Tomar | Tem oito anos e é campeão nacional de motocross

Tomás com a sua mota mais recente

Tomás Santos, de Tomar, tem oito anos e é campeão nacional de motocross no escalão infantis A. Começou a praticar a modalidade com seis anos e desde então nunca mais parou. Com o apoio da família, que o acompanha nos treinos e nas provas, Tomás conseguiu concretizar o sonho de ter a sua própria pista de motocross.
Sobre a sua dedicação ao motocross e a criação da pista falámos com Tomás.

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– Como começaste a praticar cross?
Quando tinha seis anos o meu padrasto, Nelson Epifânio, comprou-me uma mota de acelerar e comecei a andar. Toda a gente dizia que eu tinha muito jeito. Na altura comecei a fazer passeios pelo campo. Lá em casa todos andamos de mota: a minha mãe, Celeste Gouveia, tem uma moto 4, o meu padrasto uma gás gás 300, o meu irmão e o meu meio irmão também têm motas. Depois vieram as provas não federadas, eu e os meus irmãos fizemos algumas, as pessoas comentavam que estava ali um pequeno piloto de motocross, e eu cada vez gostava mais deste mundo do motocross. No início de 2015 a minha mãe e o Nelson perguntaram-me se eu queria experimentar o campeonato nacional de motocross e eu, claro, disse que sim. Então compram-me uma KTM 50 de 2007.

– E quando começaram essas competições?
Comecei a competir quando tinha sete anos, andava na primeira classe.

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– Como consegues conciliar os estudos com o motocross?
Por causa de fazer anos em março, quando o campeonato nacional começou estava com algumas negativas, mas no final passei para a segunda classe com noventas a tudo. E fiquei em 4° no campeonato nacional. Este ano passei para a 3ª classe com Bom a tudo. Não foi fácil conciliar tudo porque foram muitos fins de semana fora de casa mas correu tudo bem.

– Pelo entusiasmo com que falas, nota-se que gostas muito de motocross…
Eu adoro este desporto, ajudou-me a descobrir-me!

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– Que troféus já conquistaste até hoje?
Neste segundo ano compramos uma KTM 50 de 2014 e a aposta era ser campeão nacional. O Pedrinha Motor Clube de Alcanena e a JPR Motos apostaram em mim para os representar. Dominei por completo, ganhei tudo onde participei, fui campeão nacional de motocross infantis A e ganhei os três regionais da minha classe infantis A, regionais MX Ribatejo, Sintra MX, regional Norte Penta Control.

Adrenalina e diversão

Tomás numa das competições em que participou

– Treinas quantas vezes por semana?
Treino duas a três vezes por semana, no inverno treino menos porque saio de noite da escola.

– O que sentes quando estás em cima da mota e em prova? Sentes medo? Tens consciência dos perigos?
Eu tenho noção do perigo, mal seria se não tivesse. Considero-me um piloto consciente. Em cima da mota é adrenalina e diversão, em prova o objetivo é sempre fazer o melhor possível, sou eu e a mota, o resto não me interessa, foco-me na corrida. Antes do arranque há sempre alguma ansiedade, mas quando arranco passa tudo.

– Quem te acompanha e apoia mais de perto?
Tenho o meu padrasto que faz tudo, treina-me, prepara as motas, estuda as pistas, dá-me o máximo de informação possível. E depois é a minha mãe e o meu irmão que também estão sempre lá, todos a trabalhar para mim, sou um sortudo. Além disso, tenho muitas pessoas que me apoiam e acarinham, fiz muitas amizades graças ao motocross.

– Quais são os teus objetivos para 2017?
Em 2017 vou vestir a camisola da Racespec/KTM um prestigiado concessionário KTM, vou ter o apoio da Jetmar importador KTM para Portugal, e também represento as cores do Pedrinha Motor Clube e da JPR motos. É um ano de transição, tenciono fazer o melhor possível, evoluir de forma sustentada para que no futuro os resultados possam aparecer.

No dia da inauguração da pista de Tomás

– E sobre a nova pista, como surgiu a ideia de criares a tua própria pista de motocross?
O meu padrasto e a minha mãe pensaram fazer a pista para eu ter mais condições para treinar. O meu avô facultou o terreno e o sonho tornou-se real. Nem sempre dá para ir para longe treinar e assim com a pista perto de casa consigo treinar mais. A ideia é mesmo ter um local sempre em boas condições para treinar.

– Onde se localiza e quais as características da pista?
Fica na Asseiceira. A pista é técnica, tem curvas acentuadas com bons apoios para eu desenvolver a técnica de curvar, tem waves, dois saltos de mesa grandes e saltos drop. Está muito gira. Dia 15 de janeiro, se tudo correr bem, vou ter lá um convidado especial, um piloto português de top mas ainda não posso revelar o nome.

– Qualquer pessoa pode utilizar a pista?
A pista é privada e para se treinar é preciso pagar porque a manutenção custa caro, e assim também é possível estar sempre em condições.

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