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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Tomar | Município firma protocolo para criar Museu da Ordem dos Templários (c/áudio)

O Município de Tomar assinou um protocolo com a Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Jerusalém (OPCTJ) com intuito de criar na cidade um Museu da Ordem dos Templários (MOT). Na fase inicial é apontada a Casa dos Tectos como espaço que virá a albergar o museu, mas a localização não está fechada. Tomar assume-se, segundo a proposta, como “centro agregador e uma referência a nível nacional e internacional da pegada templária”. O PSD votou contra a ratificação do protocolo na passada reunião de Câmara, criticando o facto de não ter sido discutido em sede de executivo camarário e considerando que foi “feito à pressa”, referindo o vereador Tiago Carrão (PSD) que “preocupa a leviandade com que trata a temática templária, algo que nos é tão caro e com tanto potencial para Tomar”.

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O protocolo de cooperação foi assinado a 6 de novembro, durante a I Convenção anual da OPCTJ, que decorreu de 5 e 7 de novembro, no Hotel dos Templários e no Convento de Cristo. Seguiu para ratificação na passada reunião de Câmara, no dia 15 e contou com os votos contra dos três vereadores do PSD, tendo sido aprovado pela maioria socialista da autarquia tomarense.

Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, deu conta do que está em cima da mesa com a celebração deste protocolo e do projeto para criar o Museu da Ordem dos Templários (MOT) cujo trabalho será desenvolvido a médio/longo prazo. Inicialmente está previsto que o Museu possa eventualmente localizar-se na Casa dos Tectos, atual sede da Escola Profissional de Tomar que a autarquia quer mover para o antigo Colégio Nuno Álvares.

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Casa dos Tectos, em Tomar. Sede da Escola Profissional de Tomar. Foto: EPT

O protocolo, que é para já “abrangente” para depois ir sendo ajustado conforme o desenvolvimento, pretende permitir para já o arranque do trabalho de investigação que sirva de base para criação de conteúdo do museu.

Tiago Carrão, vereador do PSD, interveio na sessão para dar conta do desagrado da oposição por não ter tido acesso a esta informação quanto à celebração do protocolo antes de o mesmo ter sido assinado, recordando que houve reunião de Câmara a 2 de novembro e o protocolo fora assinado no dia 6.

“Poderia e deveria ter sido trazido a reunião de Câmara antecipadamente, dada a importância da temática e do potencial que um protocolo desta dimensão e a marca templária poderá ter”, disse o vereador, crendo que deveria ter sido debatido e “enriquecido, talvez, com os contributos deste executivo”.

ÁUDIO | Tiago Carrão, vereador do PSD na CM Tomar

Tiago Carrão apontou ainda que “esta atitude talvez não seja mais uma para desconsiderar a importância deste órgão e das reuniões de executivo municipal, que em muito mais poderiam contribuir e enriquecer a gestão autárquica”.

O PSD levantou várias questões sobre o protocolo que notou parecer ter sido feito “em cima do joelho”, nomeadamente sobre a escolha e o porquê de ser esta organização da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Jerusalém (OPCTJ) a levar por diante o protocolo, bem como sobre qual a garantia de sucesso para a viabilização do museu.

Os social-democratas questionaram ainda sobre o facto de outra organização similar ter tentado reunir com a autarquia mas que tal não foi possível, pedindo esclarecimentos sobre as circunstâncias desta situação.

Quanto ao protocolo, o PSD disse entender que “é poucochinho o que efetivamente define sobre o referido museu”, contendo cláusulas muito abstratas e abrangentes. “Não deveria este protocolo definir melhor e salvaguardar melhor os interesses do concelho e os interesses da marca templária?”, interrogou.

“Esperemos que o executivo tenha em reunião a possibilidade de acompanhar esse caminho e que não seja apenas, daqui por uns tempos, já depois de percorrido, para ratificar esse caminho”, terminou Tiago Carrão (PSD).

Créditos: OPCTJ

Perante o facto de inicialmente estar prevista a criação do museu na Casa dos Tectos, no centro histórico tomarense e atual sede da Escola Profissional de Tomar, Tiago Carrão (PSD) relevou que a indicação deste edifício emblemático mereceria “melhor reflexão e debate do que comprometer um espaço desta natureza, podendo ser ou não o mais adequado”.

ÁUDIO | Anabela Freitas (PS), presidente da CM Tomar 

Por seu turno, a presidente da Câmara Municipal de Tomar, Anabela Freitas, notou que o objetivo é que “o museu tenha dimensão internacional atendendo à temática templária” e que o protocolo comece por ser abrangente e depois que vá sendo mais específico e concreto conforme o adiantar dos trabalhos.

Disse desconhecer sobre intenção de outra organização querer reunir com a autarquia, e sublinhou que a temática templária “é das que mais divide os académicos e as pessoas, porque vai desde o mais puro académico até à parte mais esotérica”.

Neste sentido, crê que tem de se “definir uma fronteira”, mas que o objetivo para Tomar é que a temática templária seja “um atrativo para o território, que tenha uma dimensão turística/económica”.

Anabela Freitas, presidente da CM Tomar. Foto: mediotejo.net

Defendendo ser “inquestionável” que esteja subjacente aos projetos sobre os templários uma base científica/académica, a edil apontou que o problema passa por colocar as várias vertentes à mesa e em consenso, uma vez que existem diferentes entendimentos, até de “extremos”.

“O problema é conciliar as várias dimensões (…) é um caminho que tem de ser feito, e que não se faz de um dia para o outro”, assumiu a edil.

Por outro lado, questionou. “Era ou não importante para Tomar, que, sobre a temática templária Dan Brown escrevesse um livro? Era ou não importante para Tomar que houvesse uma política de edição de livros académicos, teses de mestrado ou de doutoramento, mas que também poderão ser livros de ficção construídos em cima de base académica”, acrescentou.

Anabela Freitas diz que se ambiciona “um Museu que conte efetivamente a história dos templários não só no nosso território, mas também no nosso país, mas que seja um museu interativo e que capte as novas gerações, e que faça ligação também aos outros locais ou sítios templários nacionais e internacionais”.

Reconstituição histórica dos tempos templários em Tomar. Foto arquivo: Luís Ribeiro

Quanto à organização envolvida no projeto de emancipação e valorização da marca templária, a edil tomarense afirmou que entre os requisitos deve ser “uma organização com rigor histórico e científico, e a partir daí construímos produto turístico/económico”.

Refira-se que o Museu da Ordem dos Templários (MOT) é tutelado pela Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Jerusalém (OPCTJ) e a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), entidades que “irão desenvolver um projeto de investigação conjunto sobre os Templários em Portugal”.

Segundo a OPCTJ, esta parceria será liderada por Manuel Furtado Mendes, apontado como diretor do MOT, e que contará com trabalho científico das investigadoras Paula Pinto Costa e Joana Lencart, ambas doutoradas em História e especialistas em ordens religioso-militares do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM).

“As investigadoras Paula Pinto Costa e Joana Lencart irão assegurar, no âmbito deste projeto, um profundo levantamento histórico, que vai contribuir para a consolidação do conhecimento sobre a Ordem do Templo, a sua implantação em território português e a nível global, bem como o acompanhamento da seriação do acervo e produção de conteúdos, com vista à sua exposição no MOT num futuro próximo, em Tomar, em articulação com o Município”, termina a informação constante no site da organização.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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1 COMENTÁRIO

  1. Foi preciso um partido novo como o Volt colocar no programa autárquico esta ideia, para que ela se realizasse (ainda que em menor escala e subaproveitada).

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