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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Tomar | Memória de José-Augusto França evocada em programa de Centenário do seu nascimento

Tomar irá evocar o tomarense José-Augusto França, referência no mundo da arte, com um programa especial de centenário do seu aniversário que decorrerá até 2022. O programa arrancou com singela homenagem ao historiador, sociólogo e crítico de arte José-Augusto França, figura de relevo da arte e cultura portuguesas que faleceu este ano na casa de saúde de Jarzé, perto da cidade francesa de Angers, tendo sido descerrada a placa do Centro de Documentação Professor José-Augusto França, no edifício da Museologia, junto ao Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) de Tomar, edifícios que contêm o espólio que doou à autarquia, sendo esta sua fiel depositária.

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Filipa Fernandes, vereadora da Cultura da CM Tomar, anunciou que irá ser aberto ainda este ano o segundo Núcleo de Arte Contemporânea que será um centro de exposições temporárias na Rua Silva Magalhães – perpendicular à Rua Gil Avô onde se situa o NAC e o Centro de Documentação – e que será lançado um site do NAC para permitir consulta a partir de qualquer parte do mundo e divulgando aos amantes e estudiosos da arte as importantes obras que França reuniu ao longo da vida.

Recordou que o Município de Tomar e os tomarenses são “fiéis depositários do espólio de José-Augusto França”, numa vasta coleção que inclui pintura, desenho, escultura, livros, manuscritos, documentos, documentários e outros. A vereadora notou que este Centro de Documentação está disponível ao público, podendo o espólio ser consultado por marcação, e lembrando que é muito frequentado por alunos e professores que pedem acesso.

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José-Augusto França foi também responsável pela criação do Núcleo de Arte Contemporânea (NAC), na mesma rua onde se situa o recém-nomeado Centro de Documentação, um espaço aberto em 2004 e inaugurado pelo então Presidente da República Jorge Sampaio e pelo Ministro da Cultura Pedro Roseta.

Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) de Tomar, uma doação de José-Augusto França. Foto: mediotejo.net

“Este é um dos espaços museológicos por nós muito querido, uma vez que representa não só um tomarense, como representa uma figura incontornável da cultura portuguesa”, salientou a vereadora, referindo que o município tem “uma responsabilidade grande” para com este tomarense, sendo a autarquia fiel depositária da sua extensa e importante coleção de arte e documental.

A evocação da memória do historiador e crítico de arte, ao longo do ano de centenário de França, incluirá a abertura do Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) II, atividades e concertos no Cine-Teatro Paraíso.

“Vamos ter várias atividades e hoje começamos simbolicamente com uma delas, com a evocação da memória de José-Augusto França, nomeando o Centro de Documentação”, notou, dando conta da intenção de “aproximação entre os dois Núcleos de Arte Contemporânea”.

Quanto ao site para o NAC, Filipa Fernandes referiu que o museu merece “todo o respeito e toda a dignidade, e o site será a mostra para o mundo, para quem não pode visitar presencialmente terá essa possibilidade de o fazer através do site”.

Também a primeira edição dos Cadernos Culturais Nabantinos, uma edição do Município, será de homenagem a esta figura ímpar.

Foto: mediotejo.net

O programa de centenário do nascimento de José-Augusto França terminará no dia 16 de novembro de 2022, dia em que completaria 100 anos.

A sessão contou com amigos, admiradores e alunos de Belas Artes que quiseram estar presentes na homenagem evocativa de José-Augusto França, tendo estado também presente a professora Cristina Azevedo Tavares, docente de Belas Artes em Lisboa e integrante do Conselho Consultivo do Núcleo de Arte Contemporânea de Tomar.

A mesma foi responsável por uma visita guiada ao NAC, a par do arquiteto Jorge Dias Mascarenhas, responsável pela reabilitação do espaço que abordou a estrutura do edifício que conta com painel de azulejos de Eduardo Nery e escultura de José de Guimarães no seu exterior, elementos identificativos do NAC.

Cristina Azevedo Tavares notou que o NAC, apesar de ter uma estrutura considerável, não é suficiente para expor tudo o que integra a coleção ou depósito de José-Augusto França, e entendeu ser fundamental ter o Centro de Documentação para dar resposta aos restantes documentos e livros.

Refira-se que o NAC alberga mais de cem obras da coleção de arte moderna portuguesa recolhida em vida por José-Augusto França, dos seus vários contactos e relações com artistas e pessoas ligadas à arte.

Ali estão principalmente obras datadas dos anos 40 aos anos 70, com representações e criações do Surrealismo ao Abstracionismo, Nova Figuração, do Modernismo e Pós-Modernismo até ao final do século XX.

Cristina Azevedo Tavares, docente de Belas Artes em Lisboa e integrante do Conselho Consultivo do Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) de Tomar. Foto: mediotejo.net

“Complementar o Museu com o Centro de Documentação era uma ideia que o Professor França tinha em mente, de haver uma parte de investigação não só ligada a Tomar, ao Politécnico e aos estudantes de Tomar, mas também outras pessoas que aqui viessem estudar. É uma forma de entrarmos dentro da própria coleção”, disse, acrescentando estar “muito satisfeita” com o sucedido.

“[José-Augusto França] ficaria muito contente se soubesse que o centro teria o seu nome, embora fosse um homem que gostasse da obra feita e depois não se preocupasse muito com essas questões”, sublinhou.

Nascido em Tomar em 16 de Novembro de 1922, José-Augusto França doou muito do seu espólio à cidade natal, que deu origem ao Núcleo de Arte Contemporânea, e a dezenas de exposições que puseram Tomar na rota das artes plásticas no início do século XXI.

Casado com a historiadora de arte Marie Therèse Mandroux, o crítico faleceu a 18 de setembro de 2021, em França, aos 98 anos.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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