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Domingo, Outubro 17, 2021

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Tomar | Primeiros festivaleiros do Bons Sons já montaram a tenda (c/ fotogaleria)

Chegamos a Cem Soldos na manhã de quarta-feira, dia 8. As bandeirolas coloridas no cruzamento onde a seta aponta a entrada da aldeia tomarense confirmam que o arranque do Bons Sons está para breve. Viramos à esquerda, seguimos as placas que indicam alguns estacionamentos, as entradas das “escolas” e da “horta” e o parque de campismo. À chegada encontramos os primeiros festivaleiros da nona edição, movida pelo mote dos “amores de verão”, e muitos já têm a tenda montada.

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Carro estacionado num lugar à escolha, certamente reduzida nos próximos dias apesar dos inúmeros parques que aguardam gente de todo o país para viver a aldeia. Nestas primeiras horas da manhã do “dia zero”, não encontramos o cenário pacato que marca a maioria dos dias na aldeia que vai recebendo participantes nas diversas iniciativas realizadas pelo SCOCS – Sport Club Operário de Cem Soldos, igualmente responsável pela organização do festival que a transforma num imenso recinto.

As entradas passam a bilheteiras e em cada recanto encontram-se os palcos que vão receber a música de nomes como Salvador Sobral, Selma Uamusse, Slow J, Mazgani, Sara Tavares, Mirror People, PAUS, Cais Sodré Funk Connection, Dead Combo, Lena d’Água ou Linda Martini.

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Um passeio pelas ruas da aldeia enquanto não são invadidas pelos mais de 35.000 festivaleiros esperados revela o Espaço Criança, os pátios locais onde será possível petiscar e o antigo armazém de cereais que lançará sementes musicais junto do público infantil.

Preparação da praça central, que volta a receber os palcos Lopes-Graça e Aguardela. Foto: mediotejo.net

Junto da sede do SCOCS e da praça central, onde os palcos Lopes-Graça e Aguardela estão quase montados e a terra batida vai dando lugar ao tapete “de relva” ouvem-se “bons dias” entre habitantes atarefados. Carros e carrinhas, grupos de jovens envolvidos na organização reúnem-se por aqui e por ali e no posto de informação já estão colocadas as placas informativas que anunciam as boleias partilhadas ou os carregamentos de baterias.

O arranque oficial está marcado para menos de 24h e algumas das caras são novas com a chegada daqueles que querem ter o melhor lugar no parque de campismo até ao próximo domingo. Chegam de todo o país, alguns de carro, outros nos transferes que partem de hora a hora e fazem o trajeto entre Cem Soldos e Tomar (estação ferroviária e central de autocarros) e Paialvo (estação ferroviária) entre os dias 8 e 13 de agosto.

No camping Sleep’em’All, criado para quem aprecia maior comodidade e proximidade do recinto do festival já estão montadas as tendas Circo e Lotus Tent, para duas pessoas, e as tendas Emperor, para 6 e 8 ocupantes. Os preços oscilam entre os €120,00 e os €300,00 pela estadia entre os dias 9 e 13 num espaço fechado com direito a wc, duche, colchão ou cama de campismo, almofada e lanterna LED. O valor não inclui os bilhetes para o festival, nem a roupa de cama.

As tendas Circo são algumas das sugestões do camping camping Sleep’em’All. Foto: mediotejo.net

Pouco depois, encontramos a área com mais de 20.000m2 do parque de campismo que acolhe uma parte significativa dos campistas. Quem tiver o passe geral de quatro dias não paga enquanto usufrui do ambiente que complementa o do recinto e onde surgem muitas amizades e amores de verão, algumas já na noite desta quarta-feira, durante a Festa de Receção ao Campista em que atuam os Zhérois 2.1., banda de Ourém vencedora do Festival Por Estas Bandas, organizado pelo SCOCS, e se dança com o Dj Set da equipa do Cover de Bruxelas, programa semanal da RUC – Rádio Universitária de Coimbra.

Chegamos perto da hora de almoço e são já muitas as tendas montadas entre os tupperwares com comida e os sons dos martelos a bater nas espias que, em alguns casos, apenas deixam a terra depois dos palcos receberem os últimos músicos.

É o caso de Inês Graça, Joana Ferreira e Beatriz Santos, todas com 17 anos e que, apesar de serem do concelho de Tomar, montam a tenda pela terceira vez em Cem Soldos nesta altura do ano. Não vêm sozinhas, fazem parte de um grupo de 30 pessoas que nesta manhã partiram de Tomar e de Ourém.

Ambiente geral do parque de campismo do festival. Foto: mediotejo.net

O “bom convívio entre as pessoas”, o “bom ambiente” e “as novas amizades” fazem repetir a experiência que este ano terá como cereja em cima do bolo o momento em que vão estar próximas de Slow J, a partir da 01h30 de dia 9 no Palco Zeca Afonso, uma das novidades deste ano. Caso percam o concerto do músico que o país ouve desde o lançamento do primeiro EP em 2015, “The Free Food Tape”, e se afirmou em 2017 com o álbum “The Art of Slowing Down” devem inspirar-se na letra do tema “Fome” quando João Batista Coelho canta “Puto, nada está perdido”.

Ao longo de quatro dias têm cerca de cinquenta espetáculos e outras iniciativas paralelas para viverem a aldeia em pleno e o “espírito diferente” que dizem sentir-se no Bons Sons. Riem-se quando perguntamos como esperam aproveitar o tempo até desmontarem a tenda, destacando os concertos e as “novas experiências” dentro e fora do parque de campismo que dizem estar a melhorar de ano para ano.

A comprová-lo estão as nomeações para o Prémio de Melhor Campismo nos Portugal Festival Awards, em 2015, e nos Iberian Festival Awards, no mesmo ano e em 2016. O galardão ibérico acabou por ser conquistado em 2017, na edição em que Xavier Santos e Luciano Graça, de 24 e 25 anos, se estrearam como campistas no Bons Sons. Uma duas tendas montadas vai receber um segundo elemento, Penélope, a guitarra de Xavier que também regressa a estas andanças.

Xavier Santos e a Penélope estão de regresso ao Bons Sons. Foto: mediotejo.net

Os aveirenses não têm preferência por qualquer nome do cartaz musical em que a música portuguesa impera e revelam a predileção pelo ambiente do parque de campismo onde se estabelecem “boas relações com os vizinhos” e se “passam umas férias”. É aqui que vão estar, entre a música de Penélope, dos telemóveis e das aparelhagens como a que vemos passar a tocar nas mãos de outro “habitante” temporário da aldeia.

Ritmos diferentes que se vão encontrar nos dois lados das bilheteiras do festival que este ano será o único dos calendários de Xavier e Luciano. O “ponto alto do ano” destes campistas repetentes que deixam como mensagem a quem ainda não viveu a aldeia com colchões, sacos-cama, mesas de piquenique, geleiras e mochilas para “vir ou, pelo menos, experimentar para ver se gostam” pois a experiência vale a pena e faz regressar a Cem Soldos para ouvir Bons Sons.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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