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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Tomar | Politécnico quer ser mais competitivo e contribuir para um melhor futuro da região

Na abertura solene do ano letivo, que contou com a presença do Ministro do Planeamento, o presidente do IPT frisou a importância de se apostar na (re)qualificação contínua dos trabalhadores e na urgência em resolver algumas fragilidades que a região do Médio Tejo apresenta quanto "à sua demografia e à fixação de ativos e de talentos".

O Instituto Politécnico de Tomar assinalou o arranque do ano letivo 2021/2022 com a sessão de abertura solene no Auditório Principal Doutor José Bayolo Pacheco de Amorim, esta sexta-feira, dia 5 de novembro. João Coroado, presidente do IPT, afirmou que a instituição está pronta para contribuir para o desenvolvimento da região, tornando-a mais competitiva, frisando também a importância de se apostar na (re)qualificação contínua dos trabalhadores. Não deixou de notar, ainda assim, que o Ensino Superior continua a ser um setor “subfinanciado”, e lembrou a premência da construção de novos equipamentos que permitam inovar e crescer em termos de formação e investigação em Abrantes e Tomar, caminhando para resolver algumas das fragilidades que a região do Médio Tejo apresenta quanto “à sua demografia e à fixação de ativos e de talentos”.

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A instituição conta, até ao momento, com 2.187 alunos para este ano, sendo que 944 estão matriculados no 1º ano pela primeira vez, encontrando-se para já 25 alunos em mobilidade no estrangeiro. Do total de alunos, 10% são alunos internacionais, número que a presidência acredita que ainda irá crescer, a par dos novos alunos, que num próximo ano se aspira chegar ao milhar.

Dados apresentados pelo presidente da direção do IPT, João Coroado, numa cerimónia com pompa e circunstância e após o cortejo académico com os docentes trajados a rigor para receber os convidados de honra, como é apanágio da instituição no arranque de cada novo ano.

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Numa cerimónia que contou com representantes de múltiplas entidades, instituições, forças de segurança e militares do concelho e da região do Médio Tejo, bem como a presença dos autarcas de Tomar, Abrantes, Mação, Ferreira do Zêzere, Ourém, Entroncamento, entre outros, os discursos foram proferidos pela mesa que presidiu à sessão, com o Ministro do Planeamento, Nelson de Souza, o presidente do IPT, João Coroado, o presidente do Conselho Geral, Augusto Mateus, e João Santos e Silva, representante dos alunos do Politécnico.

João Coroado, à frente do Instituto Politécnico de Tomar desde 2019, altura em que sucedeu a Eugénio Pina de Almeida, começou por se referir à “responsabilidade e empenho” necessários de todos os docentes do IPT: “É conjuntamente que podemos construir o futuro e contribuir para a melhor formação dos nossos estudantes como profissionais competentes para ingressarem no mercado de trabalho, para serem cidadãos ativos e participarem no desenvolvimento do território.”

João Coroado, presidente do Instituto Politécnico de Tomar. Foto: mediotejo.net

Entre os agradecimentos, dedicou parte “aos alumni pelo conhecimento, competência e autonomia que mostraram no mercado de trabalho, onde têm feito em muitas áreas diferenças relevantes”.

“Um bem-haja por disseminarem desta forma o nome do politécnico de Tomar como marca relevante na vossa formação”, disse, deixando ainda um agradecimento especial em nome do IPT “aos que durante os últimos dois anos terminaram as suas funções, como a Professora Maria do Rosário Baeta Neves, que integrou a Comissão instaladora da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, que foi a semente que deu origem ao que hoje é o IPT”, bem como ao “Professor Rui Sant’Ovaia, ao Professor Fernando Dias Martins, Sr. Alberto Marante, Dona Teresa Nogueira e ao Sr. José Nunes. Obrigado pela vossa disponibilidade enquanto colaboradores do hoje IPT”.

ÁUDIO | João Coroado, presidente do Instituto Politécnico de Tomar

Já “aos que iniciaram funções ou as renovaram”, deixou “uma palavra de felicitação por integrarem a comunidade” do IPT. “Convosco a força é renovada para vencer os desafios, superar barreiras e encontrar as melhores soluções para o desenvolvimento sustentado que procuramos”, mencionou.

Também realçou e agradeceu “o trabalho e comprometimento com que toda a comunidade académica” enfrentou nestes dois últimos anos. “Literalmente da manhã para a tarde, as atividades letivas e administrativas passaram a ser veiculadas nas plataformas digitais e outros meios de comunicação, num esforço muitas vezes não visível para manter a melhor qualidade possível do serviço aos estudantes”, disse, referindo-se à conjuntura de pandemia de covid-19.

João Coroado acrescentou que o confinamento provou a capacidade da instituição para lidar com o imprevisto, “mas também expôs a dificuldade de reduzir a formação a uma só dimensão”. A distância, disse, “acentuou a importância da formação presencial, assente na relação de proximidade professor-estudante e estudante-estudante”.

Sublinhou que o ensino politécnico é baseado em “investigação, inovação e criatividade, numa atividade fortemente externalizada, em substituição do ainda enraizado modelo expositivo, servido por uma prática programada por exercícios em sala de aula ou laboratório”.

Quanto a esta nova realidade e conjuntura, o presidente do IPT falou do futuro e alertou para os desafios que estão por vir. “A maioria dos novos empregos exigirá níveis de qualificação mais elevados e formação ao longo da vida, onde a requalificação e a procura de mais habilitações não são apenas uma necessidade, mas um imperativo económico e social”, notou.

Por outro lado, não deixou de apontar alguns dados quanto à região, indicando que “o Médio Tejo é um território que apresenta fragilidades relativamente à sua demografia, e à fixação de ativos e de talentos. Sem dinâmicas demográficas positivas, não é possível manter os limiares mínimos de viabilidade das principais funções destes territórios”, alertou.

Como tal, entende o docente que tem de se “ganhar eficiência, nomeadamente criando produtos e conhecimento inovador e diferenciador, o que faz da formação ao longo da vida um dos objetivos prioritários, procurando que cada cidadão, esteja onde estiver, veja no IPT um parceiro de confiança” e capaz de “contribuir para um território de elevado potencial competitivo”.

“Cooperar com as instituições que se inserem no território é também apostar no futuro, fixando recursos humanos, dinamizando o mercado e participando na sustentabilidade da região”, reiterou o responsável.

Falou ainda no facto de, nos últimos dois anos, se ter registado um aumento da procura das formações no IPT, havendo este ano um crescimento de 9% relativamente ao ano passado.

Foto: mediotejo.net

Cerca de 25 estudantes encontram-se em mobilidade, em programas de estudo no estrangeiro, número que deverá aumentar no próximo semestre segundo manifestações de intenção de estudantes em fazê-lo. No IPT cerca de 10% do total de estudantes são alunos internacionais, número que se espera que continue a crescer no futuro.

João Coroado sublinhou ainda que o objetivo “muito claro para o IPT tem sido a contribuição para o aprofundamento da relação entre o ensino superior e os territórios onde, de alguma forma, está presente” e, nesse âmbito, relevou e notou o relacionamento do IPT em redes variadas, locais/regionais, nacionais e internacionais, bem como um conjunto de parcerias que têm alavancado atividades e dinâmicas empresariais.

Entre as “parcerias que alicerçam a nossa atividade em benefício da região e dos estudantes” surge o Tagusvalley e a NERSANT, em Abrantes, bem como as empresas da área da tecnologia com presença em Tomar, como Softinsa, Kintech, Critical Software, ou na área de recursos humanos, a empresa Air Liquide, que se vai instalar em Tomar.

Num balanço dos 2 anos e seis meses de mandato desta direção do IPT, deixou claro que os resultados indicam que “os níveis de eficiência são melhores e os investimentos efetuados estão agora a manifestar-se”.

“Melhorámos a comunicação, somos mais transparentes e estamos mais bem preparados para os desafios que se desenham no horizonte”, começou por dar conta, acrescentando que “a gestão orçamental do IPT nos últimos anos caraterizou-se por uma rigorosa afetação de recursos disponíveis às atividades e projetos desenvolvidos, em função das prioridades definidas e de forma a aumentar a eficiência, a eficácia, e a economia
gestão financeira pautou-se por um grande esforço de captação de receitas alternativas à transferência do Orçamento de Estado. Em 2020 o IPT executou um orçamento de 15,5 milhões de euros, sendo 4,3 milhões de euros (28%) resultado de receitas próprias e de candidaturas comunitárias. No final desse ano o IPT apresentou uma execução orçamental equilibrada”, concluiu.

Considerando o Ensino Superior “um setor estratégico”, lamenta que este continue “manifestamente subfinanciado, mesmo tendo vindo a evidenciar que os investimentos, pelo menos a médio-longo prazo, representam retornos muito importantes para o país e para a região”.

A responsabilidade social tem assumido importância no modelo de governo da instituição, que pretende “proteger o ambiente e promover a prosperidade e o bem-estar de todos, tendo por base os objetivos de desenvolvimento sustentável e o investimento socialmente responsável”, sendo que as três escolas do IPT tiveram atribuída pela ABAE a Bandeira Eco Escolas pelas suas práticas.

Autarcas da região do Médio Tejo estiveram presentes na sessão. O presidente do IPT aproveitou para lembrar a importância de execução de dois projetos, nomeadamente o Complexo Pedagógico da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, que resulta de parceria com o Município de Abrantes, e o Centro de Inovação e Valorização do Conhecimento, em parceria com o Município de Tomar. Foto: mediotejo.net

Destacou ainda a implementação do Sistema interno de garantia de qualidade, em meados de 2019, dizendo que “contará até final do mês de novembro com cerca de 70% dos procedimentos de trabalho lançados e disponibilizados para consulta de todos no share point“. No dia 11 de novembro, Dia Mundial da Qualidade, será lançada a segunda versão do Manual de Qualidade. “Estamos certos de que, no próximo ano, teremos um certificado através da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), do nosso sistema de qualidade”.

No discurso também ficaram recados sobre dois projetos que o IPT tem reivindicado para a região, destacando “a importância da construção para termos uma instituição mais forte” do Complexo Pedagógico da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, que resulta de parceria com o Município de Abrantes, e também do Centro de Inovação e Valorização do Conhecimento, em parceria com o Município de Tomar.

“Sei que os trabalhos estão a avançar, mas estes equipamentos são imprescindíveis no fomento da melhor formação e criação de sinergias empregadoras com os nossos parceiros, a favor dos nossos estudantes e da região”, alertou.

Também a falta de oferta de residências de estudantes é uma preocupação para o presidente do IPT, sendo esta uma situação que se tem acentuado nos últimos anos, com muita procura nomeadamente por grupos de estudantes internacionais.

“Não menos importante é a existência de mais camas em residências para estudantes. Aguardamos a abertura de programas que apoiem o seu financiamento, para que possamos avançar com as propostas de reabilitação de edifícios em Tomar e em Abrantes, para colmatar esta premente necessidade”, assumindo existirem projetos pensados para as duas cidades.

“Reitero, para terminar, que o futuro da região passa pelo aumento contínuo da qualificação da população. Impõe-se melhorar indicadores de competitividade que são dependentes das capacidades que o território tem de gerar e de reter, e de adicionalmente atrair talentos. Queremos ser mais competitivos e contribuir para o desenvolvimento do território, e nesta demanda contamos com todos. Leais com os princípios fundadores, empenhados na missão e comprometidos com os valores, chegaremos certamente mais longe”, terminou.

Augusto Mateus, presidente do Conselho Geral do IPT, ex-ministro da Economia no primeiro governo de António Guterres, fez um discurso de reflexão perante a situação de instabilidade que se vive no país e no mundo.

ÁUDIO | Augusto Mateus, presidente do Conselho Geral do IPT

O economista alertou para os desafios da Humanidade, que devem ser vistos como desafios globais e que a todos afeta direta ou indiretamente, desde a economia, à vida em sociedade, até à sustentabilidade ambiental.

Augusto Mateus afirmou que perante estes desafios deve ser o Politécnico de Tomar a dar o exemplo, incentivando todos a serem “mais cosmopolitas, mais confiantes nas ciências que cultivamos e a darmos internamente, dentro de casa, esse exemplo”.

O economista Augusto Mateus, presidente do Conselho Geral do IPT. Foto: mediotejo.net

“O Politécnico de Tomar, como todas as universidades e todos os politécnicos, precisa de inovação, precisa de reinventar aulas e instituições de investigação, precisa de reinventar a sua ligação às empresas e à sociedade”, afirmou, deixando “um apelo a toda a comunidade do IPT para uma maior abertura, interação e espírito de inovação, correndo mais riscos, porque é na medida em que caminharmos em direção àquilo que sentimos muitas vezes como perigo, que vamos resolver os nossos problemas”.

Augusto Mateus notou a importância do contributo que a instituição de ensino superior politécnico pode dar com os seus recursos.

“Os tempos não são tempos de conformismos, não são tempos de continuidade, são tempos para todos nós – com a idade que temos e com a força que temos, com o conhecimento que temos – são tempos de inovação, tempos de mudança, tempos de coragem e de clarividência”, frisou.

Na sessão marcou também presença o Ministro do Planeamento, Nelson de Souza, cujo discurso foi marcado por temas como o combate à pandemia de covid-19, referindo-se ao “sucesso coletivo” que os portugueses alcançaram neste âmbito.

Ministro do Planeamento, Nelson de Souza. Foto: mediotejo.net

Abordou o “novo normal”, indicando que “contém um grau de complexidade muito grande”, o que “globalmente se traduz numa nova rearrumação do nosso modo de vida, do nosso modo de organizar o nosso trabalho, a nossa produção…”, aludindo a uma conjuntura desafiante e que requer posturas inovadoras em diversos campos, nomeadamente a nível socioeconómico.

ÁUDIO | Ministro do Planeamento, Nelson de Souza

O novo normal, segundo o governante, “traz impactes no modo de vida, na forma de nos organizarmos em sociedade” e deste contexto pandémico de sucessivos confinamentos e que deixou em suspenso muitos setores, “perduram feridas que não estão cicatrizadas, decorrentes da pandemia, que importa tratar”.

A estas questões de ordem social e de saúde juntam-se ainda desafios económicos que constam das agendas pós-pandemia, com financiamentos e fundos a surgirem no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência e que permitem novas oportunidades e projetos.

Apesar de tudo o ministro diz que “estamos no bom caminho”, notando que está nas agendas do governo um conjunto de preocupações que se relevaram com a pandemia, nomeadamente quanto ao mercado de trabalho.

“A curto prazo, no pós-pandemia, bastaram dois ou três trimestres para constatar que há escassez de oferta de postos de trabalho no mercado”, disse, notando que a oferta de emprego tem que se ajustar ao nível das qualificações e que há que garantir condições e contextos favoráveis a uma melhor qualidade de vida, desde logo melhorando aspetos e cuidados para um envelhecimento ativo, bem como nas condições de acolhimento das crianças em creches, por exemplo, permitindo esse crescimento em termos de qualificação e exigência profissional em prol do desenvolvimento económico sustentável.

Abordou também os financiamentos disponíveis em termos de ensino e investigação, e notou ser “reformista”, considerando que no que toca a I&D, as empresas não podem apresentar projetos sozinhas, crendo na consensualização e estratégias concertadas e de cooperação com centros de saber, caso dos polos do ensino superior.

No final da sessão foi feita uma singela homenagem de reconhecimento aos docentes e colaboradores com 25 anos de serviço no Instituto Politécnico.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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