- Publicidade -

Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
- Publicidade -

Tomar | Novo Centro de Vacinação anticovid-19 afinal vai ser instalado na sede do Sporting de Tomar (C/ÁUDIO)

Após a onda de contestação por alunos, pais e professores da Escola de Santa Iria, o Centro de Vacinação de Tomar irá ser transferido afinal para a sede do Sporting Clube de Tomar, no piso inferior do Pavilhão Jácome Ratton. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira, dia 6 de dezembro, pela autarca Anabela Freitas, referindo que foi a própria associação que se propôs ceder o espaço tendo em conta as manifestações e descontentamento dados a conhecer pela anunciada ocupação do pavilhão da Santa Iria. Anabela Freitas não deixou de lamentar a situação polémica que se gerou, referindo tratar-se de um “péssimo exemplo de intolerância e egoísmo”. Por parte do ACES Médio Tejo, a diretora executiva Diana Leiria, admitiu ao mediotejo.net que o conflito causou transtorno e incómodo aos profissionais de saúde, pelo que não quiseram prosseguir com a localização anteriormente validada. O novo centro de vacinação deverá agora ser relocalizado nos próximos dias, após avaliação e transferência de todas as infraestruturas.

- Publicidade -

- Publicidade -

“Não queremos em Tomar baixar a taxa de vacinação por uma guerra que não tem sentido nenhum. E portanto, tal como dissemos no dia 29, que estávamos sempre à procura de soluções, encontrámos ontem uma solução e agradeço à associação que se disponibilizou. O Centro de vacinação não vai estar na Escola de Santa Iria, vai estar na sede do Sporting, no piso de baixo do Pavilhão Jácome Ratton, após visita pelos profissionais de informática”, informou Anabela Freitas.

ÁUDIO | Anabela Freitas, presidente da CM Tomar

- Publicidade -

Foi o Sporting de Tomar que contactou a presidência da Câmara para se disponibilizar ao saber do conflito tornado público, e foi o clube informado de que esta cedência ocorrerá por tempo indeterminado. “Permitimos que eles passassem o bar para o primeiro andar, junto à nave do pavilhão, visto que tiram dali alguma receita. Foi definido com a entidade de saúde a passagem para a lavandaria após os treinos e não há ali problema nenhum. É um espaço que tem condições para os profissionais também fazerem as suas refeições”, explicou Anabela Freitas.

Ainda sem data para o arranque do funcionamento do novo centro de vacinação relocalizado para a casa de partida, no Pavilhão Jácome Ratton, espera-se agora que a transferência possa decorrer nos próximos dias, mas sem se conseguir estimar quando tal será possível.

Foto: mediotejo.net
- Publicidade -

Serão aproveitados os gabinetes do Sporting Clube de Tomar, e já ontem foram definidos circuitos de entrada e saída, bem como áreas de recobro regular e reservada.

Também os serviços da autarquia estão a trabalhar quanto ao estacionamento, para avaliar se é necessário proceder a alterações de trânsito.

“Tem rampa de acesso para entrar no edifício, e iremos colocar uma rampa na porta de saída. Vai ser adaptado e vamos tentar dar as melhores condições possíveis a quem trabalhar lá e a quem tiver que ir ao centro”, enumerou.

A presidente da Câmara notou ainda as exigências para que os espaços possam ser validados e servir estes centros de vacinação, nomeadamente o facto de terem ser espaços amplos, que possam ter circuitos perfeitamente definidos, ter corrente elétrica contínua sem falhas de energia, entre outros.

“Lamento que aquilo que ocorreu aqui seja um péssimo exemplo de intolerância e de egoísmo. Estivemos e estamos sempre disponíveis para o diálogo, mas o diálogo faz-se a uma mesa e não utilizando crianças nem redes sociais, porque isso não resolve nada”, frisou a edil tomarense

A sede do Sporting fica na cave do Pavilhão Jácome Ratton, estando inserido numa zona predial com bastante estacionamento em volta. Recorde-se que o primeiro centro de vacinação de Tomar esteve instalado no próprio Pavilhão, mas a autarquia não quis prejudicar novamente a atividade desportiva quer de clubes, quer de escolas. Foto: mediotejo.net

A edil admitiu também que se chegou a equacionar não instalar um centro de vacinação em Tomar caso não existissem espaços disponíveis e devidamente validados pela entidade de saúde.

“Isto implicava que os tomarenses fossem para fora, para outros centros de vacinação noutros concelhos, onde nada disto se passa. As pessoas entendem o esforço que todos temos de fazer”, relembrou.

Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal de Tomar, começou no início da conferência de imprensa por fazer uma passagem pelo historial de todo o processo, referindo que foi em setembro que foram dadas indicações para que os grandes centros de vacinação fossem transferidos para espaços mais pequenos, daí ter sido instalado no 1º piso do Pavilhão Municipal.

ÁUDIO | Anabela Freitas, presidente da CM Tomar

Porém, este que é o atual espaço foi sendo alvo de reporte de problemas de diversa ordem, desde logo no que toca a acessibilidade por pessoas idosas e com problemas de mobilidade e pelo funcionamento débil que foi originando reclamações na comunidade.

Em novembro, as instruções surgem no sentido de aumentar o nível de vacinação e como tal reativar os centros de vacinação para a covid-19.

Desde o final de outubro que a autarquia tem visitado e indicado espaços para serem validados pela entidade de saúde, alguns pertença do Município e outros de entidades externas, caso da tenda do Mercado, de um espaço disponibilizado pelo CHMT, e de outro pelo Instituto Politécnico de Tomar. Também houve contacto com o Exército para tentar alternativa via Regimento de Infantaria 15. Porém, os espaços não reuniram as condições pretendidas pelo ACES Médio Tejo.

Destacando a pressão para reforço da vacinação e para encontrar um espaço que permitisse aumentar a capacidade, a autarca deu conta de que a primeira visita a instalações desportivas dentro de espaços escolares, com a presença da direção dos Agrupamentos de Escolas, ocorreu a 25 de novembro, no qual se incluiu o pavilhão da Escola de Santa Iria e o da Escola Gualdim Pais, sendo que o primeiro tinha melhores condições e seria a Santa Iria a escola com menos alunos. Sem o espaço ainda estar validado, a 26 de novembro, a Associação de Pais solicitou uma reunião à Câmara, que decorreu a 29 de novembro.

Pavilhão da Escola de Santa Iria era o local inicialmente previsto para acolher o novo Centro de Vacinação de Tomar após validação das entidades de saúde. Alunos, professores e pais estão contra a decisão. Foto: DR

“Reunimos com a Associação de Pais e, para nosso espanto, vem um conjunto de professores e de crianças. Denota logo uma pouca vontade de diálogo. Mesmo assim, fizemos a reunião, respondemos às questões dos pais, respondemos às questões dos professores, e dissemos sempre que esta é uma solução de recurso. Disse inúmeras vezes que duas cabeças pensam melhor que uma e que estamos disponíveis para que nos indiquem outros espaços que eventualmente não tenhamos pensado”, contextualizou.

Acontece que, segundo a edil, a Associação de Pais propôs que o centro de vacinação pudesse ser desdobrado, mantendo o atual espaço e passando parte para um espaço do CHMT, que já tinha sido visitado e não tinha sido validado porque era pequeno e não permitia aumento para o número de vacinas que a Saúde terá de administrar. Porém, o ACES Médio Tejo disse não ter recursos humanos disponíveis para essa duplicação.

A autarquia, por seu turno, propôs outra hipótese, que seria a de alugar uma tenda para a prática desportiva e que seria instalada no bastante alargado recinto escolar. “Na prática montávamos um ginásio com pavimento indoor, com três contentores adaptados a balneários masculino, feminino e para professores, e coloquei no dia 29 à noite esta hipótese à Associação de Pais, que foi transmitida à direção da escola”, deu conta. A Associação de Pais respondeu não ter poder para validar essa proposta. E continuaram as manifestações de desagrado público.

Inclusive a Associação de Pais chegou a convocar nova reunião para sexta-feira ao final da tarde, com a direção da escola e do Agrupamento de Escolas Templários, porém nenhum representante da autarquia ou do ACES Médio Tejo esteve presente. Nessa mesma tarde decorria uma manifestação por alunos, professores e pais à entrada da escola de Santa Iria.

“Durante a semana foram proferidas declarações em órgãos de comunicação social e imprensa escrita, por parte de alguns professores, sem sequer se sentarem a uma mesa com a direção, sem querer saber que proposta era a da tenda, a denegrir completamente esta sugestão. Aquilo que tem passado nas redes sociais, e volto a dizer, não é nas redes sociais que as coisas se debatem. Se estão efetivamente interessados numa solução – e todos nós queremos uma solução para este caso – é numa mesa que se fala e não a convocar crianças, a colocar crianças num problema que é de adultos. As crianças têm que continuar a ser crianças e lamento imenso que inclusive a Associação de Pais possa estar a ser utilizada para guerras corporativas”, mencionou Anabela Freitas.

Por outro lado, alertou a presidente de Câmara, “este clima” veio causar “algum desconforto” aos profissionais de saúde, algo que o ACES Médio Tejo confirmou.

Da parte do ACES Médio Tejo não se esconde o constrangimento e desconforto, bem como a sensação de alguma injustiça e desconsideração para com o esforço dos profissionais de saúde, reconheceu Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo.

Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo. A sede do ACES vai mudar de Riachos para Torres Novas. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo

“Houve realmente muita contestação, e perante essa contestação eu contactei a Sra. Presidente de Câmara e disse que nunca, nunca, iria sujeitar os profissionais de saúde a estarem num local onde não os querem. Isso seria demasiado ingrato para quem tem trabalhado tantos dias seguidos, sem feriados, sem nada. Nunca os sujeitaria nem a manifestações, nem a situações destas. É lamentável que assim seja, porque tudo se resolve falando”, assumiu Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo, demonstrando algum transtorno causado pela onda de manifestações que têm sucedido.

Durante a manhã desta segunda-feira, decorreu nova manifestação no recinto escolar da EB Santa Iria, com os alunos a exibirem cartazes e a entoarem cânticos onde se transmitia que o centro de vacinação não é bem-vindo àquela escola.

Recorde-se que estava previsto o novo centro de vacinação entrar em funcionamento a 9 de dezembro no pavilhão da Escola de Santa Iria.

Acontece que a comunidade escolar e a Associação de Pais fizeram-se ouvir e têm-se movimentado no sentido de manifestar-se contra a instalação do Centro de vacinação na escola.

Se por um lado os docentes alertam para o facto de serem restringidas as condições para a prática desportiva e para lecionar Educação Física e isso interferir na atividade letiva, também os pais se manifestam contra o funcionamento deste centro no interior das instalações escolares, reivindicando a segurança, privacidade e tranquilidade dos mais novos ao frequentarem a escola.

Após a onda de contestação por alunos, pais e professores da Escola de Santa Iria, o Centro de Vacinação de Tomar irá ser transferido afinal para a sede do Sporting Clube de Tomar, no piso inferior do Pavilhão Jácome Ratton. Foto: CMT

Na última reunião de Câmara os vereadores do PSD mostraram-se surpreendidos com a decisão. Também a concelhia do partido CHEGA emitiu um comunicado a repudiar a instalação do centro de vacinação no pavilhão escolar.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome