- Publicidade -

Tomar | Lucinda Alves, 63 anos a vender no mercado da cidade

Lucinda Alves tem 66 anos e desde os três anos que vende no mercado de Tomar. “Eu nasci e cresci aqui com os meus pais. Não quis estudar e os meus pais puseram-me aqui numa banca a vender bananas. Aqui fui criada, aqui casei e aqui criei os meus filhos. A minha vida tem sido toda aqui”, conta a simpática vendedora na sua banca de produtos hortícolas e fruta.

- Publicidade -

Lembra-se quando tinha seis anos que os seus pais a incentivavam a vender fruta interpelando os potenciais clientes na rua. Conta que, com uma cesta de bananas no braço, ia para a Várzea Grande, onde paravam os autocarros que iam para Fátima. Empertigada, entrava nos autocarros e percorria os lugares de uma ponta à outra. Como os excursionistas achavam graça à desenvoltura da menina, acabavam por comprar as bananas, para satisfação dos seus pais.

Ao longo destes 63 anos lembra-se que o negócio passou por muitas fases, “umas boas, outras más e ainda outras assim-assim”. “Agora estamos numa fase fraca” resultado do encerramento do edifício do mercado durante cinco anos e meio. “Aí é que foi o caos”, critica Lucinda Alves referindo-se ao tempo em que o mercado funcionou provisoriamente numa tenda, depois de o edifício principal ser fechado em 2010 pela ASAE por falta de condições sanitárias.

- Publicidade -

Lucinda Alves aos 25 anos a vender no mercado de Tomar (Foto: DR)

“As pessoas ganharam outros hábitos de consumo e agora custa regressar”, refere explicando que a venda “de semana é muito fraca, à sexta e ao sábado é mais ou menos”. Sexta por ser dia de mercado semanal e sábado por ser fim de semana.

O seu maior desejo era ter mais clientes. “Se houvesse mais clientela, expandíamos”, aponta, realçando as qualidades dos seus produtos. Um fator que contribui para a fidelização da clientela. “Tenho fregueses há 40 e tal anos. Hoje veio cá uma cliente que compra aqui há 35 anos”, revela orgulhosa.

Não se cansa de destacar as qualidades dos seus produtos e do mercado em geral. Conta que um grupo de excursionistas visitaram há pouco tempo o mercado a uma sexta feira e ficaram encantados com o que viram. “Comentaram que nunca tinham visto um mercado com tanta fartura de peixe, carne, fruta e legumes e tudo bom!”

Os pais de Lucinda Alves a vender bananas há 60 anos (Foto: DR)

Elogia o atual vereador do pelouro, Bruno Graça. “Se não fosse ele, o mercado não tinha sido arranjado. É uma pessoa impecável, muito reta e tenta-nos ajudar”.

Todos os dias, Lucinda Alves sai de casa, nos arredores da cidade, às 6 da manhã para vender no mercado. À sexta e ao sábado sai ainda mais cedo. Da parte da tarde fica à espera que comece o mercado abastecedor e ao fim do dia regressa a casa.

Quando lhe perguntamos até quando pensa manter a atividade, responde: “vou vender até que Deus me deixar, até que me possa mexer”.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
O seu nome

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- Publicidade -