Tomar | Semana da Juventude: “A cidade é aquilo que os jovens quiserem fazer dela”

Foram dias de muita adrenalina, muita música e diversão a rodos. Terminou no sábado, 24 de março, a Semana da Juventude de Tomar, uma iniciativa que abrangeu 800 participantes no conjunto das atividades promovidas pela autarquia nabantina. O vereador da Juventude, Hugo Cristóvão, disse ao mediotejo.net que o objetivo foi levar os jovens a desfrutarem de momentos de lazer e convívio através da participação em atividades culturais e desportivas. Mas, afinal, o que é ser jovem em Tomar? Todos foram unânimes em dizer que a cidade é aquilo que os jovens quiserem fazer dela.

Fomos falar com o Samuel, Joana, Carolina, Pedro e João, jovens com idades entre os 15 e 17 anos, recolhendo a sua opinião sobre a cidade. Tentámos obter dados que nos possam dar uma visão sobre se Tomar é ou não um concelho envelhecido mas o vereador com o Pelouro da Juventude, Hugo Cristóvão, refere que não existem para já dados estatísticos atualizados embora não considere, de forma alguma, que Tomar seja um concelho envelhecido, muito menos se comparado com os demais na região entre Lisboa e Coimbra. “É um daqueles chavões que se lavrou na gíria nabantina mas que não corresponde à realidade”, sustenta.

Opinião idêntica tem Samuel Subtil, de 17 anos, aluno da Escola Profissional de Tomar e baterista numa banda (Extempore), diz que o que gosta mais na cidade é da paisagem envolvente, com o Castelo Templário lá no alto. “Esta cidade já esteve mais envelhecida mas temos esperança que a cidade venha a ter mais jovens. Penso que também conta muito aquilo que a Câmara pode vir a dinamizar para torná-la mais moderna”, atesta.

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Samuel considera que os jovens também devem dar o seu contributo para dinamizar a cidade onde vive, estudam e passam tempos livres. Por exemplo, com a sua banda de música, pretende marcar a diferença no panorama artístico e cultural. Samuel sugere ainda que a autarquia ouvisse mais os jovens para recolher contributos para melhorar.

Joana Vieira, 15 anos, aluna do 10.º ano da escola Secundária Santa Maria do Olival, salienta que o Instituto Politécnico de Tomar ajuda a criar dinâmicas interessantes para os jovens na cidade. Gosta de viver em Tomar porque é uma cidade onde é tudo muito acessível, sendo fácil deslocar-se a qualquer ponto. “Podia haver mais iniciativas para os jovens mas também acho que já foi pior. Sendo nós jovens, também podemos dar o nosso contributo”, refere. Joana gostava que existissem mais bares, clubes e espaços para que os jovens pudessem mostrar os seus talentos artísticos, por exemplo. “A cidade tem vindo a evoluir. Os jovens também podem contribuir para essa evolução”, defende.

Já Pedro Ferreira, de 15 anos, também considera que a Câmara Municipal tem vindo a trabalhar na Juventude sendo que os jovens acabam muitas vezes por ter que procurar respostas para preencher os seus tempos livres. Existem iniciativas mas também teriam que ser mais bem divulgadas, considera. “Por vezes sabemos o que se passa em Lisboa mas não sabemos o que se passa em Tomar”, refere.

“Falta aqui um Cinema”, diz João Antunes, que, de cada vez que pretende ir ver um filme no grande ecrã, tem que ir para fora do concelho. Isto com a agravante de não terem carta de condução, estando dependentes de boleias para conseguirem fazer isto. O vereador Hugo Cristóvão reconhece esta lacuna que não faz só falta aos mais jovens mas também a quem, como ele cinéfilo assumido, gosta de ver um filme sentado numa sala com projeção. “Lamento aquilo que em Tomar acabou levar ao fim do cinema regular, principalmente quando a então câmara promoveu a concorrência desleal com o cinema privado existente na cidade. Alertei para isso na altura. Depois, o cinema em sala é uma atividade que se baseia muito no hábito, e por isso é fácil terminá-la mas muito difícil retomá-la”, sustenta.

De qualquer forma, refere o vereador da Juventude, “estamos a trabalhar no sentido de criar condições para que volte a ser possível ter cinema comercial em Tomar”, acrescentando que já há contatos feitos com alguns possíveis investidores. “Estamos a analisar as melhores opções e também as soluções legais e regulamentares para que isso possa vir a acontecer, sendo certo que é preciso encontrar uma fórmula que permita conjugar o cinema comercial regular no Cineteatro Paraíso, com a sua disponibilidade para outras atividades culturais do município e da comunidade”, atesta.

Já Carolina Oliveira, 15 anos, considera que é vantajoso viver numa cidade da dimensão de Tomar uma vez que é mais fácil chegar a qualquer lugar e, por isso, tem mais liberdade. “Se vivesse numa cidade como Lisboa não iria fazer metade das coisas que faço. Ser pequena tem vantagens e desvantagens. A cidade está a crescer mas ainda um pouco presa ao passado”.

Tomar Cor fechou Semana da Juventude no sábado, 24 de março

Autarquia quer incentivar produção artística nos mais jovens

Hugo Cristóvão faz um balanço muito positivo da semana da Juventude recordando os “Naturys – Trilhos Com Futuro”, realizados como em parceria com o Agrupamento de Escuteiros de Tomar. Foi esta iniciativa que marcou o início do programa desportivo no domingo e que continuou com o Torneio de Bubble Soccer e muita animação. Já a 20 de março, decorreram os “Jogos de Tomar” com a modalidade de basquetebol em parceria com os agrupamentos escolares, a 22, e o dia aberto no Complexo Desportivo, a 23.

A cultura surgiu com uma palestra sobre arte urbana, no dia 19 de março, sendo que foram realizados workshops dedicados ao mesmo tema, entre os dias 20 e 23, uma iniciativa que, de acordo com Hugo Cristóvão, se irá prolongar com outros momentos ao longo do ano, “como forma não só de incentivo à produção artística, mas também de ajudar a incutir nos jovens a diferença entre arte urbana e vandalismo, no que particularmente aos grafitis diz respeito”.

A Semana da Juventude terminou no sábado, dia 24, com a celebração do Dia Nacional do Estudante e com a terceira edição da “Tomar Cor”, que este ano contou com a participação dos ginásios aderentes e também do grupo de jovens nabantinas TenStep Crew, concorrentes ao concurso Yorn dancers. Para encerrar em beleza,  desta Semana da Juventude contámos no dia 24 com o concerto e apresentação de videoclip de “Homem em Catarse – Viagem Interior”, de Afonso Dorido, videoclip esse parcialmente gravado em Tomar.”

Hugo Cristóvão sustenta porque não considera Tomar um concelho envelhecido.

“Somos dos concelhos com mais alunos no ensino regular, não esquecendo que além disso temos duas escolas oficiais de ensino artístico, uma escola profissional e o Instituto Politécnico. Isto é quase único no país”, exemplifica.

Além disso, acrescenta, há que ter em conta que Tomar é também o concelho do distrito de Santarém com mais associações e as mais significativas trabalham para e/ou são dinamizadas por jovens.

“Temos largas centenas de jovens a praticar todas as semanas um leque vasto de modalidades desportivas, ao que acresce as culturais e outras. O Festival Bons Sons, único do seu género nacionalmente, é dinamizado essencialmente por jovens, com os resultados que se conhecem”, refere.

Apesar disso, refere que a autarquia pretende continuar a cativar investimento nas mais variadas áreas, que estimule a economia e crie postos de trabalho.

“Essa é a questão mais essencial para os jovens. Depois, tudo o que possa aumentar a já elevada qualidade de vida que existe, por exemplo, na promoção do contínuo aumento da oferta cultural e desportiva, seja de modo próprio seja nas parcerias e apoio ao movimento associativo; no trabalho contínuo junto dos agentes educativos; na promoção, defesa e melhoramento do património natural e edificado; continuar a estratégia de valorização da reabilitação urbana, tanto na cidade como em algumas aldeias, entre muito mais trabalho diário”, refere.

O vereador considera que é errado pensar em políticas específicas para a Juventude na dimensão em que por vezes a questão se coloca, como se fosse uma área estanque.

“Tudo o que fazemos por exemplo na área da Educação (que é dos setores onde o município mais investe) , a par do trabalho de captação de investimentos que gerem economia e postos de trabalho é política de juventude”, exemplifica.

Hugo Cristóvão salienta ainda “a vasta oferta cultural e desportiva no concelho de Tomar e enorme apoio financeiro e logístico que o município investe no apoio ao associativismo é também política de juventude”, não esquecendo os incentivos à reabilitação recolocando mais habitação no mercado como politica de juventude.

Ter o Pelouro da Juventude à sua responsabilidade é, por isso, na sua opinião ter um pelouro transversal a quase tudo o que se faz no Município e em apoio à comunidade.

“Claro que há momentos mais dedicados, como a Semana da Juventude que agora realizámos; ou a FrEEE – Feira de Educação, Emprego e Empreendedorismo que vamos realizar em abril; a Assembleia Municipal Jovem, em maio, e também o apoio à Semana Académica”, atesta, não esquecendo o Fanfarrão, festival de fanfarras e artes de rua que terá a segunda edição em agosto, atividades que são para todas as idades naturalmente, mas a pensar particularmente nos mais jovens; o Verão Ainda Mexe, um conjunto de iniciativas em Setembro, altura de fim de verão e início de aulas, também a pensar nos mais jovens, e para o último trimestre do ano temos mais algumas coisas pensadas mas ainda não totalmente fechadas.

“Realizamos regularmente ainda as reuniões do Conselho Municipal de Juventude e outras iniciativas mais pontuais”, sustenta.

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Elsa Ribeiro Gonçalves
Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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