se estreou nas reuniões de executivo camarário Foto: mediotejo.net

A entrada mais a sério na política dá-se, no entanto, em 2010 quando, por sua própria iniciativa, entrou em contacto com o agora deputado Hugo Costa, que desconhecia por completo, na altura presidente de Federação da Juventude Socialista de Santarém e pediu-lhe para ingressar naquela que considera uma grande família. “Esta escolha teve por base a minha enorme paixão por Tomar aliada a um sentimento de revolta, relativamente ao marasmo e destruição diária que todos os tomarenses assistiram durante os anteriores executivos camarários do PSD”, sublinha.

Em 2011, o amigo Nuno Ferreira avança para a liderança da JS Tomar, projeto do qual fez parte desde a primeira hora. Passado um ano foi convidada a integrar a mesa na Comissão Política Distrital da JS, presidida pelo Bruno Gomes (atual candidato pelo PS a Ferreira do Zêzere), como 1ª secretária. Nesse mesmo ano realizou-se o XVIII Congresso Nacional da JS onde foi eleita para a Comissão Nacional, embora como suplente. Em 2013, ingressou na lista do PS Tomar à Câmara de Tomar, encabeçada pela Anabela Freitas.

Para Sara Costa, o ano de 2015 foi um tempo “de afirmação e reconhecimento”, uma vez que  abraçou o desafio de liderar a JS Tomar. Na ocasião, houve apenas uma lista única apoiada por todos os militantes e ex-militantes da JS, que fizeram questão de demonstrar o seu total apoio, tornando o café Claustro, em Tomar, num espaço demasiado pequeno para acolher tantos apoiantes. “Entrei para o secretariado do PS Tomar, e neste mesmo ano, no XIX Congresso Nacional da JS, fui a 3ª mulher da lista da Comissão Nacional e encabecei a lista pela Federação de Santarém”, refere.

A discursar no almoço comemorativo dos 40 anos da ACR da Linhaceira, naquela que foi a primeira vez que representou o município Foto: mediotejo.net

Finalmente, no ano de 2016, decorreu o Congresso da Federação da JS onde manteve todos os lugares, à exceção da Comissão Política Distrital do PS onde passou a membro efetivo. No XX Congresso Nacional da JS foi eleita para a Comissão Nacional do Partido Socialista, passando assim Tomar a contar com dois membros, pois o deputado Hugo Costa já fazia parte.

“Os lugares devem ser ocupados não tendo em conta géneros mas sim mérito”

Para Sara Costa, falar sobre a participação da mulher na vida politica “é deveras uma questão delicada. Na JS houve uma fase em que existiu acentuado decréscimo de mulheres, talvez por este meio ainda ser um mundo muito de homens em que ainda a mulher sofre alguns estigmas. Sou contra a lei da paridade e 100% a favor da “meritocracia”, pois os lugares devem ser ocupados não tendo em conta géneros mas sim mérito, todavia não sou dogmática e apesar de ser contra é notório que ainda faz sentido, assim como, infelizmente, ainda faz sentido o Dia da Mulher e a existência de um Departamento das Mulheres Socialistas”, refere.

Para a vereadora socialista, “a mulher ainda hoje tem um caminho mais dificultado e penoso comparativamente aos homens, sendo necessário dar mais provas como se fosse um ser menos dotado de inteligência, contudo, ressalvo, que não é só na política que isto acontece”.

A visitar a “Casa da Democracia”: a Assembleia da República Foto: D.R.

“Creio que a mulher é uma mais-valia para a política. Ora vejamos, enquanto o homem consegue ser mais prático olhando para um caso e resolvendo-o a régua e esquadro, a mulher, por sua vez, olha para o caso num todo tendo uma sensibilidade imprescindível e fulcral para a posterior aplicabilidade. Não podemos também olvidar da sua persistência na resolução de dificuldades, só descansamos quando vemos algo resolvido e enquanto não estiver resolvido a nossa resiliência não nos deixa baixar os braços”, defende.

“Vivemos na era do desinteresse, da desmotivação, do facilitismo”

Relativamente à participação dos jovens na política, Sara Costa considera que é grave a crise de valores que coexiste nas gerações mais novas. “Vivemos na era do desinteresse, da desmotivação, do facilitismo. Este último governo de Passos Coelho, cometeu uma enorme barbaridade com os nossos jovens, retirou-lhes a capacidade de sonhar. Se o sonho comanda a vida, o que motiva os nossos jovens?! Neste sentido é fácil de perceber o alheamento dos nossos jovens face à política”, considera.

Para a vereadora, também o enorme comodismo é uma das causas de desinteresse.

“É mais fácil criticar sentados no sofá do que abdicar dos momentos em família, com amigos, namorado(a) e sair do conforto do nosso lar e ir lutar pela reposição de uma realidade onde seja possível continuar a sonhar. Nós, jovens da JS, temos total consciência que não conseguiremos alcançar a realidade utópica que tanto almejamos, mas não baixamos, nem baixaremos os braços em restituir aos jovens a capacidade de sonhar e dar-lhes um amanhã melhor, aliás “podemos não conseguir mudar o mundo mas podemos contribuir para mudar parte dele” (AJS) e se assim for, já valeu a pena”, resume.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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1 COMENTÁRIO

  1. Boa reportagem/ entrevista.
    Espero que a senhora Sara Costa, possa ainda melhor representar o concelho de Tomar futuramente, talvez como presidente ou pelo menos embaixadora do concelho para o promover nacional e internacionalmente.
    Para já estão realmente a aproveitar bem as suas capacidades na área da advocacia, que espero consiga executar exemplarmente, embora reconheça que com o manto de retalhos que são as leis criadas pelos humanos tal possa ser difícil muitas vezes… quando nem os juristas de topo se entendem!

    Quanto aos valores morais, estes tem de ser baseados na Verdade, e para se basearem na Verdade tem de a conhecer… quantos a conhecem de facto? Poucos. Quantos a cumprem rigorosamente? Que tenha conhecimento: ninguém. Assim se afiguram tempos difíceis para Portugal e para os portugueses… pois quem não vive de acordo com as leis da Natureza obviamente não é auxiliado por esta e como tal tudo lhes é dificultado até à completa impossibilidade de viver a determinado ponto. Para tal ponto caminhamos.

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