Tomar | Novo jogo didático dá a conhecer o legado templário em Portugal

Clara Costa criou o "Domínio Templário" para miúdos e graúdos – para ser jogado nos serões em família ou em sala de aula

Clara Costa, 47 anos, é uma mulher dos sete ofícios. Com formação em Geografia, piloto de Linha Aérea e ainda Design de Moda e Estilismo, dedica muito do seu tempo ao artesanato. Entre as mil ideias que vai tendo, porque gosta de estar sempre de mãos na massa e com novos projetos, a atualmente professora de Educação Ambiental embarcou no mundo da Ordem do Templo, e fã que é da História de Portugal, começou por criar um jogo didático, de tabuleiro, assente ao máximo nos princípios da sustentabilidade, e traduzido em diversos idiomas. “Domínio Templário” captou a atenção do município de Tomar, que fez uma parceria com o projeto para dar a conhecer momentos da História e a marca deixada em território português pelos Templários, por via de perguntas e respostas, num jogo para miúdos e graúdos – para ser jogado nos serões em família ou em sala de aula.

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Clara Costa viveu desde os 5 anos em Tomar com os pais, tendo a mãe sido professora na cidade. Ali fez os estudos até atingir os 18 anos. Dali foi viver para o Porto. Mas de há 10 anos a esta parte é em Coimbra que reside, sendo a par de Tomar, a cidade do seu coração. “Vou praticamente todos os fins-de-semana a Tomar. São duas cidades muito importantes para mim”, partilha.

Tem diversas e distintas formações académicas, porque diz não aguentar “estar a fazer a mesma coisa sempre”. É professora e dá aulas de Educação Ambiental, mas dedica-se muito ao artesanato, algo que lhe dá muito prazer. E sobrando tempo, ainda se dedica ao restauro de móveis.

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Clara Costa criou o jogo de tabuleiro que está à venda desde o mês passado em Tomar. Créditos: DR

Assume-se uma autodidata e amante do conhecimento e do saber. Gosta de estar sempre ocupada. Tivessem os dias mais de 24 horas e arranjaria sempre algo para se entreter. “Só faço o que gosto”, admite, entre risos.

O jogo andava na gaveta há quase três anos. Ia sofrendo uma alteração aqui e ali, quando lhe pegava. Ainda participou numa atividade de incentivo ao empreendedorismo por via da ADIRN, mas por questões pessoais teve de desistir, altura em que teve de dar apoio à sua mãe, que entretanto faleceu.

Aos poucos, foi-se dedicando à investigação sobre a presença da Ordem dos Templários em Portugal, investigação que durou um ano e meio, com recurso à biblioteca da Casa Costa Lobo, em Coimbra, sendo amiga próxima da família. “Tem quatro bibliotecas com dois ou três séculos. Consegui arranjar bibliografia fiável para construir o jogo. Aos poucos fui procurando e trabalhando as perguntas”, conta.

Trata-se de um jogo essencialmente didático, de perguntas e respostas, e que “dá a conhecer a História da Ordem do Templo, os seus Castelos em território Português, a História de Portugal e dos Descobrimentos”.

Se o jogo tiver viabilidade financeira, Clara Costa poderá criar uma empresa que conceba novas propostas com a temática templária. Créditos: DR
Se o jogo tiver viabilidade financeira, Clara Costa poderá criar uma empresa que conceba novas propostas com a temática templária. Créditos: DR

O jogo, composto por materiais essencialmente sustentáveis, sendo a única coisa de plástico o dado. É praticamente todo feito à mão, até os cavaleiros/peões. Ganha quem conquistar mais castelos e chegar primeiro aos Descobrimentos, e a regra dita que começa a jogar o mais novo, seguindo depois o sentido dos ponteiros do relógio.

“Todos os jogos são feitos por mim, e uma amiga faz a revisão dos textos. E outras amigas estão a ajudar na tradução, uma vez que o jogo está disponível em português, espanhol, inglês e francês”, esclareceu, dando conta da ajuda na confeção por parte da filha Maria, de 18 anos, uma vez que é um processo moroso e minucioso. Em cima da mesa, e se a pandemia não vier estragar o negócio, poderá estar a criação de uma micro-empresa para alavancar a produção do artesanato e dos jogos sob a marca templária.

Clara usou as redes sociais e o online para colocar o jogo à venda, numa fase de testes para perceber a aceitação. Depois foi colocado, em setembro, na Loja do Mundo Conventual da ADIRN, em Tomar, local onde começou a ter saída desde logo.

O jogo é feito artesanalmente e tudo passa pelas mãos de Clara. A ideia é apostar numa confeção à base de materiais sustentáveis, sendo que a única peça de plástico é o dado. Foto: DR

Outras pessoas conhecidas foram testando o jogo, para perceber o nível de dificuldade e interesse, e eis que nasce um jogo “familiar” sobre a temática dos Templários em Portugal, que permite responder “rapidamente às questões, com algumas rasteiras pelo meio”.

“Acho importante ser um jogo de tabuleiro, porque é assim que aprendemos. Aprende-se muito mais a jogar e brincar, ainda por cima é um tema muito vasto”, depreende.

Para ter certeza do rigor da temática e que não iria ferir crenças, consultou diversos amigos e conhecidos familiarizados com a História de Portugal, nomeadamente uma amiga muçulmana a residir na Bélgica para avaliar as questões colocadas em torno da Reconquista Cristã. “Gostou muito, não encontrou nada que pudesse apontar. Hoje em dia temos de antever este tipo de pormenores, vivemos tempos sensíveis”, refere.

Vídeo | Lançamento do jogo “Domínio Templário”, durante as Jornadas Europeias do Património

Na lista de ideias está um jogo de cartas mais complexo, bem como uma edição de colecionador, em madeira e, por isso, mais cara, do jogo “Domínio Templário”. O jogo tem o preço de 18,50 euros e já se encontra à venda também em Coimbra, mas pode ser adquirido através da página da Facebook criada para o efeito.

“É um excelente presente de Natal para os mais novos. Reconstitui um bocadinho da História que já começam a aprender no 5º ano”, sendo por isso mais adequado para jogadores a partir dos 10 anos. Pode ser jogado em grupo de até cinco pessoas.

Tomar, que segundo Clara Costa é um “Santo Graal” dos Templários, tem muitas perguntas dedicadas neste jogo, e a aceitação por parte dos tomarenses, segundo a autora, tem sido boa, sendo considerado “uma mais-valia para a cidade”.

Mas outros projetos estão a caminho, de norte a sul do país, com outras cidades a pedirem a criatividade e perspicácia de Clara Costa para fazer outros jogos semelhantes, que pretendem abrir caminho para conhecer o património e a História dos lugares. Também já teve convites para apresentar o jogo na capital, mas a pandemia de covid-19 veio atrasar um pouco o processo de divulgação deste jogo em particular e do acordo sobre novos projetos.

Quanto ao “Domínio Templário”, poderá vir a crescer num projeto maior, no âmbito da Rota Europeia dos Templários, e fruto de parceria com o Município de Tomar. A ideia é, estando traduzido em diversos idiomas e sendo fácil de transportar, conseguir levar o jogo por toda a Europa. O objetivo é expandir e reforçar a marca Templária em Tomar, atraindo cada vez mais apaixonados do turismo militar e da História de Portugal, sendo o território nabantino porta de entrada para o vasto património histórico e monumental ligado ao tema.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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