Tomar | Município com foco nos transportes, refeições e recursos humanos em novo ano letivo

Escola Secundária Jácome Ratton, escola sede do Agrupamento Templários, em Tomar. Foto: Assoc. Pais Jácome Ratton

Em Tomar, o arranque do próximo ano letivo acontece já na próxima semana, pela primeira vez com os dois Agrupamentos a funcionar por semestres. Mas as apreensões dirigem-se sobretudo para a questão da pandemia de Covid-19. O impacto que terá nos transportes escolares, nas refeições e também nos recursos humanos disponíveis são as principais preocupações elencadas ao mediotejo.net por Hugo Cristovão vice-presidente da Câmara Municipal de Tomar e responsável pelo pelouro da Educação.

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“Infelizmente, tenho quase a certeza que haverá coisas que se calhar de uma semana para a outra vamos ter que preparar, porque há muitas dúvidas e questões menos claras da maneira como as aulas se vão iniciar”. Foi este o ponto de situação feito no final do mês de agosto pelo vereador Hugo Cristóvão ao mediotejo.net relativamente ao arranque de mais um ano escolar no concelho.

Existem diversas questões diretamente relacionadas com a pandemia que significam uma preocupação acrescida para o novo ano que agora se inicia. Mas já lá vamos.

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As aulas no concelho de Tomar têm início no dia 14 de setembro quer no Agrupamento de Escolas Templários quer no Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria.

Filipa Fernandes e Hugo Cristóvão, vereadora e vice-presidente da CM Tomar. Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

Com o calendário escolar “definido há bastante tempo”, Hugo Cristóvão dá conta de que este é o primeiro ano em que todo o concelho vai trabalhar por semestres, incluindo não só os dois agrupamentos como também a Escola Profissional de Tomar.

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“O ano passado tivemos um agrupamento a trabalhar por semestre e outro por períodos, o que causou algumas dificuldades, em questões de transportes escolares diferenciados e atividades extra-curriculares, foi um ano difícil por isso, por termos dois calendários escolares diferentes. Este ano temos então já todo o concelho com a nova realidade”, explica o vereador da Câmara Municipal de Tomar com o pelouro da Educação.

Consequência do processo de descentralização de competências para as autarquias, o Município define “duas grandes responsabilidades” para este ano letivo 2020/2021: os recursos humanos e os recursos materiais.

Quanto à questão de turmas e alunos, nomeadamente horários, planeamento de salas e tudo o que envolve a questão pedagógica, são tarefas dos Agrupamentos, num trabalho no qual o Município vai “tentando ajudar o possível”.

“Eles tendo alguma dificuldade, colocam-na ao Município”, refere Hugo Cristóvão que salienta o trabalho em articulação desenvolvido com as diversas entidades competentes.
Transportes escolares e refeições: duas áreas que oferecem “apreensão”.

Transportes escolares e refeições: duas áreas que oferecem “apreensão”

“A questão dos transportes é uma das que mais apreensão nos coloca (…) é um dos problemas que estamos a tentar afinar o mais possível”, diz o vereador. Consequência da pandemia, os horários de transporte e a lotação dos mesmos acarreta diferentes situações como a possibilidade de existirem alunos a ter que vir, por exemplo, uma hora antes do início das aulas.

Escola Secundária Santa Maria do Olival, Tomar. Foto: DR

“É algo que nós não gostaríamos que acontecesse, que não desejamos para as nossas crianças. Mas, efetivamente, há essa perspetiva. Podemos ter alunos a chegar uma hora antes de as aulas começarem porque os autocarros são os mesmos, independentemente, das aulas de um agrupamento e outro”, destaca Hugo Cristóvão.

E ligada à questão dos transportes está a das refeições escolares. Estas vão funcionar em “sistema misto”. “Teremos refeições físicas nas escolas mas também em takeaway”, diz Hugo Cristóvão.

Uma solução que procura responder aos possíveis atrasos no serviço de fornecimento das refeições presenciais, o que obrigaria a que o regresso dos autocarros à hora de almoço fosse mais tardio do que o habitual.

Por via da descentralização de competências para as autarquias, este vai ser o primeiro ano em que o Município assume a responsabilidade total em termos das cantinas do concelho. Até então, as cantinas das EB 2/3 e secundárias eram da responsabilidade do Ministério da Educação.

Quanto aos apoios a alunos carenciados, o Município vai continuar a suportar as refeições no escalão A e a metade no escalão B no pré-escolar e 1º ciclo – que são responsabilidade direta do Município. Hugo Cristóvão destaca que tem havido nos últimos anos “muitas situações de passagem do B para o A” e que, mediante parecer social, é possível dar outros apoios a alunos que necessitem. “Os apoios sociais na área da educação são vastos”, admite.

Ainda no sentido de apoiar os alunos para o caso da necessidade de retomar as aulas online em virtude da progressão da pandemia, o Município mostra-se “preparado e disponível para fazer um reforço” no que diz respeito ao fornecimento de computadores.

Hugo Cristóvão saliente que esta é uma “área cinzenta” uma vez que “não há uma responsabilidade forma dos Municípios darem computadores a cada aluno” mas lembra que já em março com o aparecimento da pandemia a autarquia disponibilizou cerca de 400 computadores, entre já existentes e adquiridos, para ajudar os alunos.

“Mas também digo que há essa expectativa que, da parte do Governo, possa existir incentivos para a comunidade escolar e depois também para toda a comunidade”, clarifica o vereador com o pelouro da Educação do Município de Tomar.

O rejuvenescimento dos recursos humanos

É outra das apreensões do Município e na qual tem trabalhado nos últimos anos: o rejuvenescimento dos recursos humanos. Hugo Cristóvão constata a existência de uma faixa etária “muito envelhecida” na área dos assistentes operacionais da educação, apesar de o Município ter “nestes últimos três, quatro anos feito concursos e introduzido novo pessoal no quadro”.

“Há ainda uma percentagem muito elevada de pessoas envelhecidas, acima dos 50/55 anos”, diz. Para este ano letivo o concelho conta com um total de cerca de 200 funcionários nas escolas: 140 já do Município aos quais se juntam cerca de 60 vindos do Ministério.

O receio da autarquia prende-se com as baixas médicas, no âmbito da pandemia de Covid-19. “Temos algum receio que isso coloque problemas no funcionamento do dia a dia das escolas”, admite Hugo Cristóvão.

Alunos do primeiro ciclo das escolas de Tomar receberam
em 2019 ‘kits’ ambientais. Foto: CMT

Num ano que espera trabalhoso e intenso, o Município de Tomar está num trabalho articulado com diversas entidades, em particular com os agrupamentos, mas Hugo Cristóvão não esconde que apesar de as aulas arrancarem a 14 de setembro, haverá sempre “situações que é preciso afinar no dia a dia e este ano isso será ainda mais assim de certeza”.

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