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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Tomar | Vila Galé quer avançar com hotel no Convento de Santa Iria em 2022

O grupo Vila Galé pretende avançar no segundo trimestre de 2022 com um projeto em Tomar de conversão do Convento de Santa Iria e do ex-Colégio Feminino para um Hotel, na zona histórica da cidade e junto ao Nabão. A par deste investimento, também prevê prosseguir com nova unidade hoteleira nos Açores e avançar com nova unidade hoteleira para crianças no Alentejo. A informação foi avançada à agência Lusa pelo presidente, Jorge Rebelo de Almeida, que afirmou que os projetos estavam previstos antes da crise trazida pela pandemia de covid-19 e o arranque dos mesmos acontece porque são um grupo “otimista”.

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“Acredito que estamos no bom caminho, que no próximo ano vamos consolidar a recuperação do turismo”, afirma, ao mesmo tempo que quando questionado pela evolução das receitas diz que “vai ser um ano fraco”, até porque são 12 meses e no final de 2021 “praticamente” só se terá “trabalhado bem um mês”, o de agosto.

Sem concretizar, acrescentou que o volume de negócios do grupo acumulado em agosto, em Portugal, subiu 22% face a 2020, mas caiu 57% relativamente a 2019.

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“Abrimos quatro hotéis durante a pandemia, em Alter do Chão, Manteigas, Serra da Estrela e no Douro (o Vineyards). Fizemos a sede da Vila Galé em Oeiras e uma central de fruta no Alentejo. Neste momento, temos preparado para arrancar no segundo trimestre – como somos otimistas –, mais um conjunto de projetos para lançar no próximo ano, se a situação melhorar, como esperamos”, afirmou o responsável.

“Mas precisamos que o país comece a crescer”, reforçou.

Os novos projetos em causa são um hotel nos Açores, em São Miguel, Ponta Delgada, que já está aprovado, um projeto de hotel para  crianças no Alentejo – o Vila Galé Nep Kids, e a construção da unidade hoteleira de Tomar, recentemente aprovada, no Convento de Santa Iria e antigo colégio feminino. Já o hotel para as crianças nascerá na herdade da Santa Vitória, perto de Beja, onde já existe o hotel Vila Galé Clube de Campo, bem como a adega e o lagar dos vinhos e azeites Santa Vitória.

O responsável não quis apontar valores de investimento, mas já havia indicado em entrevista ao jornal Expresso que no projeto para Tomar estaria em causa um investimento de cerca de 10 milhões de euros.

Comentando a atividade do grupo durante o verão, época alta, Jorge Rebelo de Almeida refere que este “foi marcado pelo mês de agosto, que foi realmente bom”, sobretudo, porque – acrescenta – “os portugueses superaram as expectativas”.

“O julho acabou por ser fraco depois da decisão do Reino Unido de nos colocar na zona vermelha, o agosto, sobretudo com o grande apoio e ajuda dos portugueses que este ano cresceram – apesar de talvez sermos o grupo com maior quota de mercado nacional –, excedeu as expectativas, acabando o agosto como francamente bom porque tivemos bons níveis de ocupação”, assume.

Em termos de regiões, Jorge Rebelo de Almeida diz que onde se “trabalhou bem, bem, foi no Algarve”, mas também o Alentejo e a região de Lisboa.

No verão, o grupo manteve todas as unidades em Portugal abertas, à exceção de duas, a do Estoril – porque tem várias ao redor – e outra no Douro (o Collection), tendo a outra unidade “trabalhado bem”.

Assim, a taxa de ocupação das unidades hoteleiras no Algarve em agosto foi de 80%, menos 10% do que em 2019.

Em 2020, a taxa de ocupação foi de 55%, mas contava com mais hotéis fechados. Os portugueses representaram 80% da ocupação dos hotéis Vila Galé em agosto no Algarve, seguidos de espanhóis, ingleses e franceses. Em agosto, no Algarve o número de turistas portugueses cresceu 50% face a 2019.

O INE anunciou que o setor do alojamento turístico registou 2,5 milhões de hóspedes e 7,5 milhões de dormidas em agosto, subidas homólogas de 35,6% e 47,6%, tendo as dormidas de residentes atingido um máximo histórico, ressalvando, no entanto, que os níveis atingidos ainda foram inferiores aos observados em agosto de 2019.

Rebelo de Almeida diz que em setembro, em Portugal, existiram hotéis, “como o Ópera, em Lisboa, já a recuperar, enquanto o Algarve já está a cair acentuadamente”.

“Se não vierem estrangeiros, naturalmente que a nossa época baixa vai ser muito fraca”, lembra, sublinhando que Portugal está a “promover uma imagem de marca extraordinária com a vacinação” e que este é um sucesso do país que “tem que ser divulgado” para que se possa atrair mais turistas.

“É uma das prioridades absolutas que temos. Gostava de ver o Turismo de Portugal e o Governo a fazerem uma promoção em força sobre a vacinação, que é isso que vai permitir aos turistas estrangeiros retomarem a confiança”, apelou.

Já sobre os hotéis no Brasil, Rebelo de Almeida diz que acabaram “por se comportar melhor” face aos de Portugal, mas também ainda abaixo de 2019.

“O problema continua a ser o facto de o número de estrangeiros a entrar em Portugal ser muito escasso para a grande oferta hoteleira, enquanto no Brasil, em plena crise, a nossa ocupação está boa só com brasileiros. Eles são muitos e nós somos a principal rede de ‘resorts’ lá. A oferta não é muito grande para a dimensão do país”, explica.

Não é grande, mesmo quando se fala em 500 a 600 quartos como o ‘resort’ que o Grupo está agora a fazer em Alagoas, confirma.

E a propósito deste mercado, Jorge Rebelo de Almeida acredita que, tal como antes da pandemia, o turista brasileiro “vai ser muito importante para o turismo em Portugal, sobretudo até para o interior do país”.

Enquanto diz continuar “a acender umas velas à Nossa Senhora de Fátima a ver se dá uma ajuda” a desbloquear o processo de reestruturação da TAP, vai ambicionando que a companhia aérea venha a aumentar o número dos voos para aquele mercado e para os EUA, que “ficou esquecido e que antes da pandemia estava a crescer muito”, conclui.

Recorde-se que a Câmara Municipal de Tomar aprovou em reunião de executivo de 13 de setembro a adjudicação definitiva da alienação do Convento de Santa Iria ao grupo Vila Galé. Uma aprovação que contou com voto contra da vereadora Célia Bonet (PSD) que declarou não ser contra a adjudicação em si, mas quanto à transparência do processo.

Acontece que uma empresa tomarense interessada no procedimento, e que detém um hotel junto ao Convento e ex-Colégio Feminino, interpôs uma ação judicial para impugnar a mesma, processo que deu entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Leiria a 15 de setembro e do qual a autarquia foi notificada formalmente a 17 de setembro, tendo procedido a resposta com apoio da advogada síndica.

NOTÍCIA RELACIONADA:

Tomar | Alienação do Convento de Santa Iria ao grupo Vila Galé em tribunal (c/ÁUDIO)

Agência de Notícias de Portugal

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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