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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Tomar | Sabacheira está sem médico de família, situação vai agravando na região

Dezembro começou amargo na freguesia de Sabacheira, concelho de Tomar, cujo polo de saúde ficou sem médico de família. A situação surgiu por imposição legal transmitida pelo Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública, uma vez que a médica Maria João Pinheiro não foi autorizada a prosseguir com a sua atividade profissional devido ao limite de idade, os 70 anos. Acontece que a própria já se havia manifestado disponível a continuar ao serviço, sendo muito querida na comunidade e no concelho de Tomar, e tinha inclusivamente renovado contrato no verão. Agora está o ACES Médio Tejo a procurar solução enquanto a Junta de freguesia espera e desespera por uma boa nova. No entanto, como o tempo é de esperança, a população ainda crê conseguir manter a médica de família, impedida de continuar a acompanhar os seus pacientes como é sua pretensão.

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Em entrevista ao mediotejo.net, António Graça, presidente da Junta de Freguesia de Sabacheira, uma das freguesias mais distantes da cidade de Tomar e já no limite com o concelho de Ourém, admite que este desfecho apanhou a todos de surpresa, tendo sabido do sucedido pelo Facebook, após desabafo da própria médica Maria João Pinheiro no final de novembro.

ÁUDIO | António Graça, presidente da Junta de freguesia de Sabacheira

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António Graça relembra que após 2019, resultado de uma alteração à lei, foi possível fazer um pedido para renovação de contrato da médica com o ACES Médio Tejo. “Estava tudo bem encaminhado e estávamos todos descansados e satisfeitos, porque toda a população gosta da Dra. Maria João. Ficámos mais descansados já que temos uma população envelhecida e é uma freguesia grande, com 3 dezenas de lugares, 35,5 quilómetros quadrados”, diz.

Salientando que as pessoas têm alguma dificuldade em deslocar-se a Tomar, dado que esta é uma da freguesias mais distantes da sede de concelho, o que releva a importância de existir um médico à disposição naquela extensão de saúde do Polo da Comenda.

Presidente da JF Sabacheira, António Graça. Foto: DR
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O presidente de junta de freguesia diz não ter sido enviada qualquer informação do sucedido, tendo este contactado o ACES Médio Tejo e obtido resposta com a confirmação da saída da médica de família pelo limite da idade.

António Graça sublinha que a junta de freguesia tem estado e está disponível para colaborar com a entidade de saúde no que for necessário, lembrando que está sempre presente e colabora na manutenção do exterior e dos espaços, fazendo também diversas intervenções no interior com arranjos estruturais, com disponibilização de consumíveis, transporte de utentes, e outros.

Também este polo integrou as ADC (Áreas Dedicadas para avaliação e tratamento de doentes COVID-19), um dos três na região, juntamente com Sardoal e Entroncamento.

“As juntas de freguesia não são responsáveis pelo que se passa nos centros de saúde, mas fazemos de tudo para que tudo corra bem (…) de qualquer forma, quando é para sabermos de alguma informação, somos sempre o parente pobre nesta equação toda”, lamenta.

Extensão de Saúde de Sabacheira. Foto: JF Sabacheira

“Não se encontram médicos em cada esquina, em cada lugar, e daí a importância da renovação deste contrato”, acrescenta, frisando ainda assim que a relação e comunicação com o ACES Médio Tejo é boa e que tem esperança que se chegue a uma solução brevemente, por existir um lugar aberto e como “o Natal é tempo de esperança, vamos ver se nos traz um presente no sapatinho”, conclui o presidente de junta.

O mediotejo.net entrevistou também a diretora executiva do ACES Médio Tejo, Diana Leiria, sobre a falta de médico em Sabacheira, tendo sido confirmado que o pedido de autorização para que a médica pudesse continuar ao serviço teve pareceres favoráveis do Ministério da Saúde e da ARS-LVT, no entanto do Ministério da Administração Pública não houve permissão.

ÁUDIO | Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo

 

“Não estávamos à espera. Efetivamente todos os pareceres para a continuidade da médica foram favoráveis e daí que também, de momento, não tenhamos uma solução rápida. Estamos a tentar encontrar solução designadamente através da prestação de serviços médicos e contamos ser o mais breves possível porque temos consciência do impacto negativo que tem na população”, explica Diana Leiria.

Com falta de 18 médicos de Medicina Geral e Familiar para um funcionamento equilibrado de todos os centros de saúde da região abrangida pelo ACES Médio Tejo, Diana Leiria admitiu em declarações ao mediotejo.net que a situação mais preocupante se verifica atualmente no concelho de Ourém, à qual se junta Abrantes com um recente conjunto de saídas para aposentações, a par de outras situações, como o caso da freguesia de Sabacheira, em Tomar.

Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo. Créditos: mediotejo.net

Refira-se que o Secretário de Estado António Lacerda Sales anunciou, na sua passagem pela região no início da semana, que durante o presente mês de dezembro vai abrir um novo concurso para contratação de mais médicos de família, de modo a reforçar o Serviço Nacional de Saúde, mencionando que o problema da falta de médicos é algo que o Ministério da Saúde tem procurado resolver e quer resolver.

“Para isso, contamos também com o Plano de Recuperação e Resiliência, que prevê 467 milhões de euros para a reforma dos cuidados de saúde primários”, disse na ocasião.

Questionada sobre se este concurso poderá ajudar a preencher as lacunas existentes na região do Médio Tejo, Diana Leiria perspetiva que este “visa recrutar médicos que saem da especialidade em época especial, normalmente a época de saída de exames é a de abril. O número de médicos que saem agora é muito menor relativamente à época normal. O número de vagas também costuma ser mais reduzido”.

“Contamos colocar, mas ainda não sabemos quantas vagas vamos ter. Certamente não serão tantas quanto as que necessitamos, porque também não há muitos médicos a concorrer pelo facto de ser época especial”, adverte.

Questionada sobre como veria o estabelecimento de protocolos ou acordos que permitissem, por exemplo, a vinda de médicos do estrangeiro para suplantar esta necessidade, a diretora executiva considera que qualquer medida ou decisão para inverter este ciclo compete ao Governo, mas diz que vê “com bons olhos todas as soluções que possam minimizar este problema e que nos permitam chegar de uma forma mais permanente à nossa população”.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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