Tomar | Munícipe foi à reunião de câmara queixar-se de pocilga ilegal na cidade

Foi uma situação tão insólita quanto caricata para quem a presenciou. Um munícipe compareceu na última reunião pública, na segunda feira, 7 de novembro, relatando aquilo que no seu entender é uma situação gravosa para a saúde pública: a existência de uma pocilga na malha urbana de Tomar.  Após ouvir a intervenção deste munícipe, o vereador Hugo Cristóvão (PS) admitiu a existência desta situação e indicou que o proprietário vai ser notificado para avançar com a demolição dos barracões e a consequente retirada dos animais.

Paulo Ferreira, residente na localidade de Carvalheiros –  que integra a junta urbana de Tomar –  contou que em 2015, o seu vizinho construiu um barracão e ali colocou 15 porcos, “a quatro ou cinco metros da sua cozinha”. Considera que esta construção é ilegal uma vez que nunca viu alvará de obra no exterior. “Temos uma exploração de pecuária dentro da cidade”, denunciou aos elementos do executivo camarário, reunidos na segunda-feira, 7 de novembro, referindo que apresentou queixa junto da câmara municipal, em agosto.

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Executivo camarário ouviu queixas de munícipe na última reunião de câmara Foto: mediotejo.net

Após este procedimento, conta que um fiscal da autarquia deslocou-se ao local e, posteriormente, escreveu um relatório referindo que tudo estava em conformidade. O munícipe não concordou com a resposta do fiscal, que data de 16 de agosto. Foi feita uma segunda inspecção ao local, tendo-se deslocado ao local o arquiteto José Carlos que lhe confirmou que os barracões não estavam devidamente licenciados. “Pessoalmente não ponho de parte apresentar uma queixa crime contra o fiscal que fez um relatório falso”, sustentou.

O munícipe queixou-se ainda que, não obstante ter contactado vários organismos – não houve, até este momento, qualquer resultado. “Os porcos continuam lá. Não estão vacinados e para além do perigo para a saúde pública são perigosos caso fujam para a via pública”, sustentou, acrescentando que teme pela sua filha de 11 anos e pelas amigas que a visitam.

O tomarense queixa-se que esta situação se arrasta há mais de um ano. Inicialmente começou por pedir ao vizinho que retirasse os porcos ao que este anuiu. Só que, para além de não o fazer, aproveitou uma deslocação sua mais prolongada, para ampliar os barracões.

“No último fim de semana de outubro, o cheiro era absolutamente nauseabundo. Na terça feira, feriado, 1 de novembro, chamei as autoridades (PSP) ao local e pedi que entrassem na minha casa para que pudessem constatar a existência de três pocilgas e o cheiro proveniente das mesmas”, relatou.

O munícipe causou ainda algum desconforto no executivo quando endereçou um convite insólito aos presentes. “Convido todos os presentes neste salão nobre para irem à minha casa, uma moradia que me custou bastante, para verem as ratazanas que ali passam do tamanho de coelhos. A minha intervenção passa por expor a minha situação e, daqui para a frente, responsabilizar a câmara pelo que ali se encontra”, declarou.

Antes do munícipe deixar de usar a palavra, a presidente da Câmara, Anabela Freitas (PS) referiu que vai ser aberto um conjunto de procedimentos internos para averiguar o que se passou com as fiscalizações no local.

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