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Tomar | Jovem tomarense apurado para Campeonato do Mundo Open de Ski Náutico

Chama-se Francisco Rodrigues, tem 24 anos, é natural de Tomar e foi apurado – a par de Marta Simões de Coruche – para o Campeonato do Mundo Open de Ski Náutico que decorre em Paris, entre 3 e 10 de setembro. Um feito de destaque uma vez que há mais de 10 anos que nenhum atleta português entrava num Campeonato do Mundo Open de Ski Náutico. Entre os dois, dizem que já treinaram “cerca de 400 vezes só este ano”, considerando que estão bem preparados para esta prova onde vão competir com a nata da nata.

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Francisco Rodrigues tem 24 anos e pratica ski desde a infância, escolhendo a Barragem do Castelo de Bode para treinar diariamente Foto: mediotejo.net

Através de uma página de crowdfunding, Francisco e Marta conseguiram os apoios necessários com vista à realização deste sonho uma vez que, apesar de contarem sempre com o apoio dos patrocinadores, o orçamento (viagens, alojamento, etc…) para participar nesta prova rondava os 2500 euros.

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Jovem tomarense faz dois treinos diários, numa prática que exige uma grande preparação física Foto: mediotejo.net

Francisco Rodrigues pratica ski desde os seus 6 anos. Nestes 18 anos de entrega, passou 12 anos em competições sendo que teve a oportunidade de participar em 8 campeonatos nacionais em todas as categorias, dos quais ganhou quatro. Participou também em 4 Europeus e em mais de 30 provas internacionais. A última prova em que participou foi em Julho numa importante etapa do Nautique Big Dawg World Tour. Licenciado em Gestão de Empresas, o seu sonho passa por, um dia, por viver apenas desta paixão, abrindo uma escola para contagiar os outros.

Francisco Rodrigues com o seu treinador Nuno Eça, da “Wake Villa wakeboard Scholl” onde também dá aulas Foto: mediotejo.net

Foi na Barragem de Castelo de Bode que encontramos Francisco Rodrigues a fazer mais um dos seus treinos diários com a ajuda do treinador Nuno Eça, da “Wake Villa wakeboard Scholl” no Vale da Menina, freguesia de Serra Junceira, em Tomar. A entrevista fez-se ali mesmo, no barco, com as calmas águas da albufeira como companhia, antes de mais um treino bastante puxado.

Como é que conseguiu o apuramento para o Campeonato Mundial Open de Ski Náutico?
É a primeira vez que Portugal tem um número tão grande de atletas apurado para um Campeonato do Mundo e a parte mais inédita é conseguirmos ter dois atletas a participar através de um crowdfunding. É a primeira vez, em 13 anos, que Portugal tem alguma representação nesta prova. Foi conseguido através de um resultado mínimo numa prova internacional. No caso dos rapazes, temos que conseguir fazer seis bóias, com o cabo a 13 metros e o barco a 58km/h e, no caso das raparigas, 55km/h. No meu caso, consegui o apuramento em Julho do ano passado, numa prova em Espanha.

Como é que surge a sua ligação à modalidade do Ski  Náutico?
Eu comecei a fazer ski aos seis anos. Temos casa no Castelo de Bode e barco e começou por aí. Em 2004 fui pela primeira vez ao sítio onde ainda atualmente treino no Ski Clube Quinta Grande e, a partir daí começou tudo mais a sério e veio a competição. Nos últimos anos, tanto eu como a Marta temos feito cada vez mais provas. Planeamos uma época no início do ano com os patrocinadores para fazermos cinco ou seis provas internacionais mais uma nacional. Entretanto, conseguimos este apuramento.

O que é mais aliciante para quem pratica Ski Náutico?
Para começar estamos dentro de água e, no meu caso, eu adoro desportos de água. É um desporto que consegue aliar as componentes física, técnica e tática da melhor maneira. Temos quase 33% de cada e essa, para mim, é a parte mais desafiante. Temos que treinar no inverno, fazer ginásio… e a parte tática que entra na competição. O risco faz parte do jogo. É o que dá adrenalina. Sabemos que se as coisas não forem bem feitas podem correr mal. Por isso, temos que treinar muito, não só no verão como no inverno, com água muito fria. O último ano foi dedicado ao Ski. Estive 4 meses nos EUA só para poder treinar em melhores condições.

Como é que se concilia esta pratica com os estudos ou uma vida profissional?
(Risos) Até há um ano fui conciliando com a minha licenciatura. No último ano, a partir de maio, parei completamente em aulas para treinar e trabalhar em escolas de Ski para conseguir sustentar este sonho todo porque é caro. Em setembro vou voltar ao mestrado e já vai ter que ser 50/50.

Os 2500 euros que conseguiram através da página de crowdfunding comportam que despesas?
Contemplam viagens, transportar os skis no avião – que custa quase mais do que os próprios bilhetes – hotéis, transportes na prova, inscrições e treinos. Assim que fomos apurados, tivemos o apoio da Federação Portuguesa de Moto Náutica que decidiu avançar com as nossas inscrições, tivemos apoio de outras instituições e empresas que nos permitiram ir a Paris.

Quando é que partem?
Na segunda-feira, 3 de setembro, ainda vamos treinar em Portugal de manhã. A seguir apanhamos o avião para Paris… a cerimónia de abertura é nessa segunda-feira à tarde. Terça-feira de manhã entro em prova e na quarta-feira entra a Marta. São eliminatórias sendo que a final decorre no fim-de-semana seguinte.

Quais são as expectativas?
Vamos ter o privilégio de estar com a nata da nata. O principal objetivo em relação a esta prova está cumprido que foi a qualificação. Foram dez anos de treino até estar aí. A partir de agora vai ser desfrutar e estar no mesmo pontão de largada com os melhores atletas do mundo. Claro que o nosso objetivo passa por ficar o mais próximo possível das nossas melhores marcas pessoais mas vamos desfrutar do facto de lá estar, que foi o mais difícil.

Qual é o seu sonho?
O sonho passa por um dia ter a minha própria escola e poder viver completamente do Ski. É dentro do barco que me sinto bem.

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Elsa Ribeiro Gonçalves
Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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