Tomar | Ossadas descobertas junto ao Convento de S. Francisco na obra da Várzea Grande

Foto: Nuno G. Lopes / CM Tomar

Depois de no início do ano terem sido descobertos vestígios do cemitério que existiria alocado à Igreja do Convento de São Francisco, em Tomar, algo comum a estes monumentos, a equipa da empresa ArqueoScallabis, contratada pelo empreiteiro geral para acompanhar a obra da Várzea Grande e imediações, encontrou na segunda-feira, dia 8 de junho, um conjunto de ossadas e esqueletos que se crê serem resultantes de inumações feitas até ao século XIX. Também foi encontrada calçada que se pensa ser “anterior à construção do edifício, pois tem características medievais”. Aquele espaço está agora circunscrito, tendo parado a abertura de valas para instalação de infraestruturas naquela zona. Ainda assim, garantem os técnicos que apesar do alongar dos trabalhos de escavação, tal não irá comprometer a conclusão da obra, faltando muito pouco para finalizar aquela zona.

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Os arqueólogos suspeitavam que tal pudesse acontecer, estando já previsto na obra, mas temiam que toda a área junto ao edifício da Messe dos Oficiais tivesse comprometido os achados, uma vez que grande parte do terreno indiciava aterros e remeximento.

Os primeiros esqueletos foram encontrados “de fronte ao edifício que dava apoio à Messe dos Oficiais, era a parte que ainda não tinha sido intervencionada, porque com a construção da Messe militar todo o cemitério foi afetado”, explica o arqueólogo Nuno Santos em declarações ao mediotejo.net.

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“Não sendo grande surpresa, porque já se sabia da existência do cemitério associado à igreja do Convento, mas descobrimos o que ainda resta das inumações que se fizeram aqui no cemitério até ao século XIX”, refere.

Foi na abertura de uma das valas para colocação do saneamento, que se descobriram os  primeiros cinco esqueletos, tendo a obra sido parada naquele troço, sendo que estava praticamente concluída. “Entretanto pedimos o aditamento ao plano de trabalhos inicialmente feito, para incluir a parte da antropologia”, menciona.

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“Quando descobrimos os vestígios, metade da vala já indiciava aterros e remeximento, e a outra parte ainda era terra virgem que foi precisamente onde constam os esqueletos depositados. Por outro lado, há uma parte da escavação em que falta baixar, e pode o número de inumações subir”, garante.

Foto: Nuno G. Lopes / CM Tomar

A obra não será afetada por este achado e pela escavação, uma vez que se trata de algo “muito localizado e circunscrito”.

“É uma situação que é tópica, e os trabalhos vão ficar circunscritos àquela área e fazer com que todos os esqueletos sejam retirados para serem estudados e deixar aquela área disponível para as intervenções da empreitada”, explica.

Já a antropóloga Sara Gaspar explica que, “havendo restos humanos, têm que ser tratados como património e deve procurar-se a sua preservação e a do seu contexto”.

“Importa perceber se são inumações primárias ou não, como foram feitos os enterramentos, se os restos mortais foram depostos ou não. Já se verifica a esta altura que existe reutilização dos espaços funerários, o que é comum. Para já, estamos a verificar uma utilização intensa do espaço e não muito organizada. Pode isso indicar que esteja associado a um espaço de inumações, reduzido, que foi reutilizado várias vezes ao longo dos 300 anos de ocupação. E que é mais pequeno do que já pensávamos. Ou então pode estar associado a algum pico de mortalidade causado por alguma epidemia, por exemplo”, diz.

A situação já estava prevista na obra,  que “foi avaliada tendo em conta estar inserida na zona de proteção do Convento de São Francisco, um imóvel classificado”, levando que fosse obrigatória a presença da arqueologia a acompanhar a obra.

Estes achados surgiram na intervenção para colocação de infraestruturas novas, em termos de saneamento, com abertura de valas. Além destas ossadas, têm sido encontrados em aterro objetos comuns e cacos, “nada de extraordinário”.

Foto: Nuno G. Lopes / CM Tomar

Além do antigo caneiro (canal empedrado para escoar águas) encontrado, “já intervencionado no século XX”, surgem, segundo o arqueólogo Nuno Santos, vestígios de “alguns poços, de uma zona que nunca teve grande ocupação, e quase rural, já periférica na cidade”.

Além da escavação dos cinco, e tendo conhecimento do projeto para aquela zona, tem que se alargar para desbloquear toda a área uma vez que ainda há infraestruturas que vão ter ser ali instaladas. Vamos resolver tudo, para que possam fazer a instalação da eletricidade.

A contagem no final desta segunda-feira ia já nas 11 inumações identificadas. A previsão sobre a conclusão dos trabalhos irá agora depender do que for sendo encontrado durante a escavação, uma vez que inicialmente estavam previstas apenas duas semanas de trabalhos.

Os trabalhos serão agora circunscritos àquela área, tendo parado as obras de abertura de valas para colocação das infraestruturas. Garantem os técnicos que tal não atrasará a conclusão da obra da Várzea Grande, uma vez que resta muito pouco para instalar naquela zona em concreto.

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