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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Tomar | “Ti Júlia”: finalmente numa casa depois de 92 anos numa barraca (C/VIDEO)

“Não tenho palavras para agradecer “. A voz sai embargada mas logo depois recupera o ânimo. O dia é de felicidade e não é para menos. Aos 92 anos, Maria Júlia Morito vai saber, finalmente, o que é viver numa casa de habitação, depois de décadas a morar no Acampamento do Flecheiro, onde há mais de 40 anos residem várias famílias de etnia cigana, em Tomar.  Desde que o executivo liderado por Anabela Freitas (PS) tomou posse, em 2013 – e até ao momento – a autarquia já realojou metade dos habitantes do acampamento, muitos deles em casas ou bairros sociais, uma integração acompanhada com um projeto de inclusão social.

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Na manhã de quinta-feira, 9 de agosto, Júlia Morito recebeu da presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, a chave da sua casa, na rua da Saboaria n.º 12, uma singela habitação que foi recuperada pela autarquia para este propósito e seguindo a política de habitação social de integrar elementos da comunidade cigana com a sociedade envolvente. O momento foi presenciado pelo vice-presidente Hugo Cristóvão, pela técnica Isabel Gândara e ainda pela filha da nova inquilina, Fátima, que reside em Setúbal.

A casa é composta por sala/cozinha, casa de banho e um quarto mas para Maria Júlia é tudo aquilo que basta para se sentir feliz. “Há tanto ano que estava à espera de uma casa e nunca me a deram e agora recebê-la assim é uma alegria”, disse bem-disposta. Com quatro filhos, muitos netos e bisnetos, conta ainda ter a casa cheia quando for possível.

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Maria Júlia Morito ganhou uma casa de habitação aos 92 anos, apos uma vida em barracas Foto: mediotejo.net

A idosa, apesar da sua provecta idade, é bastante autónoma, podendo cozinhar e limpar sem ajuda mas, avançou, para se sentir “mais segura à noite”, vai ter a companhia de uma neta. De resto, só a audição lhe pregou uma partida e a bengala ajuda-a a andar mais desenvolta. Na entrada da casa vai ser colocada uma rampa para facilitar o acesso à nova inquilina.

“Estou muito contente, como nunca estive. Vivi sempre numa miséria e agora com esta idade ter uma casa para mim é uma grande alegria”, disse.

A presidente da autarquia explicou que o realojamento de famílias de etnia cigana é um processo complexo pelo que há ainda um longo caminho a percorrer até ser resolvido na totalidade.

“Ao fim de 92 anos, ver alguém a ter direito a uma casa – que é algo que está previsto na Constituição Portuguesa -, temos que nos sentir orgulhosos e comovidos”, referiu.

Neste momento, de acordo com a autarca, já foram realojadas metade das 230 pessoas que viviam no Flecheiro, continuando a existir habitações devolutas. “Existe um problema de habitação no Flecheiro mas não só. O realojamento e atribuição de habitações destina-se a habitantes do Flecheiro mas não só, ou seja as habitações não se destinam a pessoas que habitam no acampamento. Qualquer cidadão pode concorrer ao concurso de atribuição de habitação social”, acrescentou.

Chaves foram entregues na manhã desta quinta-feira, 8 de agosto, à idosa na presença da filha Foto: mediotejo.net

Em relação à integração da comunidade cigana na comunidade tomarense, a autarca refere que é natural que surjam resistências a este processo.

“A comunidade cigana há muito que está em Tomar. Eu costumo dar o exemplo que foi um cigano que me ensinou a andar de bicicleta e a fazer fisgas para apanhar pássaros (risos). Efetivamente, é uma comunidade que tem a suas tradições e penso que há receios, de ambas as partes, porque há desconhecimento. Não é suficiente arranjar casa e despejar. É preciso acompanhar com um Projeto Social e de Integração das duas comunidades, quer da que está a ser integrada, quer da que está a receber”, sublinha.

Anabela Freitas refere que o que por vezes se fala é de problemas de segurança, que existem em qualquer comunidade. “É necessário criar integração entre as duas comunidades para que as mesmas passem a vigiar em conjunto os espaços em que estão para minimizar, precisamente, estas questões de segurança”, atesta.

A idosa no seu novo quarto, depois de uma vida a viver em barracas e roulottes Foto: mediotejo.net

A autarquia já recuperou, entre outras, casas de habitação para fins sociais na Rua do Pé da Costa de Cima, n°56/58, na Rua Gil Avô, na Rua da Saboaria e ainda edifícios unifamiliares sitos no Bairro 1º de Maio e Bairro Nossa Senhora dos Anjos. Não quer dizer que todas se destinem a realojar elementos de comunidade cigana, sendo que apenas desde 2015 estes últimos podem concorrer aos concursos com vista à atribuição destas habitações.

Por outro lado, recentemente arrancaram as obras do Centro de Apoio Comunitário Familiar que preveem a edificação de cinco casas destinadas, estas sim – para habitação para famílias de etnia cigana num terreno, junto às instalações do Destacamento Territorial da GNR de Tomar.

A habitação social tem sido a bandeira de muitos executivos camarários que passaram pela Câmara de Tomar ao longo dos mandatos mas é no mandato de Anabela Freitas que este processo está a avançar. À medida que os habitantes do Flecheiro são realojados, as barracas vão sendo demolidas.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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