Tomar | Projeto de ciclovias aposta numa cidade mais amiga do ambiente

Foi apresentado na tarde desta quinta-feira, 14 de fevereiro, no salão nobre dos Paços do Concelho, o projeto Tomar Ciclável, que prevê a criação de uma ciclovia com um percurso de cerca de dois quilómetros ao longo da Estrada da Serra, entre a Praceta Raul Lopes e o Instituto Politécnico, e que visa tornar a cidade “mais amiga das pessoas e do ambiente”, num investimento de perto de 1,8 milhões de euros.

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O projeto Tomar Ciclável prevê a criação da ciclovia num percurso de cerca de dois quilómetros, ao longo de duas avenidas que beneficiarão igualmente de uma requalificação com arborização e melhorias na iluminação, disse o vereador com o pelouro da gestão do território. Hugo Cristóvão adiantou que está ainda prevista a construção de um parque infantil no espaço onde atualmente se encontra um ‘skate’ parque, que vai ser transferido para uma outra zona da cidade.

Na sessão, a que assistiram cerca  de duas dezenas de tomarenses, estiveram presentes  o vice-presidente da autarquia, Hugo Cristóvão, e os representantes do gabinete de arquitetura responsável pela execução do mesmo. O escoamento do trânsito nesta entrada da cidade, nomeadamente o afunilamento da estrada no troço entre a rotunda do McDonald’s e a rotunda do IPT, foi a dúvida mais levantada pelos presentes.

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Hugo Cristóvão, vice-presidente da autarquia, fez o enquadramento deste projecto Foto: mediotejo.net

O percurso, já com candidatura aprovada a fundos comunitários, pretende ser o primeiro troço “de uma cidade mais amiga das pessoas e do ambiente” em que as bicicletas desempenham um papel decisivo, sendo que está prevista a extensão deste eixo até ao Convento de Cristo e a criação de um outro paralelo ao rio, aproveitando algumas estruturas descontínuas já existentes.

Hugo Cristóvão, vice-presidente da autarquia, falou na emergência de um “novo paradigma” e explicou que este projecto tem vindo a ser desenvolvido há mais de um ano sendo que, no início do mandato anterior, foram iniciados um conjunto de projectos candidatáveis a fundos europeus e que têm a ver com as questões da mobilidade, ambiente, eficiência energética e reabilitação do espaço urbano.

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“Há esta lógica comum de devolver as cidades às pessoas, sendo que no âmbito do PEDU há um conjunto de projectos e que têm algumas regras base para serem desenvolvidos”, explicou, acrescentando que o que está em apreço é o Tomar Ciclável, no eixo que compreende a Estrada da Serra – Instituto Politécnico de Tomar.

Para além da construção da ciclovia propriamente dita, o projecto contempla a beneficiação do troço citadino da Estrada da Serra com requalificação urbana, arborização e melhorias na iluminação, bem como a criação de espaços de lazer, sendo que no espaço onde actualmente existe o Skate Parque vai surgir um Parque Infantil e aparelhos de exercício físico. Também o número de locais para estacionar vai reduzir. Atualmente existem 141 lugares e vão passar a ser 94, o que significa menos 47 lugares para estacionar.

Apresentação pública do projecto decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho Foto: mediotejo.net

João Nunes, do Atelier de Arquitectura Paisagista PROAP, que venceu o concurso, explicou as linhas do projecto referindo que se tentou encontrar um “perfil” para as mesmas funções do espaço atuais mas acrescentando em toda a continuidade das avenidas uma pista ciclável. “Fizemos alterações minuciosas, sobre questões de detalhe nos perfis dos passeios e faixas de rodagem, tentando conciliar a função rodoviária, ciclável e pedonal”, explicou.

“Tentámos criar uma pista ciclável que conseguisse formar uma família material e cromática com os outros espaços de mobilidade, que não fosse uma espécie de implante ou emplastro com gritante contraste entre os materiais circundantes”, disse, acrescentando que a ciclovia vai ser facilmente identificável mas vai respeitar o com o que já existe.

Após a apresentação foram colocadas algumas questões relativas ao projecto tais como, por exemplo, o escoamento de trânsito, se foi feito algum estudo prévio de fluxos de trânsito, qual o número de bicicletas que vão utilizar a ciclovia ou se a redução da largura da via vai implicar uma diminuição de velocidade por parte dos automobilistas. O facto de se criarem ciclovias em ambos os lados da estrada e o fim do skate park da Nabância foram também aspetos criticados pelos cidadãos.

Sobre a eliminação do atual Skate park, Hugo Cristóvão explicou que o ruído que os skates e patins fazem geram queixas dos moradores, dado que o equipamento se localiza numa zona residencial, pelo que se tentou encontrar uma solução.

Garantiu ainda que “o skate park só vai acabar quando for construído outro equipamento” e que o parque infantil só vai surgir numa fase posterior.

Perante as dúvidas levantadas, o vice-presidente equacionou a hipótese de “reversão do projeto” e falou mesmo em “experimentação”. No entanto, a intenção do município passa por  lançar brevemente o concurso público internacional de modo a que a obra possa ser começada ainda este ano.

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