Tomar | IPT com “meia dúzia” de casos covid opta por não isolar turmas na totalidade e mapear contactos

O Instituto Politécnico de Tomar, tal como todos os estabelecimentos de ensino, tem estado a batalhar para travar ao máximo a propagação do novo coronavírus através da adoção de medidas definidas pela autoridade de saúde, compiladas num plano de contingência atualizado conforme evolução da pandemia. Não há turmas isoladas, contam-se seis casos confirmados de covid-19 e alguns dos contactos de turma ficaram em quarentena profilática como medida preventiva e de monitorização.

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O presidente da direção do IPT, no entanto, admite que poderão haver mais, uma vez que a questão torna-se mais complexa quando toca a assintomáticos ou alunos residentes noutras regiões, o que dificulta a informação e deteção de novos casos pela equipa definida para acompanhamento da situação covid-19 na comunidade académica. A atividade letiva prossegue com a normalidade possível, mantendo-se as aulas síncronas  para garantir que todos os alunos, incluindo os que estejam em quarentena, não percam as matérias.

Em declarações ao mediotejo.net, João Coroado, presidente da direção do Instituto Politécnico de Tomar, “existem pessoas que fizeram o teste e deram positivo e tivemos o cuidado e preocupação de tentar perceber qual a frequência que elas tiveram nas aulas”.

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Daqui resultaram os seis casos positivos, e o que acontece é que o IPT alertou os “colegas que estiveram mais próximos, para que ficassem em quarentena profilática, e dessem informação de sintomas ou ausência deles à Delegada de Saúde para depois proceder, com certeza, à realização de testes”, explicou.

Todo o acompanhamento entre a identificação dos casos positivos e as pessoas que contactaram ou estiveram próximas desses casos está a ser feito “em sintonia” com a Delegada de Saúde Pública do ACES Médio Tejo, Maria dos Anjos Esperança.

Quanto ao número atual de casos, João Coroado assume que “não é uma resposta simples”.

“A informação que temos do número de casos positivos é que são seis, no entanto há outros tantos que estão em quarentena profilática. Não temos a certeza do número de casos positivos associados ao IPT, porque muitos dos alunos não são da região e ficam ‘retidos’ nas regiões de residência. Do conhecimento que temos, o valor é relativamente baixo, mas pode haver casos assintomáticos e não sabemos o que se passa”, justifica.

João Coroado, presidente do IPT, e a sua equipa. Foto: mediotejo.net

Até ao momento o IPT não teve turmas completas em isolamento, uma vez que os casos que têm sido diagnosticados “não têm frequência assídua”, o que possibilita fazer “seleção”.

“Estamos a fazer um trabalho muito estreito na identificação de casos, com a autoridade de saúde. Acontece que já existiram muitas situações em que são os próprios alunos,  docentes ou não-docentes que comunicam ao IPT a necessidade de estarem em isolamento por suspeita de infeção pelo novo coronavírus”; acontece que, segundo João Coroado, muitos dos casos traduziram-se em falsos alarmes, mas o procedimento foi orientá-los para o SNS, seguindo orientações da Delegada de Saúde.

Normalmente o procedimento é ficar em isolamento, fazer o teste e se der negativo “alargar o período de quarentena, com cautela, para evitar que haja um negativo falso”, uma questão de precaução da instituição, prevendo todos os cenários possíveis.

“Nós tentamos mapear os contactos a partir da informação, e serão os alunos de contacto direto que entram em quarentena profilática”, dá conta.

Acontece que João Coroado admite haver uma grande complexidade no processo, uma vez que poderá partir do aluno e família a comunicação com as entidades de saúde da área de residência, noutra região que não a do Médio Tejo, e isso dificulta o acesso à informação. “Acabamos por ter conhecimento muito indireto. Se é noutra região, noutro Agrupamento de Centros de Saúde, nós não temos uma relação tão estreita com outros Delegados de saúde. Se o aluno não veio até ao Instituto, fica no domínio do aluno”, diz.

O Politécnico de Tomar participou na versão portuguesa do Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível. Imagem do Instituto Politécnico de Tomar (IPT): DR

Por outro lado, se se trata de “uma constatação fora de portas, em que não há interação prévia com o IPT, é tratado pelo aluno e conscientemente, saiba ou não saiba que está infetado, fica em quarentena profilática”. Nesta situação existem vários casos do conhecimento da direção do politécnico, sendo alunos que, por terem suspeitas ou receio por terem no agregado familiar pessoas de risco, optam por voluntariamente ficar em isolamento e notificam a instituição.

“Quando um estudante pertence a outra região e está em quarentena, sem ter resultado positivo, podemos acabar por não saber… Se der positivo, o Instituto Politécnico consegue chegar à informação, mas admito que a Delegada de Saúde possa desconhecer nesta situação em concreto”, adverte João Coroado.

O presidente da direção do IPT garante que a comunicação é frequente entre a equipa definida para acompanhamento dos casos covid e o ACES Médio Tejo, através da Delegada de Saúde, sendo que os procedimentos são definidos em conformidade com as medidas definidas no plano de contingência, com a gravidade e/ou enquadramento caso a caso e com feedback imediato da autoridade local de saúde.

O plano de contingência do Instituto Politécnico aplicado a toda a comunidade escolar está em vigor desde março, tendo sofrido atualizações conforme a evolução da pandemia e orientações do Governo e autoridade de saúde. “É atualizado sempre que há alteração, uma das alterações recentes prendeu-se com a situação de Estado de Emergência. Há uma equipa afeta ao plano de contingência, que atua e faz encaminhamento da situação logo que há informação sobre caso no interior do Instituto Politécnico, nem que seja por sintomas ou temperatura”, explica o presidente.

Até ao momento o IPT não teve turmas completas em isolamento, uma vez que os casos que têm sido diagnosticados “não têm frequência assídua [das aulas presenciais]”, o que possibilita fazer “seleção”, diz o presidente da direção. Foto: arquivo/DR
O processo definido é comum aos planos de contingência de qualquer instituição ou estabelecimento escolar: caso exista sintomatologia, um dos responsáveis da equipa encaminha o aluno para uma das salas preparadas para isolamento, e/ou entra em contacto com os alunos de turma em caso de contacto com algum colega que tenha covid-19, alertando para a necessidade de cumprir quarentena profilática.

Em termos de atividade letiva, o IPT tem mantido a atividade letiva com garantia de que todos os alunos consigam acompanhar de forma síncrona as aulas. “Os estudantes que estão em casa de quarentena não perdem as aulas teóricas e teórico-práticas, e depois haverá tempo para recuperar as aulas laboratoriais e de campo”, refere.

João Coroado diz existir “grande preocupação do IPT em que a intervenção seja imediata e não haja propagação da doença”, e como tal é feita uma grande “campanha de sensibilização junto dos alunos, quer pelos docentes, quer pelos grupos de mentoria, para que sejam cumpridas as medidas de higiene, desinfeção e segurança”.

O Instituto Politécnico de Tomar tem um universo de 2300 alunos vindos de mais de 40 países, contando com o campus tomarense, o polo da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes e três residências de estudantes (uma delas em Abrantes).

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.
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